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Agro cria 60,1 mil postos de trabalho em junho, metade das vagas abertas.

A desaceleração do mercado de trabalho ficou mais intensa em junho. No primeiro trimestre, o total de vagas criadas no mercado formal foi 24% inferior ao registrado no mesmo período de 2011. Essa queda aumentou no segundo trimestre e chegou a 44% na comparação entre os meses de junho. Além do ritmo fraco, a criação de vagas foi puxada pela atividade agrícola. O setor gerou 60,1 mil postos, quase a metade do total de 120,4 mil vagas abertas no mês, e o dobro do registrado pelo segmento de serviços, o maior empregador, que criou 30,1 mil empregos com carteira assinada no mês.

A criação líquida de empregos no mês passado foi 44,1% menor que em junho do ano passado. quando foram abertos 215, 4 mil postos de trabalho. O número veio abaixo da média de projeções de sete instituições consultadas pelo Valor Data, que apontava a criação de 147 mil postos de trabalho. O resultado do primeiro semestre de 2012 (1,1 milhão de vagas criadas) foi 25,9% menor na comparação com o mesmo período de 2011.

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A indústria de transformação registrou resultado modesto em junho – foram criadas apenas 9,9 mil vagas formais, 55,9% menos que em junho do ano passado (22, 6 mil vagas). Somente seis dos 12 ramos da indústria tiveram saldo positivo. A indústria metalúrgica (-1.785 postos) e a indústria de material de transporte (-1.064) foram os segmentos responsáveis pelos maiores saldos negativos. Juntos, seis ramos da indústria demitiram 4,1 mil operários a mais do que contrataram em junho. Do lado positivo, se destacaram produtos alimentícios (9,3 mil vagas criadas) e indústria química (2,7 mil).

O comércio registrou saldo de 11 mil empregos formais. Na construção civil, o saldo foi de 4,2 mil vagas, resultado superior apenas ao de serviços industriais de utilidade pública (2,1 mil), administração pública (1,4 mil) e setor extrativo mineral (1,2 mil). Segundo os dados do Caged, o salário médio de admissão no mercado de trabalho formal teve aumento real de 5,9% no primeiro semestre de 2012, em relação ao mesmo período do ano passado. O salário médio real dos trabalhadores contratados com carteira assinada no período foi de R$ 1.002,64 por mês.

Para Thiago Carlos, economista da Link Investimentos, a criação de empregos formais no segundo semestre continuará em ritmo forte de desaceleração. Ele observa que a média móvel trimestral com ajuste sazonal aponta para saldo líquido anualizado de 700 mil novas vagas em 2012 – no ano passado, foram criadas 1,9 milhão de vagas. “Ainda não vimos nenhum dado que indique a retomada de fôlego na criação de vagas no segundo semestre. O principal é estar atento à indústria e aos setores de serviços e comércio, que são os mais representativos”, diz.

A desaceleração do emprego formal na indústria começará a ser revertida conforme as medidas de incentivo à produção surtirem efeito no setor, avalia o economista Alexandre Andrade, da Votorantim Corretora. Para ele, os resultados desses estímulos devem ser mais visíveis entre agosto e setembro, com pequena defasagem na reação do mercado de trabalho.

O economista acredita que os sinais de enfraquecimento da atividade econômica em geral ainda estão muito presentes no país, o que não cria um cenário favorável à geração de empregos. No entanto, acredita que, no segundo semestre, a criação de vagas estará menos distante dos números registrados no ano passado.

Caio Machado, economista da LCA Consultores, considera que os incentivos dados pelo governo à indústria devem se refletir no terceiro trimestre, principalmente revertendo o quadro negativo apresentado pelos setores de metalurgia e de material de transporte, que demitiram em junho. No entanto, eledestaca que esse resultado positivo nos próximos meses pode não ser duradouro, uma vez que o governo pode apenas ter estimulado o adiantamento da demanda por veículos, o que seria sentido nos últimos meses do ano.

*Por Thiago Resende, João Villaverde e Carlos Giffoni

Fonte: Valor Econômico, 24 de julho de 2012 – Brasil/A3

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