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Workshop discutiu o manejo da resistência de pragas.

Na última quarta-feira (18), o workshop 'Resistência: impactos econômicos na agricultura e construção de uma proposta de manejo' reuniu cerca de 100 pessoas, em São Paulo, para construir uma proposta de manejo da resistência a métodos de controle.
 
Para superar o desafio de obter alimentos, fibras e agroenergia para atender as demandas crescentes do mundo moderno, os programas de melhoramento genético desenvolveram cultivares altamente produtivas. O problema é que, além do ser humano, outras espécies tiraram vantagem dessa situação, tais como insetos, ácaros, fungos e plantas invasoras. A ampla oferta de alimento e condições propícias ao seu desenvolvimento fizeram com que esses organismos se multiplicassem e atingissem status de pragas. Isso aumentou o custo de produção e obrigou, muitas vezes, o produtor a buscar novas áreas para cultivo. 
 
"O estado de São Paulo era um grande produtor de algodão, mas a entrada e os níveis críticos da população do bicudo-do-algodoeiro forçaram o produtor a cultivar em outras regiões do Brasil", comenta Luís Carlos Ribeiro, gerente técnico e de Regulamentação Estadual da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).
 
Situações como esta levaram governo e setor privado a investir pesadamente no desenvolvimento de novas tecnologias e processos para combater as pragas, tais como cultivares com propriedades de resistência, métodos culturais, agroquímicos, organismos de controle biológico e modificações no sistema de produção, além de medidas legislativas como o vazio sanitário. Mas isso resolve o problema apenas temporariamente. 
 
"As pragas são, por definição, espécies dotadas de alta capacidade de reprodução e de adaptação. Isso significa que, na população, sempre há uma pequena proporção de indivíduos que vai sobreviver diante de um novo método de controle e que, mantida a pressão de seleção, os descendentes desses poucos indivíduos vão se reproduzir mais abundantemente e a população se tornará resistente", explica o professor Edivaldo Velini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "A resistência é a norma, não a exceção. O que nós podemos fazer é adotar as práticas adequadas para retardar ao máximo essa resistência", complementa Velini.
 
O manejo da resistência a métodos de controle é um assunto multidisciplinar e que envolve desde os conhecimentos sobre a biologia básica da praga, sobre os modos de ação dos métodos de controle, as práticas de cultivo e o conhecimento a legislação vigente. 'Naturalmente, quando se fala em resistência, a primeira ideia que vem à cabeça é o controle químico, mas a resistência acontece com qualquer método de controle', explica Fábio Kagi, gerente de Educação e Treinamento da Andef.
 
Para o consultor da Fundação MT, Fabiano Siqueri, diversos fatores contribuem para acelerar o surgimento de linhagens resistentes de pragas. "Um fator que agrava o cenário é a crença, por parte dos produtores, de que a fonte de tecnologias é infinita. Isso está muito longe de ser verdade. A cada ano que passa, torna-se mais improvável a descoberta de novas tecnologias e, para piorar, o tempo para obter um registro torna-se cada vez mais longo", explica o consultor. "Portanto, toda e qualquer tecnologia existente deve ser protegida, sob o risco de não termos ferramentas para manter os níveis de produtividade atuais", complementa Siqueri.
 
No Brasil, três grupos de pesquisadores se organizaram para criar Comitês de Ação à Resistência de insetos, fungos e plantas invasoras a métodos de controle. Eles promovem ações de pesquisa, extensão e comunicação para promover a adoção de boas práticas agrícolas e, assim, prolongam a susceptibilidade de pragas a métodos de controle. Para 2016, os Comitês planejam realizar um projeto de pesquisa em parceria com a Prof. Sílvia Helena Miranda, da Universidade de São Paulo, sobre os impactos econômicos que a resistência tem para o país.
 
Segundo a prof. Sílvia, o produtor precisa ser esclarecido sobre perdas no longo prazo associadas à resistência. "Elas incluem, entre outras, o aumento do custo de produção, perdas em produtividade, realocação do uso da terra, custos ambientais e sociais e redução de acesso a mercados", explica a professora. Segundo levantamento feito pela FAO em 1996, já havia mais de 700 espécies de pragas agrícolas para as quais a resistência já havia sido documentada. Somente nos Estados Unidos, estima-se que o custo anual da resistência gira em torno de 10 bilhões de dólares. "Estudos realizados nos EUA demonstraram que o benefício do uso de agroquímicos (traduzido como perdas evitadas) é maior do que o impacto percebido pela sociedade (traduzido como riscos à saúde humana e redução da qualidade ambiental", complementa Miranda.
 
Uma agenda com os encaminhamentos e orientações advindos do evento será publicada pelos Comitês de Ação à Resistência. "É preciso planejar e sair da inércia, todavia mais diante de problemas provocados pelo próprio ser humano, que são os mais difíceis de resolver. Mudar o comportamento do produtor e, consequentemente, o manejo empregado é o desafio que se apresenta", finaliza o prof. Velini.
 
O workshop foi uma realização dos Comitês Brasileiros de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC-BR), Fungicidas (FRAC-BR) e Herbicidas (HRAC-BR), com apoio da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), e com organização da Agropec.
 
 
Fonte: Agropec

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