Workshop Internacional em Proteção Química de Culturas na América Latina

O 3º Workshop Internacional em Proteção Química de Culturas na América Latina, promovido pela IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry, na sigla em inglês), reuniu pesquisadores de todo o mundo entre os dias 9 e 12 de novembro, na capital do Rio de Janeiro. O Brasil foi um dos pontos mais debatidos: trata-se de um país promissor para a produção sustentável de alimentos a uma população em crescimento constante e bem dotado de recursos naturais.

O encontro teve como objetivo harmonizar problemas antigos e emergentes relacionados ao meio ambiente, saúde humana e regulamentação. Seu formato visou facilitar a troca de informações e ideias que envolvem métodos científicos de avaliação e regulação da defesa agrícola.

O evento da IUPAC recebeu apoio da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, e da CropLife International, representante das associações e empresas de defesa vegetal no mundo, entre outras entidades.

Confira as matérias produzidas pela Comunicação da Andef:

Cientistas destacam o peso agrícola e ambiental do Brasil
Workshop internacional, no Rio de Janeiro, reuniu pesquisadores de todo o mundo para debater proteção vegetal e meio ambiente.

IUPAC-RIO: Workshop em Proteção Química de Culturas
Encontro aponta os debates para o Congresso Mundial em Proteção Química, em 2010.

IUPAC-RIO: Diretor executivo da Andef ministra palestra sobre defensivos agrícolas
José Otavio Menten (esq.) faz apresentação sobre o desenvolvimento de produtos e a importância da aplicação correta.

IUPAC-RIO: Especialista aborda a harmonização de LMR em alimentos
Philip Brindle defende a segurança tóxicológica dos defensivos agrícolas.

Superar o desafio mundial da alimentação
Entrevista com Gerald R. Stephenson, professor da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de Guelph, no Canadá.

O papel dos tratados e das convenções internacionais
Entrevista com Bernhard Johnen, membro da CropLife Internacional, da Bélgica.

A necessidade de um programa global de resíduos
Carmen Tiu, coordenadora de Resíduos Global da Dow AgroSciences, propôs um conjunto global de normas sobre resíduos.

Álbum de fotos do evento. Fotógrafo Garin de Lorena.


 

Cientistas destacam o peso agrícola e ambiental do Brasil

Workshop internacional, no Rio de Janeiro, reuniu pesquisadores de todo o mundo para debater proteção vegetal e meio ambiente

Às vésperas da COP 15, reunião das Nações Unidas sobre meio ambiente, em Copenhagen, em dezembro próximo, o Brasil desperta a atenção de cientistas de todo o mundo como importante personagem no desafio de suprir a demanda mundial por alimentos e energia. Foi o que demonstrou o Workshop Internacional em Proteção Química de Culturas na América Latina, encerrado ontem, no Rio de Janeiro, e promovido pela IUPAC, International Union of Pure and Applied Chemistry, na sigla em inglês.

“A comunidade científica olha cada vez com mais interesse para o Brasil, sobretudo quando os debates convergem para agricultura, produção de alimentos e meio ambiente”, afirma Irene Baptista de Alleluia, pós-doutorada em Química pela Universidade de Colônia, Alemanha. Irene Alleluia é professora da Universidade Federal Fluminense e chefe da Divisão de Meio Ambiente do Instituto Nacional de Tecnologia, no Rio de Janeiro, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia; ela presidiu a comissão organizadora que, durante quatro anos, trabalhou intensamente para trazer ao Brasil, pela primeira vez, o Workshop Internacional de Proteção de Culturas. A recente preocupação mundial com a segurança alimentar, aliada à competitividade do Brasil na produção de grãos, fibras e matérias-primas renováveis como fonte energética, tem acentuado o interesse da comunidade científica internacional pelo que está sendo feito no país”, justifica a professora da UFF.

O encontro no Brasil reuniu cerca de 300 convidados brasileiros e de vários países. Participaram cientistas e pesquisadores em defesa vegetal, representantes da indústria do setor, membros de instituições acadêmicas e órgãos governamentais vinculados aos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. "O workshop se constituiu um excelente fórum para harmonizar as visões e sugestões a serem apresentadas na Austrália, em 2010", afirma Kenneth Racke, membro do comitê organizador da IUPAC, nos Estados Unidos. De acordo com Irene Baptista, a presença de cientistas e técnicos será fundamental, agora, para estender aos agricultores e profissionais ligados à produção de alimentos, as preocupações apresentadas quanto ao meio ambiente, à saúde humana e na área de regulamentação. “A expectativa é que eles ajam como multiplicadores dos debates aqui apresentados”.

