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No Reino Unido, agricultores são respeitados pelo governo e pela população.

Rodrigo C. A. Lima*   

“Alimentos 2030” é o nome do plano lançado pelo secretário de Estado de Meio Ambiente, Alimentos e Questões Rurais do Reino Unido, no dia 5 de janeiro. Ele tem como foco aumentar a produção de alimentos, aperfeiçoar a sustentabilidade dos diferentes sistemas produtivos, investir em pesquisa científica e reforçar o papel da agricultura inglesa no mundo. Em síntese, o plano prevê que a produção de alimentos deve manter o meio ambiente saudável, promover elevados padrões de saúde e bem-estar animal e permitir que o Reino Unido mostre sua liderança na produção agrícola sustentável. Gostaria de traçar um paralelo com os desafios da agricultura brasileira, pujante, forte, que deverá crescer ainda mais em 2010, mas que possui tantos inimigos dentro do Brasil (como se não bastassem os externos).

É inquietante ver como os ingleses, que tanto criticam a agricultura brasileira, pensam sua agricultura de forma integrada, com o apoio do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Questões Rurais (Defra). Enquanto isso, as eternas querelas entre os Ministérios do Meio Ambiente, Agricultura, Desenvolvimento Agrário e até Pesca, fazem com que não seja possível pensar a agricultura brasileira de forma estratégica, integrada com seu o meio social e natural.Isso para não falar da insegurança jurídica no campo, dos obstáculos logísticos e até mesmo das recentes ameaças do Plano Nacional de Direitos Humanos. É irritante observar que, enquanto os agricultores ingleses são respeitados pelo governo e pela população, orgulhosa dos produtos “Made in UK”, os agricultores brasileiros de médio e grande porte são normalmente vistos como vilões, fora da lei.

É preciso que a população brasileira tenha orgulho dos alimentos que tem na mesa, da mesma forma que se vangloria das florestas, da biodiversidade, das praias, do futebol, etc.Para que se possa pensar a agricultura brasileira de forma estratégica, é urgente: a) rever de forma séria e realista o Código Florestal; b) combater o desmatamento ilegal, o que é dever do Estado e da sociedade; c) rever o modelo atual de reforma agrária; d) resolver definitivamente o grande “vazio fundiário” que traz incontáveis efeitos negativos para o país; e) assegurar o direito à propriedade etc. Vencidas essas questões, é preciso aperfeiçoar a defesa sanitária, investir em pesquisas científicas, incentivar práticas menos emissoras de gases de efeito estufa, participar dos diversos foros de negociações (clima, biodiversidade, biotecnologia, comércio), dentre tantos outros desafios.

É papel dos agricultores brasileiros, mas também do governo, pensar e fazer a agricultura do presente, que prime pela eficiência e respeite as florestas, a água, a biodiversidade. Uma agricultura que hoje já emite menos gases de efeito estufa, que alimenta o Brasil e milhões de pessoas ao redor do mundo. Uma agricultura preservacionista que cada vez mais se torna sustentável. E isso não é história para inglês ver.

*Rodrigo C. A. Lima é advogado e gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE).

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