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Pesquisa sobre resíduos mostra o esforço dos produtores, afirma a Andef.

Os resultados da pesquisa sobre resíduos de agrotóxicos divulgados pela ANVISA, nesta quarta-feira, 23, refletem o esforço das cadeias produtivas. “Agricultor vem procurando usar racionalmente as tecnologias”, afirma Eduardo Daher, diretor da Associação Nacional de Defesa Vegetal.

Os números sobre o uso de defensivos agrícolas no combate de pragas revelam um fato significativamente positivo: os produtores rurais vêm se mostrando preocupados em melhorar o manejo da lavoura quando aplicam os produtos. Esta é a conclusão da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, sobre os resultados do levantamento realizado pela Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

“O órgão analisou 3.130 amostras, de 20 culturas, entre legumes, frutas e cereais. O resultado aponta que somente 2,8% das amostras estão acima do limite máximo de resíduos”, afirma Eduardo Daher, diretor-executivo da ANDEF, que congrega as empresas que desenvolvem e produzem defensivos agrícolas. “Este valor é plenamente aceitável, de acordo com agências e organizações internacionais especializadas no tema.”

Uso racional da tecnologia

Daher destaca também que diversos alimentos com amplo consumo registram índice inferior a 1% e mesmo zero de resíduos; são os casos das culturas de alface, batata, cebola, feijão, laranja, manga, arroz e tomate.

“Ou seja, comprova-se aquilo que já sabemos: o agricultor utiliza esta tecnologia com muito critério”, afirma Eduardo Daher, discordando veementemente da Nota Oficial da Anvisa distribuída à imprensa, segundo a qual há “uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil”. “O agricultor sabe muito bem o custo da adoção de tecnologias em sua lavoura; por isso, ao contrário do que diz a nota do órgão, o produtor não queima dinheiro utilizando de forma ‘abusiva’ os insumos que melhoram sua produtividade – sementes, máquinas, fertilizantes e defensivos agrícolas, entre outros.”

De fato, segundo a pesquisa amplamente documentada, os defensivos evitam perdas, por exemplo, com a lagarta do cartucho na lavoura do milho – uma das mais importantes na agricultura familiar -, de até 60% na produção.

Sobre os índices de inconformidades apurados no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, PARA, em 2009, novamente o problema maior encontrado não se refere à aplicação de produtos em excesso nas lavouras. A dificuldade que persiste, para os agricultores, é a necessidade de combater as pragas quando não há, no mercado, defensivos agrícolas autorizados para a plantação atacada.

Pequenas lavouras

Segundo o levantamento da Anvisa, das 3.130 amostras analisadas, 23,8% apresentam o uso de produto não registrado para aquela cultura. “Não significa que estes produtos estejam contaminados e ofereçam risco ao consumidor, como têm sido apresentados esses relatórios, e sim que o agricultor utilizou um produto autorizado, até alguns anos atrás, e hoje a legislação o impede de fazê-lo”, explica o diretor da Andef. “Trata-se de um caso de inconformidade com a legislação e não de alimento contaminado.”

O fato é que, modificada a regulamentação, um produto continuou autorizado a ser aplicado, digamos, no arroz, mas não na cenoura. Com isso, na pesquisa do PARA, a mesma cenoura aparece com 24,8% de inconformidade por uso de produto não registrado”. É preciso recordar, portanto, o que ocasionou a presente falta de defensivos para as lavouras de menor porte no complexo agrícola do país.
Até alguns anos atrás, os órgãos do governo responsáveis aprovavam produtos por grupos de culturas; o mesmo defensivo podia cobrir, por exemplo, o grupo das verduras folhosas, como alface, escarola e couve.

A maioria das modificações implementadas pela Anvisa, em alguns produtos, foi na utilização de defensivos na modalidade de aplicação. Com isso, retirou da recomendação o uso por meio de pulverizadores costais; estes, quando não utilizados pelo agricultor devidamente protegidos por EPIs, Equipamentos de Proteção Individual, como é indicado nos rótulos dos produtos, podem oferecer maior risco aos trabalhadores.

Há anos, diversos segmentos – associações de produtores, entidades de pesquisa, indústria e os próprios órgãos de governos procuravam equacionar a falta de produtos para as pequenas culturas, as chamadas minor crops. Finalmente, em fevereiro deste ano, foi publicada a Instrução Normativa, pelo Ministério da Agricultura.

“Embora a Instrução não tenha incorporado importantes recomendações apresentadas pela indústria, agora cada empresa tem avaliado com interesse, mas ao mesmo tempo atenção, os diversos aspectos técnicos da recente medida”, afirma Eduardo Daher. “Ainda que as pequenas culturas representem apenas cerca de 5% do mercado de defensivos, não estamos olhando só o aspecto econômico. A indústria não abandonará o agricultor.”

Lentidão no registro de novos ingredientes ativos

O diretor da Andef lembra, porém, que já é grave, hoje, a lentidão no registro de ingredientes ativos para combater novas pragas que surgem – a lei estabelece o prazo de 120 dias para análise e aprovação de um registro, porém os órgãos têm demorado entre dois e três anos para conceder o parecer.

“Preocupa-nos, mas também deveria ser uma preocupação de todos os segmentos envolvidos na agricultura, inclusive o governo, qual será a prioridade diante da solicitação de um novo registro”, questiona Eduardo Daher. “Citemos, como exemplo, o produto solicitado para o milho, que abastece a indústria de carnes, e o mamão, ambos vitais para os mercados interno e para as exportações, e que se encontram na fila de espera há três anos, e outro pedido que ingressou hoje, para uso numa pequena lavoura, presente em uma ou outra região do país.”

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