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O que temos que aprender com a grande potência europeia, segundo Luiz Tejon.

Brasil e Alemanha: cairipinha ou schnaps com underberg? 

*José Luiz Tejon Megido
 
No campo da bola, a lei do incerto, do acaso, a sorte ou o azar podem definir um centímetro a mais para o lado de dentro das traves, dá em gol, para o lado de fora da trave, dá rebatida. E sem o Neymar, que nos sobre a liderança invisível da equipe toda.
 
Mas no agronegócio, a Alemanha dá outro show internacional. O terceiro maior país do mundo na exportação de alimentos, perdendo para Estados Unidos e Holanda. E nós estamos ali, na disputa pelo terceiro lugar, sendo os 4º maiores do planeta.
 
E a Alemanha dá show em valor agregado. São os reis da agregação de valor no café, por exemplo. O Brasil tem na Alemanha o seu maior cliente, na venda do café verde. Mas só para termos uma boa ideia do que significa agregação de valor no agronegócio, enquanto a exportação total do mundo em café grão atinge cerca de US$ 14 bilhões, a exportação de café solúvel, e especiais, com agregação de valor, atinge cerca de US$ 28 bilhões. Ou seja, o dobro das matérias-primas. E, nós mesmos brasileiros, importamos mais café de valor agregado do que exportamos.
 
A Alemanha se propõe a ser, até 2015, o líder europeu em biotecnologia, e também em biorefinaria para uso de biomassa. Uma Comissão Brasil-Alemanha em agribusiness existe e tem como foco o desenvolvimento de negócios bilaterais em biocombustíveis, frutas, carnes e suco concentrado. E apoio a projetos para aumentar a quantidade de etanol na gasolina, o que não tem contato com a boa vontade da Anfavea no Brasil, preocupada com a importação de carros, que não são adaptados à mistura superior do nosso etanol.
 
A Alemanha mantém centros alemães de Ciência e Inovação em cinco cidades, Moscou, Nova Iorque, Nova Delhi, Tóquio e São Paulo.  A Alemanha é o 6º maior parceiro brasileiro em negócios internacionais, atrás da China,  Estados Unidos, Argentina, Holanda e Japão. Movimenta mais de US$ 25 bilhões no comércio bilateral. E calcula-se que a participação do capital alemão no PIB do Brasil oscile entre 8 a 12%.  Vendemos ferro, café, aviões, soja, petróleo e suco de laranja, e compramos automóveis, autopeças, caminhões, química, farmacêutica e máquinas.
 
Na agricultura, os alemães tem uma importantíssima área de florestas, com mais de 28 mil empresas florestais, 11 milhões de hectares de árvores. E são ótimos em batatas, beterraba, trigo e na cevada da cerveja, além do leite, carne bovina e carne de porco, onde lidera o consumo per capita de batatas, carne de porco e cerveja, e desenvolvem turismo rural com muita ênfase em sustentabilidade.
 
E será com esse trio da cerveja, batata e iguarias de porco, além do Schnaps, a mistura de uma boa aguardente com Underberg. Aquele hiper amargo. Que pretendem comemorar a classificação para a final da Copa. Mas, se perderem, ficarão só com o amargo do Underberg. Eu já providenciei uma boa garrafa desse bem amargo, feito com ervas especiais para presentear meus queridos amigos alemães, amanhã!
 
E vamos de caipirinha, o néctar do agronegócio nacional, cana-de-açúcar com limão.

*José Luiz Tejon Megido é Diretor Vice Presidente de Comunicação do Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o núcleo de agronegócio da ESPM.

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