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Em entrevista, representante da FAO elogia o agronegócio brasileiro.

Há dois meses no Brasil, o representante da FAO (Organização das Nações Unidas Para Agricultura e Alimentação), Hélder Muteia é moçambicano e mestre em Economia Agrícola pela Universidade de Londres. Muteia participou do II Fórum Inovação Agricultura e Alimentos Para o Futuro Sustentável, realizado pela Abag e Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal) em São Paulo, no último dia 14 de outubro. Na oportunidade fez um alerta para o número de famintos no mundo, cerca de 1 bilhão de pessoas.

Como erradicar a fome no mundo?
Pelas projeções da ONU, o mundo terá 9 bilhões de habitantes daqui a 40 anos, em 2050. São 2 bilhões a mais do que hoje. Para atender toda esta população, a agricultura mundial terá que aumentar em 70% a produção de alimentos. Vamos ter que produzir mais. E não só isto, vamos ter quer produzir melhor, diante da ameaça do aquecimento global. Produzir com sustentabilidade, ambiental e social. A campanha da FAO este ano tem como lema “Unidos contra a Fome”. Nós temos consciência de que não é possível derrotar a fome sozinhos. A erradicação da fome exige o empenho de vários atores: governantes, produtores, agrônomos, cientistas, fabricantes de máquinas agrícolas, empresas de fertilizantes, supermercados. Hoje o mundo produz alimento suficiente para abastecer todo o Planeta. O grande problema está na distribuição. A desigualdade e a pobreza são as maiores causas da fome. A insegurança alimentar é causada pela pobreza, que por sua vez deriva da desigualdade social, dos desastres naturais e das guerras, que aumentam as populações vulneráveis.

Os dados da FAO indicam uma queda da fome no mundo em 2009. Esta tendência deve se manter nos próximos anos?
O número de pessoas subnutridas no mundo teve a primeira queda em 15 anos em 2009. Caiu de 1,023 bilhão para 925 milhões. Mas embora tenha havido uma redução de 98 milhões de pessoas no total de subnutridos, o número continua alto, acima do objetivo estabelecido pelas metas do milênio, que era de reduzir pela metade o número de vítimas da fome no mundo até 2015. Os dados não contabilizam as crises no Paquistão e no Haiti e também a seca na Rússia, que provocou uma forte alta nos preços do trigo. Estamos apreensivos em relação aos impactos destes fatores.

A tecnologia de agricultura tropical desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros não pode contribuir para aumentar a produção agrícola dos países da África?
Com certeza. É uma contribuição importante, mas é preciso entender que só tecnologia não basta. É preciso facilitar o acesso dos pequenos agricultores aos recursos naturais, ao crédito e principalmente aos mercados. Os agricultores não estão no campo por questões morais. Eles querem e precisam ganhar dinheiro. Precisam vender as suas safras a preços justos, e não entregá-las a qualquer preço. O combate à pobreza no campo requer, além da tecnologia, um programa de financiamento para compra de insumos e maquinários, seguro agrícola e outras precondições para uma agricultura competitiva. O Brasil é um grande laboratório para o mundo devido à dinâmica e à diversidade do seu agronegócio. Os modelos de políticas de inclusão social e a tecnologia agrícola desenvolvidos por aqui podem ser replicados para outras partes do mundo.

Bruno Blecher/Informativo Abag – novembro/2010

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Hélder Muteia, representante da FAO (Organização das Nações Unidas Para Agricultura e Alimentação)

FOTO: ORÍPIDES RIBEIRO/ANDEF

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