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Preservar e desenvolver: a agricultura é elemento-chave para a sustentabilidade.

Hoje, 22 de abril, o mundo comemora mais um Dia Internacional da Terra diante do desafio vital: a demanda da população deve crescer, em cerca de uma década, acima da capacidade de gerar alimentos. Para atender a todos, a produção anual de cereais precisará crescer, de acordo com a Organização Mundial das Nações Unidas, ONU, quase um bilhão de toneladas, em relação aos 2,1 milhões de toneladas de hoje, e de carne das atuais 200 milhões de toneladas para 470 milhões. Esta tarefa se torna ainda mais dramática diante da limitação dos recursos naturais e da necessidade de adaptação dos cultivos às mudanças climáticas.

O Brasil possui disponibilidade de área, oferta de água e clima favorável em quase todo o seu território. Os outros dois únicos países com capacidade para atender a demanda global não possuem esta importante vantagem: os Estados Unidos, ainda maior produtor de grãos de mundo, já ocupa 53% de sua área agricultável; a China já esgotou 47% de suas áreas férteis.

Apenas 9,8% das terras no Brasil potencialmente produtivas são, hoje, cultivadas. Somente a área do Cerrado apta ao cultivo – sem a necessidade de derrubar uma só árvore – é igual a toda área de 32 países europeus. Ou seja, o futuro sustentável do planeta passa, necessariamente, pelas competitivas lavouras do Brasil afora.

RAZÃO CIENTÍFICA

Porém, a questão é: como ampliar a produção de alimentos – e não há outra forma de começar a pensar em sustentabilidade – conservando os recursos naturais? As catástrofes climáticas, como tristemente temos assistido no Brasil e mundo afora, tendem a deslocar o foco desta reflexão fundamental, de uma razão científica para a compreensível, porém não justificável, emocionalidade.

Um pouco do bem-vindo, porém muitas vezes impreciso, espírito ambientalista teve início no dia 22 de abril de 1970, quando o senador norte-americano Gaylord Nelson convocou a primeira manifestação nacional contra a poluição do meio ambiente. Surgia aí o Dia da Terra, que passou a ser comemorado em diversos países. No ano passado, a Organização das Nações Unidas o elegeu Dia Internacional a partir da moção apresentada por um presidente latino-americano, o boliviano Evo Morales.

A população mundial, de 6,8 bilhões de pessoas, disputa recursos naturais finitos e cada vez mais escassos – independentemente dos efeitos de mudanças climáticas. Porém, não faz sentido insistir no falso dilema “preservar ou desenvolver”. Este leva a outro equívoco, cujas consequências se prenunciam trágicas: o empenho tépido, pouco decidido, das lideranças políticas mundiais diante da fome. Assim, tende-se a encarar como não-prioritária uma necessária agenda que aponte soluções para um drama tão antigo e presente em nosso cotidiano.

VALORIZAR A MISSÃO DA AGRICULTURA

Preservar o meio ambiente e gerar alimentos não são tarefas excludentes, ao contrário: integram-se, em sua essência, na própria existência da humanidade.  Porque a razão do planeta são as pessoas, os desafios colocados a ambos exigem um amplo esforço propositivo que compreenda e valorize a missão crucial da agricultura.

Longe do dilema, portanto, a resposta está em garantir aos agricultures cada vez melhores recursos tecnológicos. “A agricultura moderna é um elemento-chave do desenvolvimento sustentável e essencial para o bem-estar da humanidade e do planeta”, afirma o líder mundial Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU. “É o único caminho para transformar o desejo da sustentabilidade em uma realidade diária para todos os povos, em suas três grandes vertentes: econômica, ambiental e social.”

O agronegócio brasileiro responde por 23,7% do PIB nacional; movimenta 38,5% da exportações e emprega cerca de 40 milhões de pessoas. Motor da economia, tão competitivo a ponto de obrigar gigantes desenvolvidos, como Estados Unidos e países europeus, a recorrerem a expedientes protecionistas para enfrentá-lo na guerra pelo mercado internacional.

Apenas trinta anos atrás, os índices de produtividade agrícola caracterizavam uma atividade ainda rudimentar. Persistia a vagareza do plantio com arado à tração animal; tentava-se combater pragas à base de calda de fumo e plantas daninhas a golpes de enxada – obviamente, com resultados pífios. De acordo com estudo da Assessoria de Gestão Estratégica, do Ministério da Agricultura, as tecnologias incorporadas ao campo transformaram este cenário.

SUSTENTABILIDADE PLENA

Entre 1975 e 2008, a produtividade total cresceu 3,68% ao ano; já os insumos – mão-de-obra, terra, capital, máquinas, fertilizantes e defensivos agrícolas – tiveram crescimento quase nulo, de 0,01%. Ou seja, a principal fonte de crescimento, conclui o estudo, tem sido o acesso aos recursos tecnológicos. De fato, nos preços de defensivos agrícolas, por exemplo, a relação de troca nas principais culturas tem favorecido amplamente o agricultor, conforme atesta o Instituto de Economia Agrícola, IEA.

Em termos de contribuição para a agricultura brasileira, a adoção de tecnologias de base genética (sementes) e química (fertilizantes e defensivos) está diretamente associada ao crescimento da produção de grãos. “Nos últimos vinte anos, esta aumentou em mais de 100%, resultante do incremento tanto da área cultivada quanto da produtividade, elevada em mais de 60%”, afirmam especialistas do Centro de Conhecimento em Agronegócios, PENSA, vinculado à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Há um componente essencial, que torna a produção agrícola fortíssima aliada da sustentabilidade – e não adversária, como lamentavelmente imaginam alguns.

É o fato de que a maior produtividade agrícola, apoiada na inovação tecnológica, gera trabalho e renda no campo; nas cidades, garante a cesta mais farta de alimentos e o uso de energia renovável. Esse uso de tecnologia permite produzir mais em menor área, poupando, assim, o uso de insumos, de terra e água. Essas conquistas traduzem a sustentabilidade em sua plenitude. Pois, tanto quanto a Terra, os grandes beneficiados são as pessoas. 

Eduardo Daher é diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef.

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