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Confira, na íntegra, a entrevista com o Diretor-Presidente do inpEV, João Cesar Rando. 

O Diretor-Presidente do inpEV e Presidente da Empresa Campo Limpo, João Cesar Meneghel Rando, concedeu uma entrevista para falar sobre a sustentabilidade no mercado de defensivos através da destinação correta das embalagens de agroquímicos.

Com cerca 41 anos de atuação no setor de produtos fitossanitários/agroquímicos, João Rando já atuou como Vice-Presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF) e como Diretor do Sindicato Nacional dos Defensivos Agrícolas (SINDIVEG).

Sua formação acadêmica é em Engenharia Agronômica, com cursos de pós-graduação em defesa fitossanitária e administração rural, com o Programa de Gestão Avançada no Insead na França.

 1.    Desde o início do “Sistema Campo Limpo” em 2002 os números têm mostrado como o programa é importante e quanto os produtores rurais têm se comprometido em fazer a destinação correta das embalagens de defensivos. Quais foram as principais ações realizadas para o sucesso do programa e para conscientizar o produtor?

O êxito desses 15 anos de atividade do Sistema Campo Limpo (logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas) está fundamentado no conceito de responsabilidade compartilhada, estabelecido pela legislação federal. O Decreto 4.074/02 definiu atribuições específicas quanto ao destino pós-consumo dessas embalagens a cada elo da cadeia produtiva agrícola (agricultores, indústria e distribuidores, com apoio do poder público). O engajamento de todos os envolvidos levou o Sistema a superar 410 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas desde o início da operação, em 2002. Como núcleo de inteligência do Sistema, o inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), que reúne mais de 100 indústrias fabricantes e dez entidades do setor representando todos os elos da cadeia produtiva, busca inovações permanentes para aumentar a eficiência e atingir a autossuficiência do programa, como a adoção de ferramentas modernas, como o agendamento eletrônico, que permite ao produtor programar a devolução pela internet.

Outra grande missão do Sistema é promover ações de educação e conscientização. Entre os destaques, está o Dia Nacional do Campo Limpo, comemorado em 18 de agosto para celebrar os resultados do Sistema e disseminar mensagens educativas sobre a conservação ambiental entre a população do entorno das unidades de recebimento. Desde sua primeira edição, em 2005, já teve a participação de mais de 1 milhão de pessoas.

Para alunos de 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, o inpEV realiza, em parceria com Secretarias Municipais de Educação e outros agentes educacionais, o Programa de Educação Ambiental Campo Limpo. Apenas em 2016, cerca de 210 mil alunos de 2 mil escolas de todo o país receberam kits pedagógicos, alinhados às recomendações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do MEC. Entre outras iniciativas, o inpEV oferece ainda o curso virtual Sistema Campo Limpo, programa de educação interativa, que permite ao usuário aperfeiçoar e testar seus conhecimentos sobre destinação de embalagens vazias de defensivos agrícolas pelo site do inpEV (www.inpev.org.br).

2.    Segundo dados do próprio inpEV, 94% das embalagens plásticas são destinadas corretamente no Brasil, muito à frente da segunda colocada (França) com 77%. Mesmo sendo benchmarking mundial, existem ações realizadas em outros países que podem ser adotadas no Brasil?

 As especificidades brasileiras, como as dimensões do país e diversidades climáticas, nos obrigam a desenvolver soluções pioneiras e adequadas às nossas condições. Com mais de 8,5 milhões de km2, o Brasil precisa ter um sistema logístico eficiente e bem gerenciado para destinar de forma ambientalmente correta embalagens pós-consumo usadas em cerca de 55 milhões de hectares de terras cultivadas e em mais de 1,3 milhão de propriedades agrícolas. Mesmo assim, estamos em contato permanente com outros países para a troca de conhecimentos.

3.    A operação da inpEV está fortemente ligada ao mercado de defensivos agrícolas e suas oscilações. Como o inpEV enxerga a situação atual deste mercado no Brasil e qual a visão para o ano de 2017?

 A agricultura e produção agrícola têm crescido continuamente no Brasil e o "Sistema Campo Limpo" tem levado isto em consideração no seu planejamento. Novas unidades de recebimento foram criadas no oeste do Mato Grosso, oeste da Bahia, no Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. O Sistema atingiu a maturidade e está preparado para receber 100% das embalagens colocadas no mercado. Variáveis como o crescimento do uso de biotecnologia, o aumento do uso de produtos ilegais (contrabando e falsificação) e alterações climáticas influindo no desenvolvimento das culturas, desenvolvimento de pragas ou doenças podem aumentar ou diminuir o volume de embalagens. De qualquer maneira, o sistema está preparado para manter o campo limpo e a agricultura sustentável.

4.    Segundo a consultoria MarketsandMarkets o mercado de defensivos deve aumentar em média 5,15% ao ano e com isso a estrutura de recebimento de embalagens também tende a crescer. Quais as ações previstas para absorver este potencial aumento de volume de embalagens que devem ser destinadas corretamente?

 O inpEV e o Sistema Campo Limpo estão preparados para acompanhar o comportamento da agricultura brasileira e atender às demandas do setor. Para facilitar a devolução pelos agricultores, o Sistema, além de ter uma estrutura com mais de 400 unidades de recebimento distribuídas em 25 estados e no Distrito Federal, investe na promoção de ações de recebimento itinerante (foram 4,8 mil realizados em 2016). Tanto a malha de recebimento quanto o processamento e transporte para a destinação (recicladoras e incineradoras) estão adequados às necessidades do país. 

5.    Estando à frente do inpEV desde 2001, quando foi criada, o senhor contribuiu para o desenvolvimento da logística reversa e da agricultura sustentável no país. Com sua experiência, quais os desafios que a agricultura brasileira irá enfrentar neste ano?

O Brasil está no caminho certo: somos exemplo mundial em várias práticas conservacionistas na agricultura. Este é o caso do plantio direto e da logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas, em que o país é líder e referência mundial. Com mais de 60% da sua área territorial coberta por vegetação natural, o Brasil tem instrumentos que suportam uma agricultura sustentável. Consolidam essa questão o código florestal e o estabelecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que se somam à recomposição das Áreas de Reserva Legal e das Áreas de Proteção Permanentes (APP).  A ciência e tecnologia nos ajudarão a continuar com o desenvolvimento e expansão da Agricultura de Baixo Carbono, que já é uma realidade, assim como da agricultura de precisão, que permite a utilização de insumos na quantidade exata e no alvo. A tecnologia de informação, sistemas como o de previsão climática e a evolução da tecnologia de irrigação permitirão o uso mais racional da água. O Brasil continua a ser o país que ajudará a resolver o problema da segurança mundial de alimentos. Entretanto, os maiores desafios da agricultura brasileira estão fora da porteira da propriedade agrícola. Dentro, o agricultor sabe produzir com alta eficiência e competitividade. Fora, precisamos melhorar os instrumentos de uma política agrícola que favoreça o desenvolvimento, estabeleça um seguro agrícola que assegure uma renda adequada para o agricultor em caso de frustração de produção, que invista na melhoria da infraestrutura de armazenagem, rodovias e portos, aumentando assim a competitividade da agricultura brasileira.

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