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O evento também reconheceu os dez novos Heróis da Revolução Verde brasileira.

 
O Brasil foi apontado nesta terça-feira (13), no Senado, durante sessão especial no Plenário que celebrou os 70 anos de criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), como exemplo de país que alcançou sucesso no combate à fome e à pobreza extrema.
 
Nos seus discursos, parlamentares e convidados destacaram conquistas que resultaram de políticas de incentivo ao desenvolvimento rural, do apoio à pesquisa e à extensão agrícola e pecuária e ainda de programas de inclusão social como o Bolsa Família.
 
A senadora Ana Amélia (PP-RS), que propôs a homenagem, disse que celebrar os 70 anos da FAO era também um momento para reconhecer os avanços da agricultura brasileira. Ela destacou a contribuição de cada agricultor, do pequeno ao grande produtor, e dos cooperativados. Também ressaltou o papel das entidades representativas do setor agrícola, assim como dos pesquisadores da Embrapa e das universidades, esses pelas novas tecnologias e processos de produção.
 
Mesmo nestes tempos de crise econômica ou política, observou ainda Ana Amélia, a agricultura brasileira tem conseguido se destacar, contribuindo para reforçar o produto interno bruto (PIB) e os resultados positivos da balança comercial, com superávits sucessivos e safras recordes. Lembrou que, em 2015/2016, a produção agrícola deve ultrapassar 209 milhões de toneladas.
 
"Temos contribuído, assim, para alimentar, em primeiro lugar, os brasileiros e também a população mundial, que deve chegar a 9 bilhões de pessoas no ano de 2050. Os desafios, como se sabe, continuam enormes e extremamente relevantes", afirmou a Senadora.
 
Conhecimento
 
O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) observou que o desafio é ainda mais preocupante quando se sabe que a população não vai parar de crescer, chegando a 12 bilhões em 2100, sendo a África três vezes mais populosa que hoje, segundos estudos recentes. Para o senador, o conhecimento será a chave para a solução do problema e, nesse contexto, graças à ciência e à tecnologia, o Brasil hoje é referência, com avanços crescentes de produtividade.
 
"E isso, como já foi dito aqui, preservando as nossas florestas. O Brasil preserva mais de 50% das nossas florestas. Só a Amazônia, que corresponde a 61% do território nacional, preserva 83% das suas florestas", salientou Raupp.
 
A senadora Regina Souza (PT-PI) reconheceu que o Brasil vem vencendo o desafio de garantir comida e matar a fome da população. Observou, contudo, que outros permanecem, como a necessidade de garantir a qualidade da produção. A seu ver, isso compreende a questão do controle e seguro de agrotóxicos. Também mencionou a necessidade de evitar desperdícios na produção e, ainda no contexto alimentar e nutricional, o problema novo da obesidade.
 
"Precisamos cuidar disso, porque tem tudo a ver com a alimentação, principalmente das crianças", cobrou, mencionando inclusive a alimentação nas escolas.
 
Fórum neutro
 
Dirigida atualmente pelo brasileiro José Graziano, a FAO foi a primeira organização especializada da ONU. Sediada em Roma, lidera programas internacionais de erradicação da fome e da insegurança alimentar. Apoia países em desenvolvimento com a formulação e execução de políticas e projetos de assistência técnica nas áreas agrícola, alimentar, de desenvolvimento rural, florestal e pesqueira. Também atua como fórum neutro em que os países se reúnem para negociar acordos, debater políticas e impulsionar iniciativas estratégicas. Conta hoje com 194 países membros.
 
Preso a compromissos em Roma, José Graziano enviou um vídeo que foi exibido na abertura da sessão, em que agradece a homenagem prestada à organização. Aproveitou ainda a oportunidade para pedir que o Brasil, apesar da crise que enfrenta no momento, não interrompa projetos de cooperação que presta a países mais pobres por meio da FAO. Para ele, essa crise é passageira e será vencida.
 
