Você está aqui: Home / Imprensa / Notícias / Clima prejudica tomate e feijão

Leia a Nota de Esclarecimento da Andef sobre o assunto.

No Norte Pioneiro do Paraná, são os produtores de tomate e feijão que registram os maiores prejuízos com o excesso de chuva. Há três semanas a precipitação não dá trégua, o que tem tornado o trato da lavoura mais difícil, principalmente por conta da incidência de doenças.

A situação é mais grave nos pomares de tomate em Wenceslau Braz, principal produtor da região e um dos maiores do Paraná. Em situação normal, a chuva sempre é bem-vinda na cultura, explica o técnico em agropecuária da prefeitura de Wenceslau Braz, Luis Tortini. Porém, com o excesso de água as lavouras estão apresentando doenças que comprometem a qualidade do fruto. ‘A chuva em excesso faz com que o cálcio e os demais nutrientes fiquem muito diluídos na terra. Então a planta acaba absorvendo uma quantidade menor, o que causa o aparecimento de deficiências na fruta, como podridão e manchas necrosadas. Outro efeito causado pelo excesso de umidade é a dificuldade de polinização’, explica o técnico. Com o aparecimento de doenças, os produtores também tiveram que investir mais em defensivos, o que deixou o custo de produção das lavouras 15% mais caro.

A região de Wenceslau Braz tem quase duas dezenas de produtores de tomate. A safra projetada para esse ano era de mais de 17 mil toneladas, o que representaria 70% da produção total do Norte Pioneiro. No entanto, com as chuvas das últimas semanas a queda deve ficar entre 60% e 70%. O levantamento mais otimista do Depar­­tamento de Economia Ru­­ral (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) é que a produção atinja apenas 7 toneladas.

Para o produtor César da Silva Fonseca, a exuberância dos seus pomares de tomate se transformaram em decepção. A poucos dias de iniciar a colheita dos 75 mil pés de sua propriedade, ele deve descartar quase 50% da produção projetada no plantio, que era de quase dez toneladas. ‘Tivemos uma perda considerável. Desmanchamos três áreas. Só nos resta começar novamente’, desabafa.

Umidade afeta o feijão

A situação do feijão não é diferente do tomate. O excesso de chuva bem no momento da colheita tem favorecido o aparecimento de doenças. Porém, não é só isso que vai prejudicar a produção da leguminosa em Wenceslau Braz. Na região, a cultura é tradicional entre os pequenos produtores, que contam com o sol para a secagem das vagens logo após a derrubada da planta, no processo conhecido como ‘arranquio’. Ou seja, a secagem do grão tem que ser feita ainda no campo, para somente depois as vagens serem batidas e peneiradas, tudo sem nenhuma tecnologia. No entanto, com a chuva, o produtor não tem como colher o produto sem que ocorra o comprometimento da qualidade do grão por conta do excesso de umidade.

Somente em Wenceslau Braz são 1,8 mil hectares ocupados com a cultura. A previsão era de uma safra de 3,6 mil toneladas, mas a queda na produção deve ficar em 20%.

Marco Martins, correspondente em Santo Antônio da Platina
Foto: Celso Furtado
Gazeta do Povo

Nota de esclarecimento da ANDEF

Defensivos agrícolas em manejo integrado contribuem para a produtividade e a rentabilidade do tomate.

1. As despesas com os defensivos agrícolas, há cinco anos, têm ficado bem abaixo dos reajustes médios nos custos de produção. É o que demonstra o estudo Análise dos Preços de Defensivos Agrícolas e Relações de Trocas no Estado do Paraná, realizado pelo Instituto de Economia Agrícola, IEA, a partir de dados do Departamento de Economia Rural, DERAL, do Paraná. São realizados quatro levantamentos ao longo do ano, quando são apurados os preços praticados no balcão de revendedoras e cooperativas. Assim, os preços médios, de novembro de 2002, em valores corrigidos, para novembro de 2009, reduziram expressivos 34,4 % (conforme figura abaixo).

2. Os problemas climáticos, como excesso de umidade no verão, provocam o aumento do ataque de pragas e, por isso, exigem maior investimento em todo o pacote tecnológico disponível para o melhor manejo das hortas – cultivares resistentes, adubação e defensivos. Na cultura do tomate, por exemplo, na safra 2008/09, o custo de produção passou de R$ 11,36/cx para R$ 13,88/cx na roça – aumento de cerca de 20%. Vale reiterar, as despesas com os defensivos nos últimos cinco anos, reduziram em 34,4%, em média, nas principais culturas.

