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Andef externa pesar pelo falecimento da pioneira no estudo de doenças em citros

A engenheira agrônoma Victória Rossetti, reconhecida como uma das maiores pesquisadoras no mundo em doenças que atingem a citricultura, morreu na madrugada do domingo, 26/12, de pneumonia, aos 93 anos.
Formada em engenharia agronôica pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em 1937, Victória Rossetti iniciou, em 1958, trabalhos sobre a leprose dos citros e experimentos para seu controle.
Estudos sobre o cancro cítrico e sobre a Clorose Variegada dos Citros (CVC) – nome sugerido por Victória Rossetti em substituição ao popular “amarelinho” -, causada pela bactéria Xylella fastidiosa, motivaram vários trabalhos, com colegas de diversos institutos no Brasil e no exterior.
“A Andef e suas quinze empresas associadas externam seu profundo pesar diante desta perda irreparável para a Ciência e, de modo especial, a agricultura brasileira e de todo o mundo”, afirmou Eduardo Daher, diretor executivo da entidade.

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Interesse por Fitopatalogia

Veridiana Victória Rossetti nasceu em Santa Cruz das Palmeiras (SP), em 15 de outubro de 1917, filha de imigrantes italianos – o pai, Thomaz, estudou agronomia. Viveu os primeiros meses na fazenda Santa Veridiana, de onde recebeu o primeiro nome, e cresceu na fazenda Paramirim, adquirida por seu pai, no município de Limeira.
Interessou-se pela fitopatologia já nesta época quando, com os irmãos e orientados pelo pai, colhia material para estudar o efeito das pragas e doenças que afetavam as plantas. Iniciou seus estudos no Collegio S. Vicenzo de Paula, na Itália, seguido pelo Colégio São José, em Limeira, e pelo Colégio Piracicabano.
Foi a primeira engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em 1937. Em 1940, ingressou como estagiária no Instituto Biológico, onde desenvolveria toda a sua carreira.

Trabalhos
Seguiu para os Estados Unidos, onde realizou, em 1947, curso de Estatística Experimental na Universidade da Carolina do Norte. Em 1951 e 1952, com bolsa da Fundação Guggenheim, estudou fisiologia de ficomicetos na Universidade da Califórnia em Berkeley.
Passou a integrar a Comissão Internacional de Phytophthora. Em 1960, com apoio da Fundação Rockefeller, visitou as estações de pesquisas em citros na Flórida e na Califórnia. A convite do governo da França e do Institut National de la Recherche Agronomique (Inra), desenvolveu programa de colaboração científica.
Foi presidente da Comissão Permanente de Cancro Cítrico de 1975 a 1977. Teve mais de 300 trabalhos publicados ou apresentados em congressos nacionais e internacionais e recebeu dezenas de prêmios e homenagens, entre os quais a Medalha Sigma Xi da Universidade da Califórnia (1952), o título de Engenheira-Agrônoma do Ano da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (1982) e o de Professor Honorário da Universidade de Flórida (1987), o Prêmio Frederico de Menezes Veiga, da Embrapa (1993) e a Medalha Luiz de Queiroz (1999). Membro da Academia Brasileira de Ciências, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo presidente da República em 2004.
No Instituto Biológico, assumiu a chefia da Seção de Fitopatologia Geral em 1957, tornando-se diretora da Divisão de Patologia Vegetal em 1968, cargo no qual se aposentou em 1987. Mesmo depois de aposentada continuou suas pesquisas junto ao instituto. O Herbário Uredinológico “c” é parte do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal do instituto. Em 1988, recebeu o título de Servidora Emérita do Estado de São Paulo.

Descoberta
Em 1987, Victória Rossetti foi convidada a identificar uma doença nova na Fazenda Ana Prata, na região de Bebedouro (SP). “Eu não sabia o que era”, diria anos mais tarde. Ninguém sabia. Aos poucos, a pesquisadora foi desvendando o mistério. Cobrindo algumas plantas com telas e comparando-as, depois, com as que estavam expostas, ela descobriu que o vetor da doença era um inseto: as plantas cobertas continuaram sãs.
No mesmo ano, a pesquisadora identificou a bactéria Xylella fastidiosa, causadora da doença a que deu o nome de clorose variegada dos citros. “Chamei-a assim porque as manchas amareladas na folha apresentam-se de forma variegada, não contínua”, disse. O sequenciamento do genoma da bactéria foi concluído treze anos depois, em um dos grandes momentos da história da ciência brasileira.

Fontes: Agência FAPESP e Comunicação ANDEF

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