Assessoria de Comunicação – ANDEF

 

Irene Baptista de Alleluia, presidente da comissão organizadora do evento: "O mundo olha com muito interesse para o Brasil, particularmente quando o tema é agricultura e produção de alimentos"

 

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IUPAC-RIO: Workshop em Proteção Química de Culturas

Encontro aponta os debates para o Congresso Mundial em Proteção Química, em 2010

As palestras e debates do Workshop Internacional em Proteção Química de Culturas na América Latina, que teve início nesta segunda-feira, 9,  no Rio de Janeiro, serão importantes subsídios para o Congresso Mundial em Proteção Química, em Merlbourne, na Austrália, no próximo ano. O encontro no Brasil reúne cerca de 300 convidados brasileiros e de vários países. Participam cientistas e pesquisadores em defesa vegetal, representantes da indústria do setor, membros de instituições acadêmicas e órgãos governamentais vinculados aos ministérios da Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente. O Workshop, que terminou nesta quinta-feira, é realizado pela IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry, na sigla em inglês). "O workshop que está se realizando no Brasil tem se constituído num excelente fórum para harmonizar as visões e sugestões a serem apresentadas na Austrália, em 2010", afirma Kenneth Racke, gerente da Dowagrosciences nos Estados Unidos e membro permanente do comitê organizador da IUPAC.

Irene Baptista de Alleluia, presidente da comissão organizadora do evento, explicou a importância de o Brasil ter sediado a 3ª edição do evento. "O mundo olha cada vez mais com muito interesse para o Brasil, particularmente quando o tema é agricultura e produção de alimentos", afirma Irene Baptista. "Começamos a trabalhar junto à IUPAC sobre a possibilidade de realizar este encontro no Brasil há quatro anos. A recente preocupação mundial com a segurança alimentar, aliada à competitividade do Brasil na produção de grãos, fibras e matérias-primas renováveis como fonte energética, acentuou o interesse da comunidade científica pelo que está sendo feito no país", justificou ela.

Kenneth Racke também destaca o interesse que o Workshop despertou na comunidade acadêmica brasileira. Segundo ele, a presença de cientistas e técnicos será fundamental, agora, para estender aos agricultores e profissionais ligados à produção de alimentos as preocupações apresentadas quanto ao meio ambiente, à saúde humana e na área de regulamentação. "A expectativa é que eles ajam como multiplicadores dos debates aqui apresentados".

Assessoria de Comunicação – ANDEF

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IUPAC-RIO: Diretor executivo da Andef ministra palestra sobre defensivos agrícolas

José Otavio Menten (esq.) faz apresentação sobre o desenvolvimento de produtos e a importância da aplicação correta

O ciclo de vida de um defensivo agrícola - desde a descoberta da molécula ao pós-registro do produto -, foi o principal tema abordado na palestra de José Otavio Menten, diretor executivo da Andef, realizada nesta quinta-feira, 12, no Workshop Internacional em Proteção Química de Culturas na América Latina, no Rio de Janeiro.

Menten também apresentou as ações de educação e treinamento sobre a aplicação correta de produtos fitossanitários na agricultura. Nos últimos 20 anos, a Andef já realizou cerca de 450 eventos - entre cursos e palestras - e treinou mais de 31 mil técnicos de campo, em parceria com as empresas associadas, Universidades e instituições de pesquisa.

A 3ª edição do evento terminou nesta quinta-feira, 12. O Workshop é promovido pela IUPAC (
International Union of Pure and Applied Chemistry, na sigla em inglês), e tem como objetivo harmonizar problemas antigos e emergentes relacionados ao meio ambiente, saúde humana e regulamentação. O formato do Workshop visa facilitar a troca de informações e ideias que envolvem métodos científicos de avaliação e regulamentação da defesa agrícola.

