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Eduardo Daher, Dir. Executivo da Andef, fala sobre a próxima safra brasileira.

*Por Eduardo Daher

Com a colheita adentrando o mês de abril no seu auge, os números da safra trazem, ao mesmo tempo, preocupação e motivos para comemorar. De acordo com o sexto levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o País deverá colher 183,6 milhões de toneladas. Apesar do aumento de 10,5% em relação ao período anterior, quando se compara a participação dos três setores da economia – Serviços, Indústria e Agropecuária – no PIB nacional, constata-se que o Agronegócio teve desempenho bem menos brilhante do que o habitual há vários anos.

O próprio PIB nacional, em 2012, teve a modesta alta de 0,9%, somando R$4,4 trilhões. O setor de Serviços registrou o maior crescimento, 1,7%, e mesmo a Indústria mostrou recuperação, com expansão de 0,8%. O resultado amargo ficou com o Agronegócio, saudado como âncora verde da economia durante vários anos: a produção agropecuária retraiu 2,3% em relação a 2011. Eis o sinal que traz forte preocupação aos elos produtivos do agronegócio brasileiro.

As commodities foram atingidas, principalmente, por dois fatores. Pelo lado da economia global, a crise internacional na maioria dos países europeus, que levou os governos do bloco a adotar maior arrojo fiscal, e o arrefecimento do ritmo de crescimento da China – 7,8%, o menor crescimento desde 1999.

Em paralelo, o mercado internacional prejudicou, particularmente, a carne brasileira, sobretudo por parte da Rússia, maior cliente mundial, e da Argentina, principal parceiro no Mercosul. O outro fator da queda na produção foram os impactos climáticos – estiagem no Sul e Nordeste e excesso de chuvas durante a colheita no Centro-Oeste, que atingiram a produtividade da soja.

Ainda que tais fatores tenham pesado de forma significativa, causando a retração do agronegócio em 2,3%, olhando a “metade cheia do copo”, há quase se saudar a contribuição do campo na formação econômica do País. A agropecuária totalizou R$ 813 bilhões, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Dentro do PIB nacional, de R$ 4,4 trilhões, de acordo com o IBGE,  resultado representa uma participação de 18,47%.

Segundo projeção elaborada pela RC Consultores, com base nos dados consolidados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em 2012 as exportações do agronegócio somaram US$ 84,1 bilhões, o que representa 34% das vendas brasileiras ao exterior. A análise da RC Consultores aponta que, sem a participação do agronegócio, a balança comercial teria um déficit de R$ 53 bilhões, em vez do resultado positivo de US$ 17,9 bilhões.

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuário, que inclui as vinte e cinco principais lavouras e produtos pecuários, deverá somar R$ 381 bilhões, segundo estimativa realizada em janeiro pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A soja foi o principal destaque, somando R$ 68,1 bilhões, seguida da cana-de-açúcar, com R$ 43,5 bilhões, e do milho, com R$ 33,4 bilhões, de acordo com dados consolidados pela Assessoria de Gestão Estratégica, do MAPA. Na pecuária, a carne bovina participou com R$ 55,1 bilhões e a carne de frango, com R$ 38,2 bilhões.

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas em 2012, o VBP agropecuário registrou aumento de 11,2% sobre o ano anterior. Foram significativos, para tanto, os ganhos de produtividade: segundo o levantamento da Conab, enquanto a área plantada aumentou 4,1% em relação à safra anterior, a produtividade média teve crescimento de 6,1%. Frente a esses números, é preciso, mais uma vez, chamar a atenção para a importância estratégica do emprego das tecnologias nas diversas etapas da produção de alimentos, fibras e energias renováveis no País.

No caso dos defensivos agrícolas, por exemplo, um breve cálculo traz uma noção da tragédia que o Brasil – e os países importadores de grãos e fibras – enfrentaria se as plantações não tivessem adequado controle fitossanitário. De acordo com a Organização Mundial das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), as plantações comerciais não protegidas por defensivos agrícolas perdem cerca de 38% de sua produção. Assumindo-se esse cálculo para a safra 2012/13, tem-se um número assombroso: das 183,6 milhões de toneladas de grãos colhidas, se os agricultores não recorressem aos defensivos agrícolas na proteção dos cultivos, o País perderia nada menos do que 70 milhões de toneladas de grãos.

Seria complexo, mas um útil exercício calcular o impacto de perdas nessa magnitude nos elos produtivos – do campo aos supermercados e portos – e para a economia como um todo. Porém, mais eloquente do que a lógica dos números, é fácil concluir que estariam muito menos fartas as refeições em nossas mesas.

*Eduardo Daher, 63, é economista pela FEA-USP, pós-graduado em administração de empresas pela FGV-SP e diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

Fonte: Revista AgroAnalysis – Edição do mês de Abril

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