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Daher analisará o agronegócio e os desafios do próximo governo, no “TerraViva”.

Eduardo Daher, diretor executivo da Andef

Eduardo Daher, diretor executivo da Andef, concederá entrevista neste domingo, 31, no Canal TerraViva, da rede Bandeirantes. Em programação especial sobre as eleições presidenciais, a partir das 17h30, o programa “TerraViva Sustentável” entrevistará diversas lideranças do agronegócio, que debaterão sobre o resultado do pleito e os desafios do próximo governo em relação ao setor.
O diretor da Andef afirma que focalizará sua participação no programa na defesa das principais necessidades do agronegócio – muitas vezes criticado, equivocadamente por parcela da sociedade identificada com o ambientalismo – mas destacará a necessidade de o próximo governo agilizar o registro das novas tecnologias demandadas pelos agricultores.
“Na verdade, conservar e desenvolver são rumos inadiavelmente urgentes e complementarmente possíveis. O caminho-chave é a produção agrícola que alia os manejos sustentáveis à imprescindível eficiência tecnológica”, afirma Daher (conforme analisou no seu artigo, abaixo, publicado no jornal Correio Braziliense, 18/10).

Fonte: Comunicação Andef


“ONDA VERDE” E AGRICULTURA

Eduardo Daher

“A agenda ambiental não pode radicalizar num preservacionismo colocado acima mesmo das necessidades fundamentais do Homem”

Mais importante do que o balanço feito pelos presidenciáveis Dilma Roussef e José Serra sobre os últimos governos, talvez seja olhar para o futuro. Impõe-se mirar as oportunidades que se abrem ao país e, ao mesmo tempo, como enfrentar melhor os desafios persistentes. Quando se coloca em perspectiva o cenário mundial dos próximos anos, tem-se um quadro que está longe de sugerir a menor acomodação. É o que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, alertará aos governantes de todo o mundo, neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação.
Seis bilhões e oitocentos milhões de pessoas disputam recursos naturais cada vez mais escassos. Desses, de acordo com a FAO, cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem a miséria miséria. O Brasil não está livre do mapa da fome: em 2009, atingiu 6% de sua população, 12 milhões de pessoas. Apesar dessa tragédia, há uma alarmante tendência de a fome ser relegada a um plano secundário frente a outros temas recentes, como a questão ambiental.
A bem-vinda preocupação com a natureza e a “onda verde” elegeram um expressivo número de candidatos que empunharam essa bandeira e tornaram Marina Silva a pedra angular do segundo turno. Contudo, há um grande equívoco em curso: é o do “recado das urnas” não ouvir o grito desesperado das multidões famintas. Ou seja, a agenda ambiental não pode exorbitar num preservacionismo que se coloca acima mesmo das necessidades do Homem como ser preponderante da vida no planeta. Tal radicalização conduzirá a uma forma velada e cruel de acentuar a exclusão social.
Na verdade, conservar a natureza e o desenvolvimento socioeconômico são rumos inadiavelmente urgentes e complementarmente possíveis. O caminho-chave está na agricultura – em sua própria essência “verde” – que alia os manejos sustentáveis à imprescindível eficiência tecnológica.
Para tanto, de início, se recomenda abandonar de vez outra idéia equivocada: o desempenho vigoroso da agropecuária no país não se deve a benesses da natureza e sim à revolução tecnológica empreendida no campo. Desenvolvida pela mais avançada pesquisa tropical do mundo, os agricultores apostaram pesadamente nesta revolução silenciosa que transformou o velho mundo rural no mais bem sucedido negócio do país.
Embora o mundo a reconheça como sinônimo de excelência, a agricultura brasileira jamais foi eleita estrategicamente pelos governos como única capaz de solucionar uma equação cada dia mais complexa e vital: as demandas das sociedades modernas por alimentos e energia crescem em ritmo diametralmente oposto à disponibilidade dos recursos naturais. Ou seja, sem dotar o campo de medidas estruturantes que estimulem seu comprovado potencial como gerador de desenvolvimento, a sociedade pode esquecer todos os seus anseios por sustentabilidade.
Há desafios prementes em alguns setores. Por exemplo, recuperar e construir malhas intermodais e portos para escoamento da safra; estimular a pesquisa e a inovação tecnológica; e aperfeiçoar os marcos regulatórios de modo conferir maior agilidade aos órgãos oficiais encarregados de analisar e aprovar as novas tecnologias demandadas pelos agricultores.
Ao lado de reformas estruturais, será importante estimular os arranjos estratégicos que envolvem entidades, comunidade científica, órgãos de governos e empresas – retomando a idéia positiva, mas um tanto esquecida, das parcerias público-privadas. Com semelhante preocupação surge, em nível internacional, uma elogiável iniciativa. Trata-se do programa Agricultura em Primeiro Lugar (www.agriculturaemprimeirolugar.org.br), liderado por pesquisadores, acadêmicos e profissionais dos segmentos produtivos. Seu elenco de propostas foi concebido sob a égide da sustentabilidade, mas entendida em suas três vertentes: assim como a ambiental, a econômica e a social.
Estudos alertam que a agricultura, principalmente as pequenas lavouras, serão as primeiras vítimas das alterações climáticas. Também apontam que, para poupar recursos naturais – terra, água e energia – a produção de alimentos deverá se apoiar no maior rendimento das culturas, por meio das inovações tecnológicas. Portanto, se do campo vêm alimentos, fibras e matérias-primas vegetais renováveis para o desenvolvimento futuro, a agricultura é o centro das soluções sustentáveis. 

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