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Em artigo, Eduardo Daher, ressalta a importância de levar conhecimento ao campo.

*Eduardo Daher

Em 28 de abril é celebrado o dia da Educação. No Brasil, temos poucos motivos para comemorar, já que atualmente o país ocupa a modesta 58a posição entre os 65 países participantes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), muito distante das nações mais desenvolvidas. Portanto, a data é propícia para refletirmos. Além do desafio de melhorar o desempenho dos estudantes nas matérias tradicionais, é preciso introduzir novos conhecimentos que permitam aos nosso jovens compreenderem melhor a realidade onde vivem. Um exemplo: pouco se fala sobre o sucesso da agropecuária brasileira nas escolas brasileiras.

Um setor que traz desenvolvimento para o país, impacta diretamente na evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e tem mantido o equilíbrio da balança comercial do Brasil nos últimos anos, ainda não conquistou o seu espaço na grade curricular das escolas brasileiras. A consequência disso é que muitas crianças não sabem de onde vêm e nem como são produzidos os alimentos que consomem diariamente. Façamos o teste: pergunte ao seu filho ou sobrinho a origem da batata frita ou se ele tem ideia de como o iogurte de frutas foi parar no potinho. Muito provavelmente ele não saberá responder.

O que mais impressiona é que esse mesmo jovem será capaz de dizer os nomes dos astronautas americanos que chegaram à lua em 1969, mas não tem ideia de quem são os homens que fizeram a “Revolução Verde” brasileira nos últimos 40 anos. Para as escolas brasileiras, Neil Armstrong, Buzz Aldrin e companhia são mais importantes que Romeu Kiihl (o homem que adaptou a soja ao Brasil), Alfredo Scheid Lopes (referência mundial em melhoramento de solos) ou Herbert Bartz (inventor do sistema de plantio direto, que transformou a agricultura no Brasil).

A história do agronegócio brasileiro se mistura à própria história do país nos últimos 100 anos. O açúcar, a borracha e o café foram os principais produtos da pauta de exportação brasileira no início do século passado. A atividade seguiu se profissionalizando ao longo dos anos, deu um salto tecnológico a partir dos anos 1970 e se transformou no motor da economia brasileira a partir dos anos 2000. Ou seja, no Brasil, a agricultura é tema fundamental para a formação das crianças – tão importante quanto a Química, a Física ou a Geografia.

A falta de informação faz com que as crianças de hoje pensem que os alimentos vêm das caixinhas. No futuro, poderão achar que os transgênicos são capazes de criar monstros e que os defensivos agrícolas servem para contaminar os alimentos – e não para defender as plantas, como o próprio nome diz. A desinformação é a principal arma das ONGs ambientalistas que vivem às custas do alarmismo, fazendo acusações infundadas e muitas vezes irresponsáveis ao agronegócio brasileiro.

Um setor que sempre foi a base da economia nacional mereceria espaço de destaque na grade curricular das escolas em qualquer parte do mundo. Mas no Brasil, onde o que dá certo quase sempre se torna alvo de críticas, a história é diferente. Por aqui, o agronegócio que alimenta os brasileiros e gera divisas para o país é o vilão, enquanto ONGs ambientalistas que combatem as novas tecnologias e fomentam o retrocesso ganham os holofotes. Ao educarmos nossas crianças, temos a obrigação de oferecer a elas mais informação, conhecimento e conteúdo e deixar de lado a ideologia que, no fim das contas, desinforma e deseduca.

Felizmente, ainda temos muitos professores capazes e dispostos a mudar a atual situação. Os exemplos estão nas cidades fortemente impactadas pelo agronegócio, como Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, ou Barreiras, na Bahia, onde o nível de escolaridade e a qualidade do ensino têm subido muito acima da média nacional.


*Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

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