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Para Marc Reichardt, tecnologia estará entre 20% e 30% das variedades em 2010.

Bayer identifica gene que eleva rendimento da cana

Após uma década de pesquisas, a Bayer CropScience identificou um gene capaz de elevar o percentual de Açúcar Total Recuperado (ATR) – matéria-prima para produção de açúcar e etanol – na planta da cana-de-açúcar. Com a descoberta, a empresa decidiu apostar na tecnologia transgênica para cana, em parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de Piracicaba. Juntos, a múlti e o CTC apresentarão o novo evento geneticamente modificado ao Conselho Técnico Nacional de Biossegurança (CTNBio) em 2015, para colocar no mercado o produto comercial em meados de 2018.

Conforme as pesquisas feitas pela empresa até agora, a nova variedade transgênica de cana será capaz de elevar entre 30% e 40% a quantidade de ATR por hectare plantado. Na prática, será possível produzir mais em uma mesma área de cana, reduzindo o percentual de água da planta e aumentando o de ATR.

“Há uma década pesquisamos a fermentação da cana e as aplicações na energia renovável. Fizemos os testes em laboratórios e encontramos no CTC um parceiro que possui o maior e melhor banco de germoplasma”, diz Marc Reichardt, presidente da Bayer CropScience para a América Latina.

Segundo o executivo, o foco da Bayer nos próximos anos estará voltado para o Brasil, já que o país é o que está mais desenvolvido tecnologicamente na produção de cana-de-açúcar. “Apesar disso, pensamos em levar essa tecnologia para outros países produtores pelo mundo”, afirma.

Do ponto de vista mercadológico, Reichardt estima que a nova variedade desenvolvida pela Bayer ocupará entre 20% e 30% da área plantada no Brasil a partir de 2020. Na avaliação de Nilson Boeta, diretor do CTC, é possível que a variedade ocupe 50% da área cultivada no Brasil quando o projeto atingir sua maturidade. “Somos um pouco mais otimistas que a Bayer. Hoje temos no país quase 7 milhões de hectares e acreditamos que a área chegará a 10 milhões em 2020”, diz Boeta.

Pelo acordo, o CTC oferecerá seu banco de germoplasma e a Bayer entrará com a tecnologia que desenvolveu. Os trabalhos de pesquisa de campo serão feitos pelo CTC, em Piracicaba, e pela Bayer, em Paulínea. Os aspectos comerciais da parceria, como a divisão dos royalties sobre o uso da tecnologia, ainda não foram definidos. “A venda das variedades permitirá ganhos para todos, mas ainda não foi definido como será a divisão”, informa o diretor da CTC.

A empresa não revela de qual organismo o gene foi identificado, isolado e retirado para ser inserido na cana, nem quanto foi investido para se chegar até ele ao longo dos últimos anos. A Bayer revela apenas que foi de um organismo do reino vegetal e que entre 2008 e 2012 serão aplicados ? 750 milhões em pesquisas na área de biotecnologia para todas as culturas.

Tecnicamente falando, a cana é composta de 20% de fibras (bagaço), 65% de água e 15% de açúcares. Com a inserção do gene a planta passaria a ter os mesmos 20% de fibras, 60% de água e 25% de açúcares, que serão produzidos a partir da maior captação de gás carbônico do ambiente. “A quantidade de açúcares na planta da cana tem um limite devido à instabilidade em sua capacidade de armazená-los. O que esse gene faz é permitir que a planta tenha uma capacidade maior de estocagem desses açúcares dentro dela, tornando a produção mais estável”, afirma André Abreu, gerente da unidade de biotecnologia da Bayer.

A expectativa é de que a variedade seja destinada à produção de etanol, pois nessa cultivar modificada a quantidade de ATR não oscila conforme o ciclo de chuvas. “As usinas poderão começar a moagem da safra mais cedo e terminar mais tarde exatamente por conta dessa características”, diz Abreu.
 
Alexandre Inacio / Valor Econômico
Foto: Silvia Costanti/Valor 

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