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Roberto Rodrigues fala sobre a importância do agronegócio brasileiro

Umas das mais expressivas lideranças do agronegócio no Brasil, Roberto Rodrigues é engenheiro e professor da Fundação Getúlio Vargas, ex-presidente da Associação Brasileira de Agribusiness, Abag, e ex-ministro da Agricultura no governo Lula. Confira os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao BIP – Boletim Informativo para Publicitários, da Rede Globo.

Futuro
“Vejo um futuro notável para o agronegócio brasileiro. Um documento produzido recentemente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE, e Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, FAO, apresentou um horizonte de produção de alimentos para os próximos dez anos.

O documento diz que a demanda por alimentos no mundo crescerá 20%, pela combinação da expansão populacional e da renda per capita nos países emergentes – 85% do crescimento da população mundial ocorre neles. O documento da OCDE prevê, então, quais países ampliarão a sua produção de alimentos para suprir esse crescimento. Os da União Europeia aumentarão a sua produção em 4%; os da América do Norte em até 15%; Rússia, China, Índia e Ucrânia em 25%. Já o agronegócio do Brasil vai expandir a
sua produção nos próximos dez anos em nada menos do que 40%.”

Diferenciais
“O estudo da OCDE é absolutamente realista. Onde ele vê o lastro para projetar tal  crescimento do agronegócio brasileiro? Em nossas terras disponíveis – não há nada igual no resto do planeta -, na tecnologia tropical – temos a melhor do mundo – e gente disposta a trabalhar. Temos um agricultor muito competitivo e determinado. Isso é claramente comprovado nos anos pós Plano Real. Até então, éramos um mercado fechado e protegido e com uma inflação de 80% ao mês, onde a competência gerencial do produtor não era tão necessária.

Desde então, o governo perdeu a capacidade de intervenção, nos tornamos escancarados ao mercado internacional e a competência gerencial tornou-se indispensável para o produtor rural. Calculo que uns 200 mil agricultores tenham perdido tudo o que tinham por conta desse ajuste brutal pelo qual passou a atividade rural. Mais ou menos como acontece com a indústria hoje. Neste sentido, o agronegócio fez o ajuste antes dos demais setores das economia.”

Sustentabilidade
“Estamos num momento de muito otimismo para o campo, inclusive pela questão da  sustentabilidade, o principal motor da economia contemporânea. Se, de um lado, existe a demanda urgente e vital por alimentos, de outro há a questão da sustentabilidade, e o nosso agronegócio não é sustentável; é sustentabilíssimo – e isso o mundo já sabe.”

Produtividade
“Nos últimos 20 anos, a área plantada cresceu 25% e a produção de grãos 154%. Se ainda  tivéssemos mantido a mesma produtividade dos anos 90, precisaríamos ter ocupado quase 50 milhões de hectares a mais do que de fato ocupamos. Temos uma área plantada no Brasil de 8 milhões de hectares de cana de açúcar – isso é menos de 1% do território nacional. Se  tivéssemos, hoje, a produtividade dos tempos do Proálcool, precisaríamos do dobro dessa área. Segmentos com um crescimento extraordinário de produtividade são muito comuns no Brasil, mas cito também o de produção de frangos – 356% mais produtividade nos últimos 20 anos.

Olhando, agora, para a agroenergia. A cadeia produtiva da cana emite, para cada litro de álcool, apenas 11% do carbono que é emitido para produzir a mesma quantidade de gasolina. Apenas a folha da cana cortada crua dá, hoje, uma Itaipu de energia elétrica.

Isso está  mudando a geopolítica global. A história coloca ao nosso alcance mais uma  oportunidade de virada. Tudo deságua positivamente no Brasil. Em termos de sustentabilidade, não precisamos prometer nada para ninguém”.

Problemas
“Temos de enfrentar algumas nuvens. Fizemos um programa apoiado em seis pilares, cada um deles correspondendo a um problema que precisa ser atacado:

1. Para enfrentar a questão da renda do produtor, o seguro rural precisa funcionar de verdade. Até hoje a coisa está engatinhando. O mesmo para o crédito rural. Nossa legislação é de 1965 e esta completa e obviamente desatualizada. Aí entra a temática de garantias, juros etc.

2. Logística e estrutura são os nossos principais gargalos para o crescimento. Ainda há muitas dificuldades, mesclando política e interesses. Ferrovias e portos são decisivos para a solução do problema.

3. Temos de ser mais pragmáticos nas negociações internacionais. Colocamos todos os ovos na cesta da Organização Mundial do Comércio, enquanto México e Chile optaram por trabalhar acordos bilaterais. Eles precisam ser mais desenvolvidos porque geram riquezas. Também precisamos de mais promoção internacional. Necessitamos ter mais e melhores adidos comerciais em nossas embaixadas. Por fim, precisamos agregar valor às nossas exportações.