Assessoria de Comunicação - ANDEF

 

José Otavio Menten, diretor executivo da Andef, Bernhard Johnen, diretor de Regulamentação da Croplife Internacional, e Luiz Carlos Ferreira Lima, consultor da Andef

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IUPAC-RIO: Especialista aborda a harmonização de LMR em alimentos

Philip Brindle defende a segurança tóxicológica dos defensivos agrícolas

Devido ao desafio de alimentar uma população em crescimento constante, torna-se necessário o uso de  herbicidas, fungicidas e inseticidas (HFI) na lavoura. A população mundial, atualmente com 6,8 bilhões de habitantes, está crescendo a uma taxa de cerca de 150 nascimentos por minuto. Por conta do limite de terras para cultivo de culturas e com o ataque incessante de pragas e doenças agrícolas, a humanidade enfrenta o constante desafio de aumentar sua oferta de alimentos no futuro.

Nos esforços para responder a este desafio, a biotecnologia representa uma parte significante, através do aumento da produção agrícola, melhorando a qualidade nutricional dos alimentos e introduzindo culturas tolerantes a herbicidas, ou mais tolerantes à seca, para citar apenas alguns exemplos. Da mesma forma, a indústria dos HFIs cumpre o seu papel, desenvolvendo novos produtos, mais seguros, mais eficazes e mais amigos do ambiente.

Atualmente, um importante papel dessa indústria é tranquilizar o consumidor quanto a supostos vestígios de resíduos de defensivos em alimentos. Esses produtos são estritamente regulados por várias autoridades governamentais em todo o mundo. E como parte do processo de registro, os aspectos de segurança humana e ambiental dos HFIs são exaustivamente estudados e relatados.

A ingestão humana desses resíduos é avaliada por todas as fontes potenciais, com extremo cuidado e referência aos parâmetros toxicológicos humanos. A Dose Diária Aceitável (DDA) e a Dose Aguda de Referência (DAR), por exemplo, são utilizadas para a realização de longo prazo e risco de curto prazo das avaliações, respectivamente. São consideradas, ainda, grandes margens de segurança nos níveis permitidos de resíduos que podem permanecer nos alimentos.

Philip A. Brindle
Gerente geral - Global MRLs da BASF Corporation

Philip Brindle, gerente global de MRLs da BASF Corporation

 

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Superar o desafio mundial da alimentação

Em entrevista após sua apresentação no Workshop Internacional promovido pela IUPAC, no Rio de Janeiro, Gerald R. Stephenson, professor da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de Guelph, Ontário, Canadá, discute os riscos e os benefícios de defensivos agrícolas na perspectiva global.

Por Antonio Carlos Moreira

Qual o grau de risco que os defensivos agrícolas podem oferecer às pessoas?

Primeiramente, é importante enfatizar que, em qualquer situação, os riscos à saúde humana por pesticidas ou produtos químicos dependem da toxicidade e do grau de exposição das pessoas a esses produtos. Some-se o fato de que, atualmente, sobretudo nos países industrializados, os equipamentos mais sofisticados de proteção e os programas de treinamento têm minimizado os riscos de saúde para os aplicadores. Porém, esses devem ser ainda mais incentivados nos países em desenvolvimento; nessas regiões, é preciso intensificar programas de formação dos aplicadores e o incentivo ao uso de equipamentos de proteção, uma vez que em muitas plantações nesses países ainda é muito comum o uso apenas de luvas.

E para o meio ambiente, como se pode avaliar, atualmente, os riscos?

Apesar da preocupação ambiental de muitas pessoas, um estudo realizado na Inglaterra demonstra que mesmo o uso intensivo de pesticidas não causa impactos irreversíveis. Os dados do estudo são os seguintes: quando foi interrompido o uso de pesticidas em parcelas tratadas, durante 20 anos, com pelo menos cinco pesticidas diferentes, apenas 17 meses depois não havia resíduos no solo. Outras constatações importantes foram que a atividade microbiana não foi alterada e também não havia nenhuma diferença na produtividade de cevada, em comparação com parcelas não tratadas com pesticidas.

Nos dias de hoje, os riscos de impactos são substancialmente menores daqueles observados nos anos de introdução dos pesticidas e durante a década de 1960. Naquele período, as preocupações ambientais se concentravam, principalmente, sobre os inseticidas lipo solúveis persistentes. Os produtos com propriedades de maior risco ao meio ambiente têm tido sua produção e comercialização interrompida.

De forma objetiva, podemos afirmar que os riscos ambientais de defensivos agrícolas dependem da sua maior ou menor persistência e mobilidade, da sua toxicidade para organismos não-alvo (como espécies animais e outros seres vivos) e de seu volume total de utilização. Hoje, o foco ambiental é, em grande parte, sobre os possíveis prejuízos que herbicidas possam provocar em plantas não-alvo, quer por deriva de pulverização ou por resíduos no solo que podem prejudicar as culturas subseqüentes.

