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“Imprensa, inovação e liberdade”, de Eduardo Daher, diretor-executivo.

Imprensa, inovação e liberdade

Eduardo Daher

A inteligência humana impulsionou, ao longo da História, descobertas que se traduziram na própria sobrevivência da espécie. Porém, apenas a capacidade superior de pensar não seria suficiente para descrever a trajetória pela qual o homem conduziu o mundo até sua formação como hoje o conhecemos. Essa força é significativamente explicada por outro dom, também único do ser humano: a capacidade de se comunicar. Jorge Xifras-Hera, sociólogo espanhol, escreve que essa dimensão sociável deve-se, antes de tudo, à incapacidade física do homem para uma série de tarefas elementares, mesmo para sua sobrevivência – vários animais o superam em destreza, força física e velocidade, por exemplo. Tal limitação impõe ao ser humano a necessidade de interação e permanente intercâmbio de conhecimentos.

Assim, as descobertas simples, porém engenhosas, projetaram a produção de bens em favor do nível de desenvolvimento da vida. Mas o avanço das sociedades alcançou o estágio atual a partir, primeiramente, da escrita, por volta do ano 3.500 aC. E caberia à sua sucedânea imediata, a máquina de impressão em série – criada em 1439 por Johannes Gutenberg – moldar a revolução da imprensa. Essa popularizou, primeiramente, o livro – até então apenas copiado à mão e acessível a um restritíssimo público. Mais tarde, se consagraria como principal difusora da ciência, ao originar os meios de comunicação social – que abrasileiramos como “mídia” a partir da expressão mass media, cunhada pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan.

Na Inglaterra, em 1814, o jornal Times utilizou pioneiramente a máquina a vapor na sua impressão, o que reduziu o custo e acelerou extraordinariamente a circulação. O processo reafirmaria o vínculo entre a imprensa e as inovações tecnológicas, segundo observa Nelson Werneck Sodré, um dos mais completos estudiosos da história do jornalismo. No limiar do século 19, quando na Europa os jornais já ganhavam a velocidade das impressoras a vapor em máquinas, no Brasil o progresso das descobertas científicas ainda alcançava estrita parcela da sociedade.

Embora nem sempre seja nítida a relação de causa e efeito, evidencia-se que o início da imprensa no Brasil colonial produziu imensa teia de socialização, troca de conhecimento e a criação de novos mercados. Para tanto, porém, travou longa disputa com a Coroa de Portugal, que temia os “abomináveis princípios iluministas franceses”, como escreveria um intendente da Corte.

Mesmo sob forte censura prévia, diversos folhetins foram lançados. O mais celebrado deles seria fundado por Hipólito da Costa: há 202 anos, completados hoje, 1º de junho, saía do prelo e chegava às ruas o primeiro exemplar do Correio Braziliense. Por esse marco histórico, que desafiava a proibição da Coroa de Portugal da existência de periódicos na colônia, a data hoje é consagrada nacionalmente como Dia da Imprensa.

O feito foi possível graças a um recurso logístico do idealizador Hipólito da Costa: o Correio Braziliense era redigido e impresso, mensalmente, na tipografia de W. Lewis, em Londres, e de lá despachado para o Brasil. Conforme narra o historiador Werneck Sodré, o editor Hipólito da Costa se justificaria: “Resolvi lançar esta publicação na capital inglesa dada à dificuldade de publicar obras no Brasil, tanto pela censura prévia quanto pelos perigos a que os redatores se exporiam”.

A força dessa rede emergente de publicações determinou a passagem de um estágio colonial do Brasil para os primórdios das inovações industriais no país. Ao reunir os meios e as ferramentas (o domínio do processo), a imprensa traduz as mudanças tecnológicas e as estende de uma geração à outra. É o que observa Lyman Bryson, educador, consultor da rede norte-americana de comunicação CBS e autor de diversos estudos sobre o papel da mídia, entre os quais Ciência e liberdade: “O jornalismo desempenha, como nenhuma outra atividade, o papel de desvendar os novos conhecimentos. Porém, a imprensa apenas cumpre essa tarefa plenamente se amparada na livre circulação das ideias e das informações”. Tais palavras ganham força emblemática neste 1º de junho, Dia Nacional da Imprensa, exatamente quando o Correio Braziliense, primeiro jornal publicado no país livre da censura oficial, faz juz às homenagens como baluarte do jornalismo.

Eduardo Daher é economista pela USP, pós-graduado em administração de empresas pela FGV-SP e diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

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