4. Precisamos de mais investimento público e privado em tecnologia. Embora já tenhamos a melhor tecnologia tropical do planeta, é necessário investir mais e há perdas visíveis de investimentos. Para evoluir, é preciso somar esforços com a iniciativa privada. A legislação necessita de retoques.

5. A questão da defesa sanitária é uma etapa dramática e que remete à sustentabilidade. Aquele foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul nos tirou 54 mercados de carne por cinco anos. Tudo tem de ser certificado, de forma a garantir a saúde humana. Ainda somos fracos
neste campo.

6. Precisamos de uma institucionalidade melhor em nível de governo, enfrentando um  conjunto enorme de variáveis. Para começar, temos quatro ministérios e muitas áreas com influência no agronegócio, da Funai à Anvisa. Diminuir o número de interlocutores certamente ajudaria muito. Precisamos de uma estratégia de Estado – não de governo – para dar mais um salto.

O que nos anima é o fato de os seis pilares estarem apoiados num alicerce, que é a economia verde. E ela já está pronta”.

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Safra recorde
“Este ano, a safra recorde é uma circunstância de clima à qual se somaram os problemas em outros países, o que aumentou o preço das principais culturas. Os preços elevados de 2010 devem continuar em 2011. Mas temos um fato concreto: o preço está alto no mundointeiro, o que estimula o crescimento da produção. A demanda por insumo leva os preços para cima, mas em 2012 as coisas devem piorar, com custos mais altos e mais oferta. O ano de 2011 deve ser o último de um ciclo de preços tão favoráveis. De qualquer forma, o futuro é promissor
para ambas as culturas, para produção de alimentos em geral e energia”.

Repercurssões para a economia
“O Agronegócio é uma atividade de vanguarda e é o motor das demais atividades industrial, comercial e de serviços. Para fazer agronegócio, precisamos de trator, trem, silo, fertilizante, semente. O agronegócio impulsiona a indústria, a mineração, o comércio, o seguro e o sistema financeiro.

Temos um cavalo que está passando à nossa frente, maravilhosamente arreado. Talvez seja o mais belo cavalo que já passou à nossa frente. Precisamos montá-lo. É uma oportunidade única”.

Uma safra de boas notícias
O agronegócio brasileiro vive uma fase excepcional, com produção, preços e rentabilidade em alta e, o melhor, há perspectivas concretas para um novo salto, apoiado na sustentabilidade da atividade no Brasil. Algumas das boas notícias da safra:

 O Ministério da Agricultura, com dados atualizados até abril, prevê que o faturamento das 20 maiores lavouras do país será recorde, devendo chegar a R$ 196 bilhões, 8,3% a mais que o registrado no ano passado. O valor é calculado a partir dos resultados da safra de grãos e preços recebidos pelos produtores.  Segundo estimativas do Ministério, até o fim do ano, a perspectiva é que o valor da safra possa ser ainda maior, já que os preços permanecem em alta nos mercados interno e externo.

 A safra de grãos do Brasil, no período 2010/2011, deve ser de 161,5 milhões de toneladas. Os números são do nono levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, e divulgados em junho. A produção marca um novo recorde, com um aumento de 8,2%, ou cerca de 12,3 milhões de toneladas a mais que a safra passada, que foi de 149,2  milhões de toneladas. Comparada ao último levantamento, realizado em maio, a produção cresceu 1,2% ou o equivalente a 2 milhões de toneladas.

 Também a área cultivada cresceu, com um aumento de 3,8%, atingindo 49,2 milhões de hectares, 1,8 milhão a mais do que na safra passada. O crescimento se deve à ampliação de áreas de cultivo do algodão, soja e arroz. A boa influência do clima sobre o  desenvolvimento das plantas foi também responsável pela evolução.

 

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 Outro destaque é o feijão. A área cresceu 17,1%, aproximando-se de 4 milhões de hectares. Comparada à safra passada, a produção eleva-se em 14,3%, podendo alcançar 3,8 milhões de toneladas. No caso da soja, houve uma ampliação da área de 2,9%, alcançando 24,1 milhões de hectares, enquanto a produção cresceu 9,2%, subindo para quase75 milhões de toneladas. Para o arroz, o aumento da área foi de 3,6%, elevando-se para 2,8 milhões de hectares, assim como a produção, que deve apresentar um aumento de 18,4%, chegando a 13,8 milhões de toneladas.

 Soja, milho, arroz, feijão, amendoim, trigo e algodão, juntos, devem produzir uma safra entre 2010 e 2011 que renderá aos produtores, em valores brutos, R$ 95 bilhões, 13% a mais do que na safra anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura.