Quais são os números do mercado global de defensivos agrícolas?

A necessidade de maior escala das lavouras comerciais para atender a demanda mundial em crescimento estimulou os agricultores a adotarem tecnologias que melhorassem a produtividade de suas lavouras, notadamente na produção de grãos. Assim, o uso mundial de defensivos agrícolas tem aumentado cerca de US$ 20 bilhões por ano, desde a década de 1990. Os produtos mais utilizados são os herbicidas; estes representam metade de todos os produtos utilizados – a grande maioria nos países industrializados. Quanto aos inseticidas e fungicidas, os países em desenvolvimento consomem cerca de metade desses produtos.

É importante notar que, somando todos os tipos de defensivos agrícolas, os países industrializados são os que mais utilizam esses produtos: Estados Unidos, a Europa e Ásia utilizam, em cada região, em torno de 25% dos produtos. Os 25% restantes são utilizados pelos demais países produtores agrícolas.

Concretamente, que benefícios econômicos são gerados pelos defensivos agrícolas?

Em primeiro lugar, devemos destacar o impacto direto na rentabilidade da atividade. É o que já mostravam dados do final da década de 1990, nos Estados Unidos: os agricultores então obtinham um retorno de 4 dólares a cada 1 dólar gasto com defensivos agrícolas. Assim, nesse período, cerca de 6,5 bilhões dólares investidos em agrotóxicos resultaram um retorno de 26 bilhões dólares para os agricultores.

O segundo fato importante a observar é que o benefício econômico do uso desses produtos não favorece apenas os agricultores. Esses mesmos estudos demonstraram que para cada 1 dólar que os produtores gastam em defensivos, retornam 2 dólares para a sociedade em geral.

Em sua apresentação, o senhor cita benefícios dos defensivos agrícolas para a qualidade de vida das famílias do campo. O senhor poderia detalhar?

Podemos afirmar que o uso de pesticidas economiza energia, sobretudo energia humana. Por exemplo, a partir do final da década de 1940, o uso de trator na aração e cultivo possibilitou que apenas um agricultor norte-americano produzisse, em média, alimentos para oito pessoas. Pois bem: desde o final dos anos 1980, com o uso de pesticidas, esse mesmo agricultor passou a produzir comida suficiente para cinqüenta pessoas. Ou seja, nos Estados Unidos, apenas uma pessoa está envolvida na produção de alimentos para cada grupo de cinqüenta pessoas. No México e no Brasil, há um agricultor produzindo para cinco pessoas; em todo o mundo, em média, um agricultor produz para duas pessoas. Em algumas áreas da África, dois agricultores de cada três pessoas trabalham no cultivo de alimentos – para se ter uma idéia, a maioria das mulheres africanas gasta metade de suas horas de vida no plantio, capina ou colheita das culturas de alimentos.

Durante décadas, a agricultura foi considerada uma atividade com pouco uso de Pesquisa e Desenvolvimento para diminuir seus problemas de produção. Quais inovações tecnológicas o senhor destacaria, hoje, e como elas contribuem para os desafios da atividade, como a produção conservacionista e a questão ambiental?

Os números demonstram, claramente, como pode ser esta contribuição. Por exemplo, o aumento do uso de defensivos químicos nas culturas quase dobrou o rendimento das colheitas: o rendimento potencial médio mundial de 42%, em 1965, saltou para 70%, na década de 1990. Lamentavelmente, ainda 30% do rendimento potencial são perdidos porque não são aplicados, igualmente, em todo o mundo métodos eficazes de gestão de pragas. O fato é que os pesticidas podem efetivamente contribuir para a segurança alimentar: quando plantações são atacadas por insetos ou doenças, produzem substâncias químicas naturais que podem elevar o nível de toxidade. Por exemplo, batatas colhidas de plantas desfolhadas por besouros podem conter solanina e chaconina em níveis cerca de 50% superiores ao de batatas provenientes de plantas não desfolhadas; estes produtos químicos solanina e chaconina) são inseticidas e fungicidas conhecidos como naturais, mas são teratogênicos e fetotóxicos em galinhas e rãs. Da mesma forma, o uso de fungicidas químicos pode impedir o desenvolvimento de mofo da espiga do milho, que produz aflatoxinas, substância cancerígena.

