Você está aqui: Home / Imprensa / Notícias / Agilidade no combate

Em artigo, Eduardo Daher, comenta sobre o Seminário Ameaças Fitossanitárias.

*Eduardo Daher


Cerca de 300 especialistas, pesquisadores e profissionais em fitossanidade debateram, no último dia 23 de maio, em São Paulo, a urgência de o país olhar com atenção nos altos riscos que rondam as plantações brasileiras. O Seminário Ameaças Fitossanitárias: Novas Pragas Colocam em Risco a Produção de Alimentos no Brasil embasou um tema que ainda não mobilizou como deveria os órgãos de defesa sanitária.

O marco regulatório precisa ser aperfeiçoado, a fim de conferir maior agilidade aos órgãos governamentais encarregados de analisar e aprovar as novas tecnologias demandadas pelos agricultores, bem como oferecer um horizonte de maior previsibilidade às empresas para definirem seus planos de investimentos. O que temos visto, porém, são alguns órgãos regulatórios encarregados de analisar os pedidos de registros de novos ingredientes ativos e melhorias nas formulações existentes, entre outras demandas, continuarem a trabalhar numa morosidade totalmente incompatível com a dinâmica que o mundo exige quando o assunto é a produção de grãos, fibras e energias renováveis.

A ANDEF e suas empresas associadas são defensoras do máximo rigor na análise das solicitações, uma vez que é exatamente este o diferencial das 15 associadas, que investem altos recursos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Mas também pleiteamos que esses órgãos embasem suas análises, unicamente, no rigor do conhecimento científico.

A produção de defensivos consiste na manufatura de novos ingredientes ativos, que exige altíssimos investimentos por vários anos. Para que uma nova molécula se torne o produto – herbicida, fungicida, inseticida ou acaricida – as indústrias associadas da ANDEF pesquisam e desenvolvem em laboratórios e estações experimentais, durante cerca de 10 anos, um volume entre 300 mil e 400 mil moléculas.

Esse rigoroso trabalho científico consome aportes de capital. O Sindicato Nacional da Indústria de Defesa Vegetal (SINDAG) estima que, no período de 2008 a 2012, os novos investimentos no setor somaram cerca de US$ 313 milhões.
No entanto, quando se faz uma leitura superficial – quando não propositadamente distorcida – do mercado mundial de defensivos agrícolas incorre-se numa conclusão totalmente equivocada: a de que o Brasil é o país que mais utiliza esses produtos. Na verdade, de acordo com levantamento da consultoria Kleffmann, entre os principais países produtores agrícolas o Brasil é o que menos utiliza defensivos.

Segundo os dados de 2011, o Brasil foi o sexto colocado entre os principais países produtores agrícolas, com um investimento de 7,93 dólares por tonelada de alimento produzido. À frente do Brasil, registraram maior uso de defensivos: Estados Unidos, com 9,42 dólares por tonelada de comida produzida; Argentina, 12,44 dólares; União Européia, 20,65 dólares; França, 22,29 dólares; e, maior mercado do mundo de defensivos por tonelada de alimento produzido, o Japão, que emprega 97,73 dólares para cada tonelada. Este ranking pode ainda traduzir da seguinte forma: para cada 100 dólares investidos em defensivos, o Japão produz apenas 1 tonelada de alimentos e a França, 4 toneladas; já o Brasil produz, com os mesmos 100 dólares, 13 toneladas de alimentos. Estes dados comprovam que somos, de longe, os mais eficientes produtores de alimentos do mundo.

Destaca-se o fato de o Brasil alcançar esta posição apesar de ser uma agricultura de clima tropical, que exige maior uso de tecnologia para o controle de pragas. Por exemplo, só a venda de produtos para combater a ferrugem da soja representou, em 2012, US$ 1,5 bilhão – 15% do total do mercado brasileiro. Essa mesma doença não ocorre em países de clima frio como os Estados Unidos, maior produtor de grãos do mundo.

Há ainda outro grave problema, que o Brasil começou a enfrentar, na safra 2012/13. Trata-se da infestação da praga quarentenária Helicoverpa armigera nas lavouras de soja e algodão, principalmente. Já nesta primeira safra em que a nova praga foi constatada, provocou graves perdas: de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os produtores amargaram prejuízos da ordem de R$ 2 bilhões. Mas, quando se soma as perdas causadas por diversas outras nas pragas no ano-safra, os prejuízos são gigantescos: de acordo com Denise Návia, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos, chegam a R$ 40 bilhões.

*Eduardo Daher é diretor-executivo da ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal)

ANDEF. Avenida Roque Petroni Júnior, 850 . 19º andar . Torre Jaceru . Jardim das Acácias . CEP: 04707-000 . Tel.: 55 (11) 3087-5033 - (Mapa) Desenvolvido por UAU!LINE.