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Leia o posicionamento da Andef sobre o Programa Globo Repórter que tratou de alimentos orgânicos.

1. Tendo em vista o interesse dos telespectadores por temas relativos à alimentação e saúde e a necessidade de que estes sejam tratados com rigor por especialistas, é de fundamental importância que estes sejam analisados, em seus diferentes ângulos, à luz da Ciência. 

Nesse sentido, a Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, lamenta não ter sido consultada como uma das fontes de entrevistas para o programa Globo Repórter exibido nesta sexta-feira, 14.08.15. Da mesma forma, acreditamos que o programa deveria ter tido a cautela de esclarecer a opinião pública, ouvindo membros da comunidade médicacientífica sobre este tema. 
 
2. Estabelece uma regra precípua do Jornalismo sempre entrevistar as diversas correntes de opinião acerca do mesmo assunto. Assim, deveriam consultar especialistas como a bióloga Lúcia de Souza, doutora em bioquímica e membro da Public Research and Regulation Initiative (PRRI): “Está mais do que na hora de tomarmos a Ciência como base para indicar a combinação ideal de opções sustentáveis e inteligentes para a produção de alimentos, que melhor sirva para cada região e cultivo“, afirma ela.
 
3. De fato, os alimentos orgânicos, simplesmente pelo fato de serem orgânicos, não são menos nem mais saudáveis do que os cultivados convencionalmente. A conclusão é de um estudo recente, realizado pela Agência de Padrões de Alimentos do governo britânico e publicado no American Journal of Clinical Nutrition. A pesquisa representa a maior revisão já feita sobre o tema, com 162 artigos científicos publicados nos últimos 50 anos.
 
4. No Brasil, estudos semelhantes concluem da mesma forma. “É o que acontece, por exemplo, em relação ao conteúdo de vitamina C. Alguns estudos comparativos entre sistemas orgânico e convencional mostram níveis superiores de vitamina C para alimentos orgânicos, enquanto outros mostram não haver diferença ou ainda apresentam níveis mais baixos”, analisam as pesquisadoras Graciela Cristina dos Santos e Magali Monteiro. 
 
5. O setor de defensivos agrícolas apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo. Até a sua aprovação, os produtos são submetidos a numerosos requerimentos da legislação; sua regulamentação científica inclui comprovações de eficiência e segurança. “Acordos internacionais, tratados e convenções são firmados visando regular e apoiar o manejo responsável de agroquímicos”, destaca Bernhard Johnen, doutor em Agronomia, consultor da CropLife International e da FAO, Organização para Agricultura e Alimentação, vinculada à ONU. A indústria de defensivos agrícolas no Brasil é signatária deste regulamento.
 
6. No Brasil, antes do registro e de serem produzidos, os defensivos agrícolas passam por rigorosa avaliação agronômica, toxicológica e ambiental de três ministérios: da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; do Meio Ambiente; e da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. 
 
7. Portanto, o Globo Repórter, nesta edição com tema tão importante, ao não ouvir os diversos lados interessados; ao não cuidar em ouvir médicos especialistas, consultados com frequência em outros programas da mesma emissora; ao não esclarecer a população sobre a importância crucial da agricultura em colocar os alimentos saudáveis nas mesas de milhões de famílias, incorreu em um equívoco quase sensacionalista – que não é o perfil desta conceituada emissora – e, com isso, lamentavelmente espalhou receios injustificados entre seus telespectadores e a população.
 
Associação Nacional de Defesa Vegetal, ANDEF
São Paulo, 14 de agosto de 2015 

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