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Artigo de Antonio P. Filho, da Soc. Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas.

Agroquímicos – Agroanalysis Junho/2013

Em defesa da ciência que protege os alimentos
Antonio Pedro da Silva Souza Filho*

A agricultura moderna que conhecemos, com altas produtividades requeridas para atender a demanda cada vez mais elevada de alimentos pela sociedade, só foi possível com o apoio incondicional de modernas tecnologias. As novas cultivares de milho, soja, arroz e trigo manifestam o seu arsenal genético produtivo mediante controle sistemático das endemias que as acometem durante seu ciclo de vida.

Ainda assim, nos mais variados fóruns, desde as reuniões de sindicatos a eventos
com profissionais do ramo, a supressão destes produtos é defendida com unhas
e dentes. Que todos tenham o direito, e até o dever, de manifestar sua opinião é
certo e líquido. Só que é preciso deixar as paixões de lado e analisar friamente a situação em um contexto mais amplo.

Mitificar o assunto ou restringir o debate aos fóruns sociais e deixar a gerência da sinfonia a cargos de ONG’s e pessoas sem o menor compromisso com a segurança alimentar da população, merece, no mínimo, profundas reflexões; ademais, defender argumentos que não se sustentam ou impor teorias cegas, ao sabor do volume da voz, não é, definitivamente, o melhor caminho.

A argumentação e a racionalidade da defesa dos pontos de vista devem predominar, sem deixar à margem do debate o direito inalienável que 7 bilhões de pessoas têm de se alimentar corretamente todos os dias. Propostas outras sem considerar tal aspecto não merecem ser minimamente levadas a sério ou mesmo postas na mesa.

Nessa celeuma, surpreende o fato de a alta relevância para o bem-estar da sociedade, como um todo, ser simplesmente varrida para debaixo do tapete. Pontos cruciais precisam ser respondidos com base em conhecimento científico sólido. Eles representam, em primeira e última instância, salvaguarda aos interesses de todos os cidadãos e não são sequer levantados nos debates.

O que aconteceria com a produção agrícola do mundo, em geral, e do Brasil, em particular, se o uso dos pesticidas fosse proibido? Quais seriam os impactos dessa medida nos custos dos produtos agrícolas? Haveria desnutrição humana sobre a população e os países pobres? O seu impacto teria distribuição igualitária entre os ricos e pobres? As políticas de segurança alimentar se sustentariam?

Em um passado não muito distante, tivemos pragas vorazes que dizimaram lavouras e lavouras, como foi o caso do “gafanhoto da montanha”, considerado a
mais grave praga já acometida na agricultura. Hoje, este inseto está controlado
e confinado em seu habitat natural, as montanhas dos Estados Unidos. Mas, se
os inseticidas que as mantêm assim fossem banidos, as pragas poderiam voltar
a assolar os cultivos e gerar insegurança de toda ordem.

A Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD), que congrega cientistas de reconhecimento nacional e internacional, vê com bons olhos as preocupações da sociedade com a segurança dos alimentos, a qualidade de sua dieta e a preservação dos recursos naturais. Mas afirma, também, que, nos últimos quarenta anos, os defensivos agrícolas evoluíram como a agricultura brasileira.

Atualmente, os produtos disponíveis aos produtores rurais, em sua grande maioria, apresentam soluções inovadoras: menor poder residual no ambiente; embalagens hidrossolúveis; melhoria na toxicidade; entre outros atributos minimizadores de riscos ao meio ambiente e ao ser humano. Adicionalmente, reconhece-se que, para a liberação de novos produtos, os órgãos reguladores estão mais exigentes e com protocolos de avaliação mais rígidos. Dessa forma, como os novos produtos lançados nos últimos anos estão amparados por legislações mais eficientes e mais rígidas, há um indicador claro do compromisso inabalável de todos os envolvidos nesse processo.

Avançamos, e muito, mas ainda temos um bom caminho pela frente. O atual momento atende certas especificidades, porém não é o ideal. Não devemos conformar-nos com o que temos. Podemos melhorar e devemos trabalhar nesse sentido. A SBCPD confia na ciência, na inteligência humana e na capacidade dos
cientistas de gerar inovações tecnológicas para amenizar os conflitos entre os modelos de produção agrícola e os interessesda sociedade; ao mesmo tempo, abomina o discurso carente do fôlego intelectual.

Assim, ratificamos o compromisso maior com a produção sustentável de proteínas, fibras e energia, tão essenciais ao desenvolvimento completo, física e intelectualmente, de cada ser humano. Caminhamos, todos, nesse sentido. Somente assim, dias melhores nos esperam.

*Engenheiro agrônomo, PhD e presidente da Sociedade
Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas

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