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Kátia Abreu comenta matéria do The Economist sobre o papel do agro na economia.

*Kátia Abreu

A revista ‘The Economist’, que circula em todos os continentes nesta semana, anuncia ao mundo que o agronegócio brasileiro conseguiu atingir ganhos enormes de produtividade, revelando-se o motor do crescimento futuro do Brasil.

Ao mesmo tempo em que a revista chama a atenção para as oportunidades desperdiçadas e para o desafio urgente de superar a perda de competitividade da indústria brasileira, sugere que ‘o país poderia priorizar um dos poucos setores em que a produtividade tem crescido de forma constante nos últimos anos: a agricultura’.

Pensamos, por muito tempo, que a industrialização e a diversificação da manufatura, com maior participação de produtos manufaturados na pauta de exportações, fossem o símbolo de sucesso no desenvolvimento econômico.

O mundo mudou. A atual lógica de cadeias produtivas globais desloca a fabricação e a montagem final de produtos industrializados a localidades com menor custo, principalmente de mão de obra. As economias se dividiram em ‘países-fábrica’ e ‘países-sede’.

Os ‘países-fábrica’, que vendem no mercado mundial seus produtos manufaturados acabados, muitas vezes agregam um valor pequeno às exportações. Já os ‘países-sede’ são hoje responsáveis pela agregação da maior parte do valor, por meio de serviços pré e pós-fabricação.

O economista norte-americano Richard Baldwin afirma que a agregação de valor industrial não é mais ‘panaceia para o desenvolvimento’. Não é mais o reconhecimento do progresso. A inovação e os serviços o são.

A inovação trouxe uma verdadeira ‘revolução verde’ para o Brasil, criando uma das mais produtivas agriculturas do mundo.

Em menos de quatro décadas, saímos da posição de importador líquido de alimentos e passamos a disputar com os grandes, como os Estados Unidos, a liderança no fornecimento de produtos agropecuários e de bioenergia.

Hoje, o país lidera a produção mundial de açúcar, soja, café e suco de laranja. Temos posição de destaque na exportação desses e de outros produtos do agronegócio, como carnes, milho e algodão.

O Ipea estima que o emprego de tecnologia foi responsável por quase 70% da extraordinária produtividade da agropecuária brasileira nos últimos 40 anos. E, de acordo com estudos da CNA, a produtividade das nossas lavouras cresceu nada menos que 151% nas últimas três décadas.

Nos anos 1960 e 1970, as políticas governamentais de substituição de importações e de crédito subsidiado incentivaram a industrialização do Brasil. As regras comerciais restritivas até os anos 1990, com a posterior inserção internacional bastante tímida, impediram uma maior participação do Brasil nas cadeias globais de valor.

Tributação, juros, falta de logística e de infraestrutura, baixo nível de investimento e políticas governamentais intervencionistas e distorcivas vêm prejudicando o desenvolvimento industrial ao longo de décadas. Elevados custos domésticos – e as fortes barreiras no exterior, associadas à inexpressiva abertura comercial do nosso país – fazem com que os produtos industrializados brasileiros sejam pouco competitivos.

A demanda mundial por alimentos vai continuar crescendo e nesse quesito o Brasil se sobressai. Já mostrou que pode produzir mais sem expandir o uso das terras, exibindo o dobro da produtividade de outros países. Além disso, como bem destacou ‘The Economist’, por produzir com qualidade e muito além do consumo interno, o Brasil contribui mais que qualquer outra nação para o fornecimento mundial de alimentos.

Devemos nos orgulhar da posição de liderança na produção e no fornecimento de produtos agropecuários. Somos mais competitivos; verdadeiros campeões mundiais.

A exportação de manufaturas não é mais a única medida do progresso. É hora de, finalmente, abandonarmos velhos complexos, valorizando o que o país tem de melhor.

O mundo já enxergou o que uma parcela atrasada e preconceituosa do Brasil ainda teima em não admitir: a agropecuária brasileira é forte e inovadora. Somos vanguarda.

*Kátia Abreu é senadora (PSD-TO) e a principal líder da bancada ruralista no Congresso. Formada em psicologia, preside a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Escreve aos sábados no caderno ‘Mercado’.


Fonte: Folha de S. Paulo

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