3. Apesar dos problemas climáticos, na safra de verão 2008/09 a cultura do tomate teve uma rentabilidade média excelente.  É o que demonstra o levantamento, realizado nas principais regiões produtoras do país, pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, Cepea, da Esalq/USP (www.cepea.esalq.usp.br/hfbrasil). Em outubro, por exemplo, as vendas do tomate tipo 2A, no Ceagesp, em São Paulo, alcançaram o preço de R$ 43,10 a caixa – o maior desde 2001. Entre as regiões produtoras, a melhor rentabilidade foi obtida pelos tomaticultores de São José de Ubá, RJ: o preço médio recebido foi de R$ 16,40/cx – ‘55% acima do mínimo estimado para cobrir os custos com a cultura – R$ 10,56/cx’, segundo o Cepea.

4. A cultura do tomate ocupa lugar de destaque entre as principais hortaliças no Brasil. De acordo com dados do IBGE, nos últimos anos o cultivo médio anual tem sido em entre 55 mil a 60 mil hectares; a produção, em 2008, alcançou 3.453.043 toneladas. O maior problema do tomateiro, porém, é o fato de ser atacado por um grande número de doenças fúngicas, algumas delas podendo causar perdas totais de produção, como a requeima e a pinta preta, como observa o pesquisador e doutor em Fitopatologia Luís Antônio Siqueira de Azevedo, da Universidade Rural do Rio de Janeiro.

5. A incidência de doenças fúngicas é mais severa durante os períodos quentes e chuvosos do ano, típicos de verão, porém ataques severos podem ocorrer também no período seco, desde que haja elevada presença de orvalho ou excesso de irrigação. Por isso, doenças como a Septoriose (Septoria lycopersici), exigem um rigoroso manejo, conforme o manual Cultivo de Tomate para Industrialização, da Embrapa Hortaliças (2006). ‘Devem-se fazer pulverizações preventivas com os fungicidas registrados (consultar o Agrofit: www.agricultura.gov.br). É importante a rotação de cultura com gramíneas e a incorporação dos restos culturais imediatamente após a última colheita.’ A Embrapa recomenda sempre o uso de cultivares resistentes, porém, nem sempre encontradas contra certas doenças.

6. A conta que todo agricultor coloca na ponta do lápis é: até que ponto o aumento do custo, com o uso de tecnologias, será favorável comparado ao incremento que alcançará a produtividade.  Nesta safra 2008/09, por exemplo, as hortas de Sumaré, SP, foram as mais prejudicadas, de acordo com a análise do Centro de Estudos da Esalq/USP, pelo elevado índice pluviométrico que aumentou o número de doenças fúngicas e bacterianas. Essas pragas reduziram em 35% a produtividade média, que caiu de 350 para 225 caixas por mil pés. Ainda assim, conclui o Cepea, os preços elevados no período garantiram saldo positivo para produtores da região – em torno de 10%. Com o resultado, a estimativa é de que a área aumente cerca de 10% na próxima safra. ‘Além disso, muitos produtores que estavam descapitalizados de anos anteriores puderam quitar suas dívidas’, observa o Centro de Estudos da Esalq/USP.

7. Vale destacar, por fim, que a defesa fitossanitária e a competitividade das lavouras beneficiam não apenas o agricultor, mas também diretamente os consumidores dos produtos, nos centros urbanos. No caso do tomate, avalia o Cepea, ‘a recuperação da produtividade média da cultura manteve a oferta elevada no correr da temporada. Dessa forma, os preços seguiram em patamares inferiores aos registrados nos primeiros meses da safra.’

Associação Nacional de Defesa Vegetal – ANDEF

A queda de preços nos defensivos

Histórico dos preços de defensivos agricolas, entre 2002 e 2009: redução de 34,4%

&quote;

ANDEF. Avenida Roque Petroni Júnior, 850 . 19º andar . Torre Jaceru . Jardim das Acácias . CEP: 04707-000 . Tel.: 55 (11) 3087-5033 - (Mapa) Desenvolvido por UAU!LINE.