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Em artigo, Ferreira Lima comenta obra que compila histórico da tecnologia no BR.

A missão da Pesquisa e Desenvolvimento é disseminar as inovações tecnológicas como fator estratégico diante dos desafios globais – aumento da populacional, esgotamento dos recursos naturais e mudanças climáticas extremas. Paralelamente, o Brasil, como nação, também assumiu outra grande missão: produzir alimentos, fibras e fontes de energias renováveis, com qualidade e em quantidade capaz de atender a demanda mundial. ‘Mas, qual a relação entre a primeira e a segunda missão?’, pode indagar o leitor. O fato é que sem a inovação e Ciência incorporada no campo, a produção agropecuária brasileira não teria sido um personagem importante na primeira Revolução Verde, como chamou o Prêmio Nobel Norman Bourlaug, até se tornar uma das principais potências no abastecimento global.

O cenário futuro exige intensificar o uso de tecnologias que resultem maior produtividade e, ao mesmo tempo, reduzam o impacto sobre os recursos naturais do planeta. Sob essa perspectiva, destaque-se o conhecimento científico dos institutos e das indústrias que pesquisam e desenvolvem novas tecnologias incorporadas ao campo. Entre elas, é preciso colocar em perspectiva o papel estratégico desempenhado pelos novos ingredientes ativos de defensivos agrícolas. Esta é a conclusão do trabalho que concluímos recentemente.

Propusemo-nos a reunir o que vem sendo realizado no Brasil em termos de inovação tecnológica em defensivos agrícolas desde 1960. Ao final, foram compilados mais de 380 ingredientes ativos usados na agricultura brasileira; o resultado é uma ampla e fonte de consulta para acadêmicos, indústrias,profissionais do campo, técnicos governamentais e especialistas em temas regulatórios.

A pesquisa teve início em 2004, para a edição de uma monografia em comemoração aos 30 anos da Andef. Naquela ocasião, foram avaliados 93 ingredientes ativos e já se vislumbrava os avanços da pesquisa, mostrando que os produtos de última geração (lançados na década de 1990) apresentavam redução das doses de emprego, e com níveis de toxicidade cada vez menores.

Quase dez anos depois, chega-se ao resultado final do estudo com uma gama de ingredientes ativos avaliados que representa cerca de 90% do volume comercializado no ano de 2010, entre os que continuam no mercado. Foi um panorama de 50 anos (a partir de 1960) de agricultura brasileira, embora os produtos mais antigos tenham sido introduzidos no mercado mundial e brasileiro antes da década de 1960.

Outro ponto a destacar é que a evolução dos produtos esteve inserida em um cenário muito particular ao Brasil, uma vez que coincidiu exatamente com o período em que o país deu o grande salto de desenvolvimento da sua agricultura. A ênfase maior refere-se aos ganhos de produtividade da agricultura brasileira, resultado da incorporação, pelos agricultores, das tecnologias desenvolvidas localmente pelos diferentes centros de pesquisa nacionais.

Por fim, o trabalho faz uma comparação entre os mercados de defensivos agrícolas no Brasil e nos Estados Unidos, maior concorrente do país na produção de alimentos. Embora localizado no hemisfério norte, onde o inverno rigoroso representa uma limitação importante às culturas, as extensões de suas áreas cultivadas e as tecnologias utilizadas são bastante semelhantes às utilizadas por aqui.

Concluído o estudo, coube à Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, a iniciativa de publicá-lo na forma de livro. Dessa forma, ‘A Evolução dos Produtos Fitossanitários e seu uso no Brasil’ acaba de ser lançado como parte da Coleção Andef Ciência. Com o objetivo de traduzir e ampliar o conhecimento científico de especialistas em tecnologias, a Coleção propõe aos diversos segmentos envolvidos nas atividades do complexo agroindustrial a união de esforços de modo a fortalecer o agronegócio brasileiro e contribuir para o desenvolvimento sustentável do país. Neste segundo volume, a entidade reforça seu empenho na difusão do conhecimento como peça fundamental diante dos desafios globais.

* Por Luiz Carlos S. Ferreira Lima, engenheiro agrônomo, consultor técnico da Andef e autor do Livro ‘A Evolução dos Produtos Fitossanitários e seu uso no Brasil’

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