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Em artigo, Eduardo Daher comenta a luta inadiável contra a fome

O Plano Brasil Sem Miséria, recém-lançado pela presidente Dilma Rousseff, inclui uma política específica para o desenvolvimento da agropecuária, especialmente dos pequenos agricultores ainda não incorporados aos sistemas de produção tecnificados.

No entanto, já apregoava José Graziano Silva antes mesmo de assumir a FAO: "Combater a fome requer recursos e não apenas palavras bem intencionadas. Hoje, existe um consenso de que é necessário voltar a investir no setor agrícola dos países em desenvolvimento" (Revista Defesa Vegetal).

A agropecuária, sem dúvida, constitui uma das principais forças inovadoras do crescimento do país. Os últimos governos, finalmente, passaram a reconhecer a relevância dessa contribuição e a eficiência com que o setor incorpora ganhos nos indicadores do desenvolvimento sustentado. Entre eles, citem-se: a alavancagem das exportações e do saldo na balança comercial; a robustez agregada ao Produto Interno Bruto, que avançou da 10ª posição, em 2003, para a 7ª maior economia mundial, em 2010; no campo social, vem se constituindo uma âncora de fixação de trabalhadores no meio rural a partir do rumo em direção às cidades antes rurais; segundo a Embrapa, entre 1970 e 2010, o preço real dos alimentos caiu pela metade – as colheitas mais fartas só têm sido possíveis graças à revolução tecnológica iniciada no campo; o dinamismo tanto dos elos "antes da porteira" (pesquisa e extensão do conhecimento ao campo), "dentro" (a adoção, cada vez mais, de tecnologias pelo agricultor) e "fora da porteira" (agroindústrias encostam suas fábricas ao lado das fazendas) provocam desdobramentos geradores de melhorias socioeconômicas regionais.

Se certos rincões ainda guardam marcas rudes da pobreza devido à ineficiência de aparelhos básicos do Estado é notável como a modernização da agropecuária vem alterando este traço secular. Segundo Odacir Klein, presidente da União Brasileira do Biodiesel, Ubrabio, hoje, 20% da produção de biodiesel no país é proveniente da AGRICULTURA FAMILIAR; 90% referem-se ao cultivo de soja oriunda dos pequenos produtores. Eis a ponte que liga, no campo, duas vertentes de perfil de agricultores – e derruba a falácia de um anacrônico ideário do "homem campesino".

Competitivo, hoje o pequeno agricultor deixa o cultivo de subsistência e se torna, com renda pactuada garantida,um fornecedor integrado de GRÃOS, base da ração da agroindústria de carnes, a maior do mundo, e de oleaginosas. Ou participa, com sua produção própria, de um agricluster, arranjo local liderado geralmente por cooperativa, que abre os mercados, inclusive internacionais.

À luz de tais evidências, a distensão dos embates mais duros em torno do novo Código Florestal é uma tendência necessária. A conclusão é de que práticas que ainda perduram, como o corte ilegal de matas nativas, não podem ser debitadas à absoluta maioria dos agricultores que trabalha responsavelmente. Que prevaleça, portanto, o respeito tanto ao meio ambiente quanto à agricultura.

No ano de 2000, havia 37,9 milhões de hectares plantados. Em 2010, esse número subiu para 48,9, o que representa um aumento de 26%. Na mesma década, as toneladas produzidas partiram de 100 para 149 milhões, um acréscimo de 49%. Sustentabilidade na prática. Refletida diretamente nos alimentos em maior quantidade e qualidade nas mesas dos brasileiros e do mundo.

Por Eduardo Daher, economista pela FEA e diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef

Fonte: Brasil Econômico / Notícias Arícolas

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