Você está aqui: Home / Imprensa / Notícias / Estudo avalia orgânicos

Alimentos orgânicos não são mais nutritivos, conclui Universidade Stanford.

Alimentos orgânicos, mais caros e supostamente mais saudáveis, tiveram seus benefícios contestados em uma nova pesquisa feita na Universidade Stanford (EUA).

O estudo, publicado nesta quarta-feira, 05, no “Annals of Internal Medicine”, concluiu que não há diferenças significativas entre os alimentos convencionais e orgânicos quanto aos níveis de vitaminas e nutrientes.

Crença acelera as vendas
A equipe de pesquisadores de Stanford revisou mais de 200 estudos que comparavam a saúde de pessoas que consumiam orgânicos e alimentos convencionais e também os níveis de vitaminas e nutrientes de alimentos como leite, ovos, legumes, grãos e carne. Não foram encontradas evidências fortes de que os orgânicos são mais nutritivos. Os pesquisadores não viram diferenças significativas quanto à quantidade de vitaminas nos dois tipos de alimento – apenas o fósforo foi encontrado em níveis mais elevados na versão orgânica.

Na onda que afirmava serem mais saudáveis, o mercado de produtos orgânicos tem aumentado nos EUA. Entre 1997 e 2011, as vendas desses alimentos nos EUA cresceram de US$ 3,6 bilhões para US$ 24,4 bilhões.

&quote;

Pesquisador na Universidade Stanford, EUA: “Não há diferenças”.

 

Estudos científicos
“Na verdade, esta conclusão da Universidade de Stanford confirma outros estudos conhecidos, que atestam a semelhança entre os alimentos chamados orgânicos e cultivados por outros métodos”, afirma Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef. O dirigente lembra, por exemplo, do estudo realizado, em 2009, pela Agência de Padrões de Alimentos do governo britânico e publicado no American Journal of Clinical Nutrition. A pesquisa fez ampla revisão de 162 artigos científicos publicados nos últimos 50 anos, e concluiu que os alimentos orgânicos não têm benefícios nutricionais superiores aos dos alimentos cultivados com adubos e defensivos sintéticos.

“Os consumidores pagam preços bem mais elevados baseados apenas na suposta qualidade e no marketing dos benefícios nutricionais dos alimentos orgânicos, apesar da incerteza científica”, escreveu Alan Dangour, um dos autores do estudo. É que afirma também Eduardo Daher, da Andef. “A qualidade dos alimentos que consumimos exige a mesma atenção tanto quando cultivados com o manejo de tecnologias – fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes geneticamente modificadas – quanto produzido no modelo orgânico”.

Alimentos seguros
Na pesquisa de Stanford, uma das autoras, Crystal Smith-Spangler afirma que é pouco comum que tanto os alimentos convencionais como os orgânicos excedam os limites de defensivos agrícolas. “Portanto, é difícil saber se uma diferença na quantidade de resíduos teria impacto à saúde”, diz. 
A ciência médica relata inúmeros casos de morte por intoxicação bacteriana – caso de hortaliças contaminadas pela bactéria Escherichia coli., na Europa, no passado.

No Brasil, levantamento do Ministério da Saúde, divulgado na homepage do Instituto de Defesa do Consumidor, as bactérias foram responsáveis por 83,5% dos casos; em segundo lugar, ficaram os vírus (14,1%) e, em terceiro, os produtos químicos, com apenas 1,3% dos casos. “Portanto, o que define a segurança dos alimentos são as boas práticas agrícolas, que devem ser adotadas tanto nos cultivos convencionais como nas lavouras orgânicas”, conclui Eduardo Daher.

Fonte: Folha de S.Paulo e Comunicação Andef

ANDEF. Avenida Roque Petroni Júnior, 850 . 19º andar . Torre Jaceru . Jardim das Acácias . CEP: 04707-000 . Tel.: 55 (11) 3087-5033 - (Mapa) Desenvolvido por UAU!LINE.