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Evento realizado no dia 8 de agosto debateu Mudanças e Paradigmas do agronegócio

O 10º Congresso Brasileiro do Agronegócio ocorreu em um momento delicado, declarou segunda-feira Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), entidade realizadora do evento. Ao abrir os debates do Congresso, que neste ano adotou o tema “Mudanças e Paradigmas”, Lovatelli lembrou que em 30 de outubro o mundo terá 7 bilhões de habitantes e que o Brasil tem grande responsabilidade na alimentação desse enorme contingente humano.

 Isso ocorre, ao mesmo tempo em que Estados Unidos e Europa emitem sinais de desarrumação e de insolvência em suas economias. “O olhos do mundo estão voltados para o Brasil”, declarou o presidente da ABAG. O desenvolvimento do agronegócio depende de políticas públicas adequadas e investimentos pesados, acrescentou. Há questões a serem resolvidas, como a definição de um marco regulatório. O agronegócio carece ainda do reconhecimento da sociedade. “A recente votação do Código Florestal, pela Câmara dos Deputados, revelou um total desconhecimento da realidade do agronegócio por parte da sociedade”, afirmou.

Participaram da cerimônia de abertura do 10º CBA o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Blairo Maggi (PR-MT) e os deputados federais Duarte Nogueira (PSDB-SP), Moreira Mendes (PPS-RO). A cerimônia de abertura do 10º CBA contou ainda com a participação do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, da secretária da Agricultura de São Paulo, Mônica Bergamaschi, e do vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, Osmar Dias.

Alckmin
O governador Geraldo Alckmin disse, na abertura do Congresso, que São Paulo está se esforçando para melhorar a infraestrutura e a logística em prol do crescimento do agronegócio. Citou a melhoria do acesso ao Porto de Santos por meio dos trechos Oeste e Sul do Rodoanel, a hidrovia Tietê/Paraná e redução de ICMS sobre bens de capital na produção de bioeletricidade. “Podemos prodzir 5,5 mil MW, uma Belo Monte em energia limpa”,disse. Outra ação, segundo ele, é a criação, na Fatec de Pompéia, do curso de tecnólogo em mecânica de precisão voltado para o antigo cortador de cana, já que toda a atividade nos canaviais é mecanizada.

Antes de Alckmin, o senador Blairo Maggi reclamou da dependência tecnológica do País na agricultura e na produção de insumos, como fósforo e potássio, e também dos gargalos da infraestrutura que prejudicam a competitividade do agronegócio. O deputado Moreira Mendes, presidente da Comissão Parlamentar da Agricultura na Câmara Federal, criticou o Senado por incluir mais uma comissão, a de Ciência e Tecnologia, para analisar o Código Florestal. “Para mim, isso é protelar a matéria”, afirmou. Já o deputado Duarte Nogueira disse que o agronegócio, apesar de ser o fiel da balança comercial, não tem tido a importância que merece.

‘Sem política adequada de preços, carro flex pode acabar’

A expansão da oferta de etanol depende de um pesado programa de incentivos e de investimentos. Entretanto, isso só deverá se concretizar depois de o governo colocar o etanol em posição de destaque na matriz energética brasileira. Enquanto o País mantiver uma política de preços baixos para a gasolina e demais derivados de petróleo, a produção de etanol deverá regredir. “Será o fim do carro flex”, previu Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, palestrante do 1º Painel do 10º Congresso Brasileiro do Agronegócio, nesta segunda-feira (09/08). O consumo de gasolina no Brasil, segundo Pires, não para de subir. Em 2010, cresceu 19%, enquanto que o Produto Interno Bruto aumentou 7%.

Essa política de preço baixo para os derivados do petróleo não se restringe ao Brasil. Argentina e Venezuela também adotam essa estratégia, cujos resultados, segundo Pires, são bem conhecidos. Acabou o gás na Argentina e as reservas de petróleo leve na Venezuela estão se esgotando. Essa também é a opinião do professor da USP, José Goldemberg, que qualificou o etanol como “um presente dos deuses”. Além do suco, a cana proporciona também o bagaço, que apenas em São Paulo, segundo ele, tem potencial para produzir energia equivalente à usina de Belo Monte, em construção na região amazônica.