Além desses benefícios citados, podemos acrescentar os impactos ambientais positivos para o planeta. Se defensivos agrícolas não viessem sendo utilizados desde 1950, os agricultores teriam sido obrigados a desmatar metade das áreas de vegetação nativa que temos hoje para produzir de alimentos.

A propósito, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, FAO divulgou, recentemente, números que alertam para o aumento populacional e a necessidade de ampliar a produção de alimentos. Como os defensivos agrícolas podem contribuir com as metas apontadas pela FAO?

De fato, há um problema concreto com o qual os nossos netos terão de lidar. Hoje, a população mundial é de cerca de 6,8 bilhões; estima-se que aumente para 9 ou 10 bilhões, até meados deste século. Na América do Sul, até o ano de 2050 a população deve chegar a 500 milhões. Com o ritmo de envelhecimento atual, as populações na maioria dos países devem estabilizar por volta de 2050 e, então, começam a declinar. No entanto, é um grande desafio para os governantes e economistas de muitos países aceitarem um não-crescimento populacional – basta observar que governos de vários países procuram, ao contrário, incentivar mulheres a terem famílias maiores. Independentemente disso, serão 50% a mais de pessoas para alimentar na segunda metade deste século.

Como o mundo superará esse desafio?

Bem, a questão é: se cada vez mais terras agricultáveis são usadas para produzir biocombustíveis e fibras, como vamos crescer o suficiente para quase duplicar a produção alimentar mundial em menos terra do que temos hoje? Se as taxas mundiais de natalidade caírem para trazer a população de volta a 6 ou 7 bilhões até 2100, as gerações futuras poderão optar entre duas escolhas: a) adotarem a agricultura biológica no mundo inteiro, ou, b) reduzirem a quantidade de terra dedicada à produção de alimentos. Hoje, não temos essas opções. Nossa meta para este século deve ser o de evitar a fome no mundo, sem danos irreversíveis ao meio ambiente mundo. E minha conclusão é que será muito mais fácil termos sucesso não com a adoção da agricultura orgânica, mas sim através de avanços da genética incorporadas na agricultura e com os melhores métodos de manejo integrado de pragas.

 

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O papel dos tratados e das convenções internacionais
Entrevista com Bernhard Johnen, membro da CropLife Internacional, em Bruxelas, Bélgica, que falou sobre a revisão dos produtos contidos nas Listas de Produtos Técnicos autorizados para comercialização na União Européia.

Por Luiz Carlos Ferreira Lima

Como vem sendo procedida esta revisão?

O grupo de especialistas analisa os dossiês dos Produtos Técnicos, principalmente os dados toxicológicos e ecotoxicológicos disponíveis, no sentido de verificar a necessidade de complementação desses dados, à luz dos conhecimentos científicos atuais.

O que tem acontecido desde então?

Vários produtos foram cancelados, simplesmente por não atenderem aos padrões de segurança atuais não havendo, portanto, qualquer possibilidade de geração de dados adicionais para defesa dos mesmos.

Em outras situações, identificados os dados faltantes, é solicitada a complementação dos mesmos, que deve ser suplementada em prazo a ser estabelecido em negociação, caso a caso.

Situações ocorrem em que as empresas registrantes não se interessam em suplementar os dados exigidos, por considerar que os investimentos necessários para a sua geração, dificilmente poderão ser recuperados no período de tempo estimado para a continuidade do produto no mercado. É uma decisão de caráter puramente econômico.

Casos existem em que apenas algumas empresas se interessam em gerar os novos dados e somente a elas será concedida a manutenção dos registros existentes. As que não participarem no financiamento dos novos estudos terão os registros dos seus produtos cancelados.

É preciso ainda esclarecer que qualquer produto que seja retirado das Listas tem os seus LMRs (Limites Máximos de Resíduos) cancelados, aplicando-se ao respectivo produto o LMR de 0,01.mg/kg para qualquer produto agrícola que seja importado pelos países da União Européia.

Tem havido por parte de algumas empresas a acusação de que este movimento de cancelamento de produtos tenha partido de empresas com base em Pesquisa & Desenvolvimento, no sentido de abrir espaço no mercado para os novos produtos. Qual sua interpretação a respeito?

