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Bayer CropScience e Valor Econômico realizam seminário sobre os desafios do agro

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Até 2020, a produção mundial de alimentos terá de aumentar 20% para atender à crescente demanda, vinda principalmente da expansão das classes médias das economias emergentes, segundo estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Grande parte desse acréscimo virá do Brasil, cuja produção terá de aumentar 40% na década, mais que o dobro das projeções para a agricultura da Austrália (17%), EUA e Canadá (15%) e União Europeia (4%). Mas, para consolidar a sua liderança mundial na produção de grãos e de carnes, o país terá de superar diversos obstáculos – como a deficiente infraestrutura, barreiras comerciais de países importadores e falhas no planejamento. Esse foi o recado dos participantes do seminário “Agronegócio de Futuro”, realizado na quinta-feira em São Paulo pelo Valor e pela Bayer CropScience. 

“O dado da OCDE demonstra que a posição de liderança do Brasil é um fator que tem sido considerado por organizações internacionais, mas para chegarmos a isso precisaremos fazer nossa lição de casa”, afirmou o coordenador do Centro de Agronegócios da FGV, Roberto Rodrigues. Para o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, o setor precisa aprimorar sua gestão. “O produtor precisa ter uma contabilidade clara, ter os custos de produção e comercialização bem definidos e precisa se capitalizar, para usar a colheita bem sucedida como financiamento para a próxima safra, o que reduz a necessidade de ir ao banco”, disse.

Outro desafio será superar as barreiras logísticas. Em dez anos, apenas em milho e soja o país produzirá 100 milhões de toneladas a mais do que o volume atual de 130 milhões toneladas, o que criará pressões sobre a infraestrutura. Para transportar a produção da lavoura até o porto, produtores de soja gastam US$ 85 por tonelada, quatro vezes mais que seus concorrentes na Argentina e nos EUA. Tivessem uma logística eficiente, os brasileiros poderiam embolsar até R$ 6 a mais por saca da oleaginosa. Um trem de açúcar que parte de Ribeirão Preto a Santos leva até três dias no percurso, por conta da falta de separação entre trens de passageiros e de cargas na chegada ao porto.

“Cabe frisar que parte da produção de milho da próxima safra já ficará a céu aberto, por conta da falta de estrutura de armazenamento”, destacou André Pessôa, sócio consultor da Agroconsult. Estima-se que cerca de 45 milhões de toneladas de grãos produzidas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste são deslocadas, principamente, por estradas para portos da região Sul e Sudeste, por falta de opções logísticas próximas às regiões produtoras.

Para o diretor do escritório de São Paulo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Frederick Giles, o Brasil continuará um player importante no cenário mundial numa década em que as cotações das commodities agrícolas deverão permanecer sob pressão. Ele ressaltou que grande parte do acréscimo de produção mundial virá de melhores rendimentos, ou seja, da aplicação de novas tecnologias.

Com pelo menos 50 milhões de hectares disponíveis para ampliar sua liderança na agricultura mundial, o Brasil terá de continuar aumentando sua produtividade, com investimentos em tecnologia. Entre 1990 e 2010, o país elevou em 173% sua produção de alimentos, com um acréscimo de apenas 36% de área e de 100% em produtividade. “Isso criou uma economia de 52 milhões de hectares que foram preservados. Nossa produção é sustentável, poderíamos usar isso com força na Conferência Rio+20, mas precisamos de estratégia, para não cometer erros como na produção de etanol”, disse Rodrigues.

O Brasil tem no etanol o biocombustível mais competitivo do mundo. Enquanto o etanol de cana reduz 61% das emissões de gases estufa, os combustíveis a partir de beterraba (Europa) e de milho (EUA) diminuem 20%. O combustível brasileiro é 4,5 vezes mais energético do que o produzido de beterraba ou trigo e quase sete vezes mais eficiente do que o que vem do milho. Para atender ao mercado nacional, o Brasil terá de importar neste ano 1,8 bilhão de litros de etanol de milho dos EUA. O problema é a política de preços da gasolina, sem reajuste desde 2008, que reduz a competitividade do etanol nas bombas e engessa os investimentos das usinas, segundo Rodrigues. Analistas estimam que, para atender à demanda interna e externa, a produção sucroalcooleira teria mais que dobrar.

China e Índia, por exemplo, têm uma relação inferior a três veículos por cem habitantes, enquanto no Japão e EUA essa relação supera 60 veículos. “Em biocombustível, temos um cenário fantástico, China e Índia são potenciais compradores. Poderíamos ser o catalisador da economia verde no mundo, mas o governo e a iniciativa privada não têm estratégia. Precisamos atacar isso, porque logo poderemos ter de importar biodiesel também”, frisou Rodrigues.

Vaz, do Ministério da Agricultura, destacou que outro desafio é apostar na qualificação da produção agrícola, com foco principalmente no setor de carnes. Segundo ele, trata-se de um “pré-sal”, que poderá render bilhões. “É preciso investir na qualidade da carne produzida aqui, assim como trabalhar na genética do rebanho”, afirmou. Esse trabalho tem de ser acompanhado de um olhar para a sustentabilidade, com investimentos no rastreamento do rebanho e na análise do ciclo de vida do produto, além de certificações de origem.

Outra frente de trabalho deve ser a melhoria no sistema de informações públicas sobre o setor. A estimativa do número de cabeças de gado está entre 180 milhões e 210 milhões. Essa diferença de 30 milhões representa o rebanho da Argentina. “Imagine como alguns recursos podem estar sendo mal empregados por conta dessa informação imprecisa”, disse Pessôa.

Qualificação da mão de obra foi outro ponto citado pelo especialista. “Se uma nova fazenda abre as portas, tira-se um funcionário da propriedade vizinha e se aumentam os salários. Acho que os empresários pouco estão fazendo para qualificar a mão de obra, e esse será um desafio árduo da década”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico

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