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“Credibilidade do trabalho sobre leite materno está em xeque”, diz portal de MT.

A pesquisa que apontou a incidência de agrotóxico no leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde ainda não está disponível na íntegra para consulta pública. Apesar de já ter sido publicizada aos quatro cantos do País na última semana, o departamento de pós-graduação do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), se recusa a fornecer a íntegra da pesquisa antes que ela seja corrigida pela pesquisadora responsável. Até o momento, o que se tem é um resumo de 2 páginas contendo introdução, objetivo, método, resultados e conclusão de um levantamento que ultrapassa 100 páginas.
O professor do programa de saúde coletiva e orientador da pesquisa, Wanderlei Pignati, informou ao site Turma do Epa, que a pesquisa estará disponível somente a partir do dia 15 de abril, data em que completa 1 mês da defesa do trabalho frente à banca pela bióloga Danielly Cristina Paula.
O professor disse que aguarda a correção de ortografia e de erros em bibliografia, apontados pela banca. Antes disso, Wanderlei se negou a repassar o trabalho apresentado e que já deu publicidade. Consta no resumo de 2 páginas enviado para a redação da Turma do Epa!, que antes mesmo da defesa do trabalho no dia 15 de março, ele já havia sido apresentado no dia 9 de dezembro do ano passado durante o 1º Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, que foi realizado no Pará.
A Turma do Epa! estranha a negativa do orientador da pesquisa em disponibilizar o material, mesmo sob compromisso de registrar que falta a correção ortográfica e bibliográfica, pois o doutor em toxologia do agrotóxico e professor da UFMT já deu até entrevista sobre o assunto ao jornal de Mato Grosso, da TV Cidade Verde (Band), no dia 21 de março, e 2 dias depois, no jornal Hoje da rede Globo. Embora seja pública e notória a posição ideológica do orientador contrária ao agronegócio, a Turma do Epa! não acredita que isso tenha contaminado também o resultado da pesquisa, mas nosso papel é tirar a prova dos nove no caso.
Um ponto questionável no release distribuído sobre a pesquisa foi a apuração da média per capita de litros de defensivos na cidade mato-grossense. A Turma do Epa! entende que se trata de mistura de alhos com bugalhos. Chegou-se ao escandaloso indicador de que Lucas do Rio Verde aplica na média per capita mais de 40 vezes a quantidade de litros de agrotóxicos que a média nacional. Para o leitor entender, façamos uma conta simples: hipoteticamente, se em uma área de um milhão de hectares forem aplicados um milhão de litros e a população for de mil pessoas, a média per capita será de mil litros. Se mantiver a área e a quantidade de litros numa população de um milhão de pessoas, a média per capita será de um litro apenas. Um dado nada científico, mas com poder de influir nas manchetes da imprensa.
Em entrevista no jornal de abrangência nacional, Wanderlei disse: “Não existe legislação no Brasil e nem no mundo todo de resíduo de agrotóxico permitido no leite materno, então a gente compara com o limite de resíduo de agrotóxico no leite de vaca, que é totalmente diferente. Alguns desses resíduos que a gente encontrou estavam acima do limite permitido para o leite de vaca”.
A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), Ministério da Saúde (MS) e coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fio Cruz).
Em matéria já publicada pelo site, a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), responsável pela fiscalização em relação ao uso de agrotóxico, alegou que a pesquisa não é de conhecimento do órgão e que técnicos do setor de Saúde Animal irão averiguar o assunto. No entanto, sem prazo definido para isso acontecer. A reportagem questionou o MAPA quanto ao número de fiscais disponíveis na cidade para monitorar o uso de agrotóxico e se no ano passado quantas autuações foram feitas nos últimos anos. No entanto, desde a última semana, aguardamos resposta.

Nota da Redação do EPA:
Ao se recusar a disponibilizar a íntegra do trabalho científico apenas por conta da falta de correção ortográfica e bibiográfica, os pesquisadores nos permitem lançar dúvida acerca do trabalho, até porque eles não foram nada tímidos em publicizar o assunto antes mesmo da sua conclusão. Na Turma do Epa! não tem ninguém (ainda) especializado no assunto, mas gostaríamos de ter o direito de submeter o trabalho a uma outra banca avaliadora para, então, tirarmos conclusões. Até que seja devidamente apresentada a íntegra da pesquisa, a credibilidade do trabalho realizado na Universidade Federal de Mato Grosso fica em xeque. Epa!

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