Essa colocação não tem nenhum fundamento. A descoberta e o desenvolvimento de novos produtos não é um fato recente e vem ocorrendo há várias décadas. O lançamento de novos produtos vem se realizando de forma continuada e, o ganho de participação desses produtos novos no mercado se dá basicamente pela qualidade e pelas vantagens que trazem para o agricultor. Os produtos antigos, mesmo quando possuem justificativas de segurança e eficácia, vão paulatinamente perdendo mercado por uma série de razões, na maioria das vezes, de caráter econômico. Há vários exemplos a respeito.

As empresas que investem em Pesquisa & Desenvolvimento – cerca de € 200 milhões – não poderiam ficar na dependência da retirada de produtos do mercado, para continuar com projetos dessa magnitude. A intenção é continuar investindo como vem sendo feito até agora e nada indica que isso venha a se modificar, independentemente da retirada de produtos do mercado.

Poderia nos falar um pouco sobre os registros por equivalência?

O procedimento de equivalência entre produtos deve ser mandatório, quando uma empresa pretende realizar o registro de um Produto Técnico, sem ter que apresentar o dossiê completo exigido.

Nesse caso, cada país deve ter a relação de Produtos Técnicos de Referência, registrados com base nos procedimentos e especificações da FAO/OMS, revisados em 2002.

Produtos Técnicos para os quais o país não possa considerá-los como de referência – por não possuir os dados completos exigidos pelos Procedimentos de Equivalência FAO/OMS, mencionados, ainda assim, o exercício é possível, uma vez que a própria FAO/OMS já possui razoável número de Produtos Técnicos com as Especificações de Referência definidas.

 

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A necessidade de um programa global de resíduos

Carmen Tiu, coordenadora de Resíduos Global da Dow AgroSciences, propôs, em sua apresentação no Rio de Janeiro, um conjunto global de normas sobre resíduos que gerem ensaios mais consistentes e de forma a ser adotado em diversos países, mesmo com condições agronômicas diferenciadas.

Por Antonio Carlos Moreira

O Programa Global de Resíduos, segundo propõe Carmen Tiu, da Dow AgroSciences, incluiria estudos realizados em climas representativos, solos, padrões de uso e intensidade de pragas em todo o mundo. “Tais estudos seriam conduzidos com um número similar de ensaios, como atualmente é exigido pelos órgãos regulamentadores nos países, promovendo as Boas Práticas Agrícolas (GAP) e harmonizando os Limites Máximos de Resíduos”, afirma ela. “Essas ações trariam benefícios significativos à negociação global das commodities agrícolas.”

A executiva da Dow Agrosciences afirma que alguns países, como o Chile, iniciaram alguns anos atrás trabalho semelhante, com resultados bastante positivos. Da mesma forma poderia ser incentivado no Brasil, disse ela, sugerindo que a harmonização deva ocorrer em duas frentes de articulação: política e técnica. A primeira envolveria representantes dos agricultores; dos exportadores e das empresas fornecedoras de insumos agrícolas. “Observamos que, geralmente, quem lidera as negociações são os representantes dos exportadores. No entanto, nem sempre seus interesses atendem os objetivos dos outros elos da cadeia produtiva. Por exemplo, o intervalo de carência para aplicação e colheita, em geral, de 40 dias: pode-se optar por mais intervalos, com menor tempo de carência.” A segunda articulação, sobre os aspectos técnicos da aplicação de defensivos, teria o objetivo de melhorar comunicação com o público. “É preciso intensificar o esclarecimento dos consumidores sobre os resíduos e que os alimentos tratados com defensivos agrícolas que são absolutamente seguros.”

A proposta de Carmen Tiu para um "Programa Global de Resíduos" deve ter uma abordagem quantitativa; esta determinará o número mínimo de ensaios por cultura, atribuindo pontuação baixa, média e alta para cada uma das três variáveis: área plantada, intensidade do consumo de alimentos e freqüência de comercialização do alimento. A escala de pontuação total seria sub-dividida em categorias, exigindo entre 6 ensaios mínimos (Codex) e até 15 ensaios.

“Cada cultura cresce, geralmente, no mesmo tipo de clima e biomas presentes em todos os continentes, independentemente das longitudes e com pequena diferença entre as latitudes”, afirma ela. “Portanto, o número de ensaios requeridos pela cultura pode ser distribuído em pelo menos dois países representativos nos hemisférios Norte e Sul.”

Carmen Tiu, coordenadora de Resíduos Global da Dow AgroSciences

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