 Produção em alta, preços idem. Milho e algodão atingiram cotações recordes no primeiro trimestre. O valor da produção do algodão devecrescer 55,4% em 2011, aproximando-se de R$ 5 bilhões. Segundo a Conab, a área plantada de algodão cresceu 66% em relação à safra passada, com a cotação da arroba passando de R$ 35 para R$ 120. É o maior preço do produto em 140 anos.

 A produção brasileira de algodão em pluma deve ultrapassar os 2 milhões de toneladas, 71% mais do que na safra 2009/2010. Avanços tecnológicos levaram ao incremento do cultivo do chamado algodão adensado. Entre outras vantagens, ele encurta o período de manejo de 220 para 140 dias, reduzindo custos pela menor demanda por irrigação e fertilizantes.

 A uva também apresenta aumento expressivo, passando de R$ 3 bilhões para R$ 4,5 bilhões, assim como o valor da produção do café em grão, do milho e da soja. Juntos, estes três últimos produtos representam quase a metade do valor da safra deste ano.

 Da mesma forma, os preços do trigo, da borracha e da cana estão em patamares elevados. Entre os principais produtos agrícolas, apenas o arroz teve queda nos preços.

 Só o estado do Mato Grosso deve colher, este ano, uma safra recorde de soja, de 19,2 milhões de toneladas, num valor estimado de R$ 15,5 bilhões, 34% a mais do que na safra anterior, segundo dados no Ministério da Agricultura.

 O segundo estado maior produtor de soja é o Paraná, com previsão de 14 milhões de toneladas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 9 milhões de toneladas, e o Mato Grosso do Sul, com 5,3 milhões. Em todo o Brasil a receita proveniente da soja deve superar os R$ 50 bilhões, com uma produção de mais de 70 milhões de toneladas, 2,3% mais que no ano passado. A estimativa para a área plantada de soja no país é de 24,1 milhões de hectares, 2,9% de crescimento em relação à safra anterior.

 Estudo do Ministério da Agricultura divulgado em meados de junho indica que a produção de grãos no Brasil deve ter considerável ganho de produtividade. Enquanto a produção deve aumentar 23% até 2021, a área de colheita crescerá apenas 9,5%. As estimativas constam do relatório “Brasil – Projeções do Agronegócio 2010/2011 a 2020/2021”, realizado pelo Ministério e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e indica grãos e carnes como as principais apostas do Brasil para ampliar a produção e a exportação. Algodão deve ser a cultura que vai se destacar até a safra 2020/2021, com uma estimativa de aumento de 47,8% a produção e variação positiva de 68,4% nas exportações.

 O estudo recém-divulgado aponta a região denominada Matopiba, situada entre sul do Maranhão, norte do Tocantins, sul do Piauí e noroeste da Bahia, como a nova fronteira agrícola do país. Em 2010, colheu-se na região 13,3 milhões de toneladas de grãos; no início da próxima década, a previsão é de uma produção de 16,6 milhões de toneladas, com a área de colheita passando de 6,4 milhões de hectares para 7,5 milhões.

 Quanto à produção de proteína animal, o estudo prevê um salto na produção de carnes de frango, bovina e suína de 26,5% até o início da próxima década, num volume que pode superar 31,2 milhões de toneladas. No ano passado, as carnes produzidas no país somaram 24,6 milhões de toneladas. Desses três tipos de carnes, o frango deve se destacar, com perspectivas de aumento de 33,7% nas exportações e de 30% na produção.

 A balança comercial do agronegócio registrou superávit de US$ 6,9 bilhões em maio. Carnes, açúcar, etanol e o complexo soja (grão, farelo e óleo) foram responsáveis por 67 % da receita das exportações. O valor embarcado foi de US$ 8,4 bilhões, 17,5% a mais que em maio do ano passado.

 Segundo previsão da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, as receitas de exportação da soja e seus derivados podem alcançar US$ 22,1 bilhões, 28% a mais do que em 2010, graças à combinação de crescimento da produção, demanda aquecida e alta dos preços internacionais. Segundo especialistas, a quebra da safra passada em vários países, reduzindo os estoques disponíveis, também impulsiona os preços.

 Os valores exportados aumentaram para a maioria das regiões. A União Europeia, destino número um das exportações de produtos agrícolas brasileiros, aumentou a compra em 32%. Em segundo lugar está a Ásia, seguida pela África.

 Os investimentos em ciência e tecnologia no agronegócio foram reforçados. O orçamento de Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, subiu para R$ 1,5 bilhão.

 

* Por Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp e ex-ministro da Agricultura.

Fonte: Boletim de Informação para Publicitários – BIP/Rede Globo

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