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O desafio da produção sustentável.

*Alan Bojanic

O mundo terá 2 bilhões a mais de pessoas ao decorrer das próximas três décadas (até 2050). A demanda em diversos setores será enorme. Vamos precisar de mais infraestrutura, garantias de saúde, emprego, educação, segurança e, principalmente, mais alimentos. Nossas previsões são de que a produção agrícola deverá aumentar em 60% para atender as necessidades básicas de segurança alimentar dessa nova sociedade.

Ao mesmo tempo, teremos o desafio de produzir mais com menos. Não é de hoje que sabemos que os recursos naturais estão cada vez mais escassos. Apenas a pecuária é responsável por quase um terço da emissão de gases do efeito estufa, e 78% das emissões de metano vêm da produção agrícola. Segundo as projeções, em 2030 as emissões de amônio e metano procedentes do gado nos países em desenvolvimento serão 60% maiores do que as registradas nos dias de hoje.

E os efeitos no meio ambiente não vêm somente da agricultura. O mundo desperdiça, atualmente,

um terço de tudo que é produzido. O metano que sai dos alimentos que vão para o lixo e ficam em decomposição é 25 vezes mais potente do que o dióxido de carbono. Já foi comprovado que, caso as perdas e os desperdícios de alimentos representassem um país, ocupariam o terceiro lugar como um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, atrás apenas de Estados Unidos e China.

A degradação dos solos e o uso irracional dos recursos hídricos também acendem o alerta vermelho. Calcula-se que cerca de 33% dos solos do mundo estão degradados, incluindo nesta conta a erosão do solo, a impermeabilização, a contaminação, a salinização, entre outros fatores. A escassez de água já afeta mais de 40% da população mundial, uma porcentagem que alcançará os dois terços em 2050. As crises hídricas têm se tornado cada vez mais frequentes. Um exemplo próximo desta problemática vivenciamos no ano passado aqui no Brasil com a situação preocupante em São Paulo.

Diante desse contexto, faz-se cada vez mais necessário produzir alimentos de forma sustentável. Adotar modelos sustentáveis significa apoiar práticas que produzam mais com menos na mesma área de terra, utilizando os recursos naturais de maneira criteriosa. Significa, ainda, reduzir as perdas de alimentos antes da fase do produto final ou realizar a venda por preços menores por meio de uma série de iniciativas, incluindo a melhoria da colheita, do armazenamento, da embalagem, do transporte, da infraestrutura e de mecanismos de mercado, além de marcos institucionais e legais. É por isso que, neste ano de 2016, a nossa principal mensagem para o Dia Mundial da Alimentação é "O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também devem mudar".

A FAO estimula que todos os países abordem a alimentação e a agricultura nos planos de ação de enfrentamento às mudanças climáticas, além de investir mais em desenvolvimento rural. Capacitar os agricultores para que eles tenham condições de se adaptar a esse cenário é essencial para quepossamos alcançar a resiliência e, assim, garantir um mundo mais sustentável para todos.

Cada um de nós tem um papel a desempenhar na mitigação dos efeitos da mudança climática. A responsabilidade é compartilhada. Hábitos diferentes que provoquem a conscientização de todos também devem ser incorporadas à rotina. Façamos da melhor forma a parte que nos toca. Um mundo sustentável e com segurança alimentar é possível.

*Alan Bojanic é representante da FAO no Brasil.

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