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Segundo jornal Valor Econômico, alta nos preços dos alimentos preocupa BC

Responsáveis em boa medida pela aceleração da inflação no ano passado, os preços dos alimentos voltam a preocupar o governo. A entressafra na produção de grãos, carne bovina, cereais e etanol deve produzir um “soluço” nos preços desses produtos até dezembro, segundo apurou o Valor a partir de avaliações do Ministério da Fazenda ainda mantidas em caráter reservado.

As altas de preços deverão ser menores que as ocorridas no segundo semestre de 2010, quando, em casos como o do milho, atingiram picos históricos. Ainda assim, preocupam o governo, que está, nas palavras de um técnico, “assombrado” com as recentes quebras de safra, sobretudo na produção de trigo e milho de inverno, provocadas por questões climáticas.

O quadro, de fato, é preocupante. Os estoques mundiais de produtos agrícolas se encontram em níveis baixos e a demanda externa por commodities, especialmente por parte da China e da Índia, segue firme, apesar da redução da perspectiva de crescimento da economia global neste e nos próximos anos. No caso brasileiro, uma nova pressão inflacionária provocada por preços de alimentos, e de commodities em geral, viria em péssima hora.

Ao reduzir há duas semanas a taxa básica de juros (Selic), num movimento que surpreendeu o mercado, o Banco Central (BC) sinalizou que conta, nos próximos meses, com um cenário mais benigno para o IPCA, o índice oficial do regime de metas para inflação. O problema é que a realidade tem frustrado as projeções do BC, como admitiu, em entrevista ao Valor, o presidente da instituição, Alexandre Tombini.

O Banco Central, segundo Tombini, acreditava que a inflação nos meses de junho, julho e agosto seria, respectivamente, de 0,10%, 0,20% e 0,30%. O resultado foi pior do que o esperado – 0,15%, 0,16% e 0,37%. No ano, até agosto, o IPCA acumulou variação de 4,14% e, em 12 meses, de 7,23%, a maior alta desde junho de 2005 e um valor bastante superior à meta oficial de 4,5%.

Para piorar esse quadro, a aceleração inflacionária em agosto foi motivada, em grande medida, pelo aumento dos preços do grupo alimentos e bebidas. Esses dois itens têm grande peso no IPCA – 22%. Em agosto, registraram alta de 0,72%, bem acima, portanto, do próprio IPCA (0,37%).

O governo constatou que está em curso um processo de recuperação de preços de alguns alimentos. Milho, trigo, carnes e etanol estariam nessa situação. Técnicos dos ministérios da Fazenda e da Agricultura preveem um cenário apertado, mas não acreditam numa piora em relação ao que já vem ocorrendo. Já produtos como hortaliças, frutas e feijão, que também pesam no bolso do consumidor brasileiro, podem sofrer pressões altistas por razões climáticas.

Há um agravante relacionado à taxa de câmbio, que nos últimos dias vem mostrando depreciação. Os principais insumos da produção agrícola são cotados em dólar. Com a valorização da moeda americana frente ao real, os preços desses produtos vêm tendo reajustes significativos, de acordo com informações colhidas pelo governo.

Em Brasília, não se sabe ainda qual será o desempenho da próxima safra agrícola. Há, segundo palavras de um especialista, “muita incerteza no horizonte”. O governo, evidentemente, torce para que em outubro, quando sai a primeira estimativa oficial, divulgue-se que esta será uma safra “cheia”, sem surpresas negativas. O temor diz respeito aos impactos da safra na inflação de 2012.

Não é para menos. O Banco Central acredita que, depois de chegar a 7,23% em agosto, a inflação acumulada em 12 meses comece a recuar este mês. Numa visão rejeitada pela maioria dos participantes do mercado, prevê que, em abril ou maio do ano que vem, cairá dois pontos percentuais, ficando próxima de 5% ao ano, por conseguinte, já nas adjacências da meta oficial, que seria finalmente alcançada no fim de 2012, de acordo com as projeções oficiais.

Um freio nos preços dos alimentos depende, basicamente, da confirmação do cenário de crise mundial, e de seus efeitos sobre o Brasil, previsto pelo BC. É, sem dúvida, um cenário possível, mas ainda não concretizado. O que se vê no mercado doméstico, por enquanto, é uma economia que exibe alguns sinais de desaceleração (produção industrial) e outros de aquecimento (consumo das famílias e investimentos).

Fonte: Valor Econômico

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