"Não podemos, nesse momento de dificuldade, virar as cotas para países com os quais cooperamos. Os recursos utilizados na cooperação internacional são muito pequenos à luz da sua enorme importância para garantir um futuro melhor para todos", assinalou no vídeo.
 
Para ele, a celebração das conquistas alcançadas pela entidade nos seus 70 anos deve ser acompanhada da constatação de que ainda há muito o que fazer. Observou que cerca de 800 milhões de pessoas ainda passam fome e enfrentam desnutrição em todo o mundo. Porém, disse que esse problema pode ser superado ainda no curso da atual geração.
 
"Temos as ferramentas para isso. Teremos que tornar a agricultura e os sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos e mais adaptáveis às mudanças do clima", reforçou Graziano.
 
O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), que abriu a solenidade, passando depois o comando para Ana Amélia, disse que a exibição da mensagem de Graziano, pela força do conteúdo, foi a melhor forma de abrir a homenagem à FAO.
 
“Vergonha para a humanidade”
 
O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, afirmou que a permanência de números relativos a pessoas com fome, em qualquer lugar, é uma “vergonha para a humanidade”. No Brasil, disse que a boa notícia é que, desde o ano passado, o país não faz mais parte do mapa da fome das Nações Unidas. Como explicou, isso significa que menos de 5% da população brasileira está nesse estado.
 
"Mas já não é um problema estrutural, e sim de focalizar nos grupos mais vulneráveis que ainda existem. Já não é um problema endêmico da sociedade brasileira", explicou.
 
Bojanic salientou que, na década de 2000, a entidade apoiou a implementação dos programas Fome Zero e Bolsa Família. Disse que tais políticas inclusivas convergiam com as metas e os objetivos traçados pela Cúpula Mundial de Alimentação, de modo coerente com abordagens do programa de combate à fome da FAO. A seu ver, o Brasil é um grande exemplo de sucesso.
 
A FAO parabeniza o país por todos os esforços implementados nos últimos anos para acabar com a fome. As iniciativas têm-se destacado no âmbito internacional, e muitas nações estão interessadas em conhecer os projetos e os programas brasileiros. E a nossa organização tem atuado como um fio condutor para levar essas experiências a outros países.
 
Heróis da Revolução Verde Brasileira
 
A sessão especial serviu também de oportunidade para a entrega, pela FAO, do prêmio Heróis da Revolução Verde Brasileira a gestores e pesquisadores do setor agropecuário. Esse é o terceiro ano em que a premiação é concedida a dez personalidades que, pela sua trajetória, contribuíram para que o Brasil fosse capaz de atender à demanda de alimentos de sua população e ainda se tornar um grande provedor para o restante do mundo.
 
Na premiação, a FAO atua em parceria com a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Todas as entidades participaram da sessão especial, com representação na mesa e manifestações da tribuna em homenagem ao organismo da ONU.
 
A Embrapa foi representada por seu presidente, Maurício Lopes. Pela Andef, participou o diretor-executivo, Eduardo Daher; e pela Abag, o vice-presidente, Francisco Maturro.  Entre os que integraram a mesa, estavam ainda o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária (Faeg), José Mário Schreiner, e o diretor de Operações da Companhia Nacional de Abastecimento, Rogério Abdalla.
 
Os agraciados com o prêmio Heróis da Revolução Verde foram: Alberto Duque Portugal, pesquisador da Embrapa; Carlos Clemente Cerri, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP; Geraldo Sant'Ana de Camargo Barros, professor e pesquisador da USP; Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas; Lourival Carmo Monaco, presidente da Fundecitros; Luiz Otávio Campos da Silva, pesquisador da Universidade de Viçosa; Mauro de Rezende Lopes, coordenador de Projetos do Centro de Estudos Agrícolas do Ibre e Teresa Losada Valle, pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas. 
 
Dois agraciados não puderam comparecer: Ruy de Araújo Caldas, que dirige um dos programas de pós-graduação da Universidade Católica de Brasília; e José Aroldo Gallassini, presidente da Agroindustrial Cooperativa (Coamo), a maior cooperativa agrícola do país.
 
 
Fonte: Senado Federal

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