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Alunos do MBA em Fitossanidade, oferecido pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, em parceria com a Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF), tiveram acesso a informações sobre a etapa final da cadeia que envolve a proteção das plantas no campo – a logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas. Inseridos no universo da fitossanidade, incluindo tratos, tecnologias de aplicação e legislação do setor, os profissionais foram informados sobre a destinação das embalagens pós-consumo desses produtos químicos.

O Diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), João Cesar Meneguel Rando, ministrou aos pós-graduandos a aula inaugural do MBA em Fitossanidade IAC, no último dia 1º de dezembro, na Sede do IAC, em Campinas, onde são realizadas as aulas presenciais do curso. Participaram alunos da segunda turma do curso, que estão concluindo o MBA,  e os profissionais que integram a terceira turma. Iniciado em 2012, o MBA IAC, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, objetiva reunir conhecimentos sobre fitossanidade, segurança na agricultura, gestão de pessoas e comunicação, com abordagem teórica e prática.

Durante a cerimônia, o diretor executivo da ANDEF, Eduardo Daher, enfatizou o papel da tecnologia dos defensivos na produção agrícola brasileira. 'Por ser um País tropical, o Brasil tem o bônus de colher duas safras por ano, mas e o ônus de ser mais suscetível aos ataques de pragas e doenças', explicou.

Segundo Daher, no Brasil, a cada U$100,00 investidos em defensivos são produzidas 14 tineladas de alimentos. No Japão, com o mesmo recurso, tem-se 780 quilos de arroz. Em países com inverno rigoroso, o custo é praticamente a metade do existente na agricultura brasileira.

Rastreabilidade total
O inpEV gerencia o sistema Campo Limpo, logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas que se tornou referência mundial em desempenho neste setor. O sistema criado pelo inpEV – alcança o índice de 94% de embalagens usadas, sendo reciclados 92% deste volume. 'Não existe no mundo nenhum outro sistema com esta performance', ressalta João Rando. A França está em segundo lugar, com 77%, e o Canadá em terceiro, com 73%. Segundo o presidente do inpEV, até outubro deste ano, 330 mil toneladas de embalagens já foram recolhidas nesse trabalho.

'Temos condição de dar a rastreabilidade total de todas as embalagens que
entram no sistema', afirma Rando. O sistema recebe a embalagem do agricultor, recicla o material e fabrica outra para o setor, com apenas 15% de matéria-prima nova. O material recebido no Brasil segue para 10 empresas recicladoras parceiras, responsáveis pela produção de matérias-primas que darão origem a outros artefatos, entre eles novas embalagens, que retornam aos produtos agrícolas. 'As não lavadas e não-laváveis não podem ser recicladas', explica. A tríplice lavagem reduz a quantidade de resíduo para níveis abaixo de 100 partes por milhão (ppm), o que leva a embalagem de agrotóxico a ser considerada como resíduo não-perigoso.

Sem fins lucrativos, o inpEV recebeu investimento de R$ 700 milhões em 12 anos de atuação, sendo 85% pagos pela indústria, 11% pelos canais de distribuição e 4% pelos agricultores. Segundo Rando, a atividade não conta com incentivos fiscais e toda a cadeia da reciclagem é tributada.

Se por um lado a dinâmica de aplicação de agrotóxicos requer uma série de cuidados para seu uso seguro, por outro, o balanço de ecoeficiência do Sistema Campo Limpo é bastante positivo. Nesses 12 anos de atividades do inpEV, foram poupados 36,4 bilhões de litros de água e a economia de energia é o suficiente para abastecer 137 mil casas, durante um ano. Os resíduos evitados representam o volume de lixo produzido por uma cidade com 500 mil habitantes, durante cinco anos, e 343 mil toneladas de gás carbônico deixaram de ser emitidas. 

Como funciona
O Sistema Campo Limpo conta com mais de 400 unidades de recebimento fixas, além de 4500 pontos de recebimento itinerante, em todo o Brasil. Ao todo, mil funcionários treinados trabalham na recepção dos materiais. 'O sistema vem crescendo de acordo com o mercado agrícola', afirma Rando. O fluxo de comercialização envolve 99 empresas fabricantes, 267 associações, incluindo revenda, distribuidoras e cooperativas, e cinco milhões de propriedades rurais, estas últimas segundo dados do IBGE.

De acordo com o presidente, antes dessa iniciativa, os produtores não tinham uma alternativa adequada de destinação para os recipientes vazios. Com a falta de alternativa, eram comuns o abandono ou a queima de embalagens. A proposta que havia era a abertura de valas, com impermeabilização, onde deveriam ser enterradas as embalagens. 'O agricultor não teria mais lugar para plantar', diz o agrônomo com quase quatro décadas de experiência, ao comentar que esta não seria solução para o agronegócio brasileiro.

Política Nacional de Resíduos Sólidos
Ao abordar a Política Nacional de Resíduos Sólidos, com a Lei Federal 12305/10 e o Decreto 7404/10, o presidente do inpEV ressaltou que o trabalho desenvolvido pelo Instituto colaborou com a elaboração da legislação nacional. Segundo Rando, na questão dos resíduos, o Governo está agindo por prioridades e em algum momento todos os setores geradores de lixo que exigem cuidados específicos serão chamados para apresentarem propostas de logística reversa. Nesse cenário, Rando considera importante a atuação dos protagonistas de cada segmento no sentido de compartilhar suas experiências com os legisladores. 'O setor de agrotóxicos está regulamentado e implantado há mais de uma década, anterior à Política Nacional', diz. O sistema Campo Limpo está regulamentado e implantado por meio da Lei Federal 9.974/00 e seu Decreto Regulamentador 4.074/02.

A indústria de defensivos químicos começou a estudar esses aspectos em 1992 e o trabalho mostrou que os agricultores queriam colaborar com a devolução das embalagens. 'Em 2005, já tínhamos 350 unidades de recebimento de embalagens no Brasil', relata. Já naquele ano, o País era referência mundial, segundo Rando. 'A experiência das empresas contribuiu para a elaboração da lei', afirma.

A Política Nacional objetiva mitigar o problema do lixo no território nacional e eliminar os lixões. 'No Brasil, são geradas 200 mil toneladas de lixo por dia, não há mais lugar para dispor esses resíduos', alerta. A logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas é apenas uma das vertentes da Política Nacional, que determina ações para os governos federal, estadual e municipal, e também para empresas.

 

Fonte: Comunicação IAC

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