CBA debate alimento barato

No 2º painel do 10° Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira em São Paulo, em palestra sobre paradigma do alimento barato, o economista José Roberto Mendonça de Barros, consultor da MB Associados, disse que por ora os preços dos alimentos ainda não explodiram, mas a tendência é de alta no futuro por diferentes razões: aumento da demanda mundial, especialmente por causa do crescimento da população urbana, do aumento da renda e mudanças nos padrões alimentares; volatilidade nos preços das commodities, demanda por água e energia e, no caso do Brasil, valorização do real frente ao dólar, tributação elevada e gargalos em infraestrutura e logística para escoar a produção. “A demanda é crescente e continuará a pressionar o mercado, mas, por enquanto, os preços devem ficar estáveis”, acrescentou.

Para Mendonça, o agronegócio brasileiro é um caso de sucesso, mas os problemas não são triviais. “Temos que reduzir a dependência da China, avançar nos biocombustíveis de 2ª geração e na bioquímica, e resolver de forma rápida questões de regulamentação, compra de terras e política ambiental”.

Para o moderador Ingo Plöger, presidente do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL), um dos paradigmas em evidência hoje é que ninguém imaginava, há alguns anos, que os alimentos ficariam tão caros por conta da alta das commodities. Segundo José Antonio do Prado Fay, presidente da Brasil Foods, o alimento é talvez o item mais estratégico de um país e o Brasil está cumprindo seu papel de um dos maiores celeiros do mundo.

Agronegócio E Sociedade

Com mediação do jornalista William Waack, agronegócios e sociedade, tema do 3º painel do Congresso, foi um dos que provocaram os mais calorosos debates. Roberto Araújo, gerente de Comunicação de Marketing para América Latina da Basf, empresa responsável por um vídeo que explica em linguagem simples o que é agronegócio, defende que é preciso mostrar que o setor é próspero, um sucesso, o futuro do País. “É preciso usar a emoção para mostrar à sociedade que sustentabilidade é produzir mais alimentos com tecnologia, de forma preservada, utilizar menos água”.

Para Bob Costa, diretor da Nova S/B, agência responsável pela campanha “Sou Agro”, as percepções da sociedade mudam rapidamente e “temos sido reféns do que representa o agronegócio, já que não temos reagido com a mesma velocidade”.

Já José Luiz Tejon Megido, diretor do Núcleo de Agronegócio da ESPM, apresentou resultados de duas pesquisas, uma com a classe C e outra com classe A, que mostram que a população sabe muito bem o que é agronegócio. “A classe C é bem mais informada do que parece. Essa população entende que agronegócio é progresso, sucesso, e vê positivamente a figura do agricultor. Sabe que é preciso usar ‘produtos’ para adubar a terra, para matar a praga que come a plantação, mas também sabe que alguns exagerem na dose. Confesso que os resultados nos surpreendeu positivamente”.

O fazendeiro Luiz Marcos Suplicy Hafers, presidente da Jamaica Agropecuária, foi a voz mais discordante do debate. Ao comentar os resultados das pesquisas, disse que as estatísticas não o convencem, mas fez uma mea-culpa. “Nós fazendeiros não conseguimos nos comunicar de maneira correta com a sociedade, por isso não somos valorizados. Somos responsáveis pelo equilíbrio da balança comercial do País, mas a sociedade nos enxerga como caloteiros, latifundiários. Mas a culpa é nossa, por não participarmos dos debates”. No final, disse que “agricultura é muito mais do que números, economia, envolve mais um monte de vida do que meio de vida”.

Agronegócio e Governo

A difícil relação entre o agronegócio e o governo exige estratégia que inclui a clareza nas manifestações por parte dos integrantes do setor, segundo conclusão do 4º Painel do 10º Congresso Brasileiro do Agronegócio, cujo tema foi justamente a “Agronegócio e Governo”. Para o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o entrave está na falta de liderança, o que não ocorre apenas no Brasil, mas em todo o mundo. “O governo, na realidade, não sabe como deve se comportar.”

Para o ex-secretário da Agricultura de São Paulo, João Sampaio, o governo não adota uma política adequada porque ele está condicionado ao interesse dos eleitores, que por sua vez, não estão conscientes da importância do setor agrícola. Yoshiaki Nakano, diretor da FGV, se mostrou, no entanto, otimista. Para ele, a nova classe média é conservadora e deverá cobrar do governo uma atitude mais ativa em favor do agronegócio.

Fonte: Assessoria de Imprensa da ABAG

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