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Em artigo, o jornalista Celso Ming fala do desestímulo político para o setor

O Brasil, que nos anos da primeira década deste século chegou a ser reconhecido como campeão mundial dos biocombustíveis, está sendo passado para trás, em consequência do descaso da atual política do governo Dilma para o setor.
O correspondente do Estadão em Genebra, Jamil Chade, em matéria publicada nesta segunda-feira, conta que, apesar da forte oposição dos ambientalistas, que condenam a utilização de grãos para produção de combustíveis renováveis, a União Europeia já iguala e começa a ultrapassar o Brasil em consumo de biocombustíveis.
Depois de ter se tornado um entusiasta do biodiesel, a partir de 2008, o então presidente Lula já se desinteressara pelos biocombustíveis.

Depois de ter se tornado um entusiasta do biodiesel, a partir de 2008, o então presidente Lula já se desinteressara pelos biocombustíveis. Essa talvez tenha sido a consequência da descoberta das reservas de petróleo no pré-sal na Bacia de Santos.

Mais do que puro desinteresse, o governo Dilma impõe uma política de desestímulo aos investimentos em etanol, na medida em que mantém em prática política de combate à inflação à custa do caixa da Petrobrás.

Ao manter achatados os preços dos combustíveis, especialmente da gasolina e do óleo diesel, o governo vai desestimulando, por tabela, os produtores de biocombustíveis que enfrentam custos crescentes de produção e, assim, estão cada vez mais incapacitados de arrostar a concorrência dos derivados de petróleo subsidiados.

É difícil entender essa política que, de resto, sabota a capacidade de investimento da Petrobrás. Por falta de investimentos em plantio de cana de açúcar e na expansão de destilarias, a produção de etanol está estancada em torno dos 20 bilhões de litros anuais, insuficiente para o consumo – suprido em parte com importações de etanol dos Estados Unidos, produzido a partir de milho (veja o gráfico).

A Petrobrás tem todo o interesse em que o etanol volte a ser incentivado. Importa entre 80 mil e 100 mil litros diários de gasolina pelos quais continua pagando um preço mais alto do que o obtido no mercado interno.

Embora o consumo tenha aumentado 20% em dois anos, não há nenhuma possibilidade de que, nos próximos dez anos, suas refinarias consigam aumentar a oferta de gasolina. Isso significa que, sem novo empurrão do governo para a produção de etanol, a Petrobrás terá de aumentar em mais de 300% suas importações diárias de gasolina nos próximos oito anos.

Na área do biodiesel, talvez o principal problema seja falta de foco. Até agora, não se obteve matéria-prima mais adequada do que o óleo de soja, que ao menos conta com sistema integrado de produção e distribuição. Insistir com outros produtos, como óleo de palma (dendê), pinhão-manso ou gordura animal, parece dispersão de esforços e ter de enfrentar a impossibilidade de obtenção de escala e de compressão de custos.

As pressões, cada vez maiores na Europa e nos Estados Unidos, pela redução da utilização de alimentos na produção de biocombustíveis poderiam abrir grandes mercados de exportação para o etanol e para o biodiesel do Brasil, que conta com enormes áreas agricultáveis disponíveis. Mas é preciso revisar a atual política – ou a falta de política – para o setor no Brasil.

CONFIRA:

O gráfico mostra a evolução da produção de biodiesel no Brasil desde 2007, o volume estimado para 2012 e a projeção para este ano.

O gráfico mostra a evolução da produção de biodiesel no Brasil desde 2007, o volume estimado para 2012 e a projeção para este ano.

A queda do dólar. Nesta segunda-feira, depois que o Banco Central rolou por mais 30 dias US$ 1,9 bilhão em contratos de swap cambial, a cotação do dólar comercial resvalou para R$ 2,00, com queda de 1,28% sobre o fechamento da última sexta-feira. O mercado está entendendo que a valorização do real (queda do dólar) passou a ser quase a única opção do Banco Central para combater a inflação. E o mercado seguirá testando essa hipótese nos próximos dias.

Fonte: Estado de S. Paulo 29/01/13

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