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O evento é um dos maiores do mundo no gênero.

Nesta terça-feira (1°), Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), explanou sobre os desafios da conjuntura econômica e ao agronegócio durante a Expointer, RS. 
 
"Olhando para frente, os últimos seis meses do ano deverão ser mais importantes para o setor agrícola, acompanhando o histórico do setor", disse Daher. "A valorização do dólar ante o real traz aos exportadores de grãos maior receita em real". 
 
"As mudanças na temperatura e as precipitações desordenadas tendem a afetar, por exemplo, a eficácia de fungicidas, inseticidas e herbicidas. Isso exigirá decisivos estímulos à área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na busca de novos ingredientes ativos", enfatiza Eduardo Daher. 
 
A 38ª Expointer teve início dia 29 de agosto e termina no próximo dia 6, afim de reunir as últimas novidades da tecnologia agropecuária e agroindustrial. 
 
Abaixo, leia a apresentação na íntegra: 
 

Desafios da conjuntura econômica  e o agronegócio brasileiro

*Eduardo Daher

Crises econômicas não interessam a nenhum cidadão de bom senso.
A sociedade como um todo, que produz, trabalha e, afinal, paga a conta dos resultados negativos da economia, acompanha com preocupação a atual conjuntura econômica do País.

Nem mesmo a exuberância do agronegócio ficaria ilesa da ausência de políticas duradouras; dos impactos climáticos e da falta de agilidade dos órgãos de governo em oferecer novas tecnologias aos agricultores.

A queda do PIB brasileiro: recessão técnica

Com a queda doProduto Interno Bruto (PIB), em 1,9% no segundo trimestre, em relação ao anterior, o país entrou na chamada "recessão técnica", que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda.  O PIB do agronegócio registrou recuo menor, de 0,2% nos cinco primeiros meses do ano.

Pesou para esta queda o desempenho mais fraco do ramo agrícola, já que o pecuário cresceu no período. Na agricultura, a performance desfavorável se deve à deterioração dos preços agrícolas, enquanto a produção projeta tendência de alta em 2015.

Olhando para frente, os últimos seis meses de ano deverão ser mais importantes para o setor agrícola, acompanhando o histórico do setor. A valorização do dólar ante o real traz aos exportadores de grãos maior receita em real. Este é um prenúncio de que o agronegócio fechará este ano um pouco melhor do que em 2014. Ou seja, o agronegócio continua pagando a conta do PIB. Contudo, apesar de mostrar maior resistência à recessão, fica claro que nem mesmo a exuberância do agronegócio consegue manter o desempenho brilhante por longo tempo diante da ausência de políticas agrícolas abrangentes, sólidas e duradouras.

Impactos do fenômeno El Niño

A produção brasileira de grãos na safra 2015/16 inicia-se sob outro foco de  incertezas: os riscos climáticos. As consequências de um inverno que finda ter sido um dos mais quentes nos últimos anos ainda não são definitivas.

Segundo relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), do Departamento de Comércio Americano, há 85% de chance de o fenômeno El Niño continuar afetando o clima até o início da primavera de 2016.

No Sul, em geral, o aumento da chuva beneficia as culturas de milho e soja. Contudo, quando a chuva prolonga-se no período de colheita, os trabalhos de campo ficam prejudicados. Isso gera perda de produtividade e qualidade dos produtos. O principal impacto do El Niño é na soja, com perdas na colheita de quase 80%. Já as temperaturas quentes trazem benefícios para a cultura de trigo, pois diminuem a possibilidade de geadas.

Os novos desafios climáticos exigem que os agricultores redobrem as melhores práticas de manejo integrado em seus cultivos recomendadas pela pesquisa. As mudanças na temperatura e as precipitações desordenadas tendem a afetar, por exemplo, a eficácia de fungicidas, inseticidas e herbicidas. Isso exigirá decisivos estímulos à área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na busca de novos ingredientes ativos.

Nesse ponto, justamente, se estabelece um dos grandes nós da questão: a Ciência e as inovações vêm sendo duramente penalizadas pela lentidão verificada no marco regulatório brasileiro. Os processos para aprovação de novas moléculas são prolongados, com duração, em média, de um período de até seis anos.

Novas pragas corroem a renda do campo

Entre os entraves sobejamente conhecidos – infraestrutura e logística que gravam o Custo Brasil – , os órgãos governamentais devem se preocupar seriamente com o mais recente fator de pânico, e elevados prejuízos, que vem se instalando nas lavouras do Brasil afora: a fragilidade da defesa fitossanitária frente a novas pragas. Estimuladas pelas características da agricultura em clima tropical, novas e vorazes pragas infestarem as lavouras, sem formas adequadas de controle.

Somente a lagarta Helicoverpa armígera já devorou mais de R$ 2 bilhões nas culturas de grãos nas principais regiões produtoras – na Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.  À Helicoverpa se somam a mosca-branca; broca-do-café; mofo branco; e ferrugem asiática – esta já tendo causado, nos últimos dez anos, de acordo com a Aprosoja, prejuízo superior a 25 bilhões de dólares. O quadro é ainda mais assustador quando os pesquisadores confirmam que, pelo menos, quinze outras pragas do mesmo potencial destrutivo rondam, ainda sem qualquer nova tecnologia de controle, as lavouras do País.

A lentidão do sistema de defesa fitossanitária tem se mostrado tão assustadora quanto a voracidade dos insetos, doenças e ervas daninhas. De fato, é inconcebível a parcimônia com que é tratada, em certos setores do governo federal, uma das principais tecnologias demandadas pelos agricultores para a proteção da lavoura e a sustentabilidade da agropecuária.

A atual crise no sistema de defesa sanitária e os imensos prejuízos no campo é explicada, em boa parte, pela lentidão dos órgãos regulatórios – Ministério da Agricultura, Ibama e Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa – em aprovar novas tecnologias para o combate às pragas.

São imprescindíveis e inadiáveis, sem abrir mão do rigor científico nas análises, as correções nos rumos atuais do marco regulatório. Isto oferecerá um horizonte às empresas que investem em inovações mas, principalmente, aos agricultores e ao agronegócio, suporte vital da economia brasileira.

*Eduardo Daher é diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, ANDEF.

 
Fonte: Comunicação Andef, com informações da Expointer

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