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Andef questiona TV Globo a respeito do “Globo Repórter”, de 25 de março.

À
Central Globo de Jornalismo
REDE GLOBO DE TELEVISÃO:


1. Tendo em vista a edição do programa Globo Repórter, da TV Globo, exibido nesta sexta-feira, 25 de março, que pretendeu mostrar os alimentos orgânicos como “livres de contaminação e mais saudáveis e descobrir o perigo dos agrotóxicos”, a Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, principal associação representante das indústrias de defensivos agrícolas no Brasil, tendo em vista tema com essa complexidade, lamenta não ter sido consultada como uma das fontes de entrevistas, para o mesmo programa.
Da mesma forma, acreditamos que o programa deveria ter tido a cautela de esclarecer exatamente os telespectadores e a opinião pública por meio de entrevistas com membros da comunidade médica-científica especializada, que tenham opiniões diferentes sobre este tema.

2. Estabelece uma regra precípua do Jornalismo sempre entrevistar as diversas correntes de opinião acerca do mesmo assunto. Assim, deveriam consultar também especialistas como a bióloga Lúcia de Souza, doutora em bioquímica e membro da Public Research and Regulation Initiative (PRRI): “Está mais do que na hora de tomarmos a Ciência como base para indicar a combinação ideal de opções mais sustentáveis e inteligentes para a produção de alimentos, que melhor sirva para cada região e cultivo”, afirma ela.

3. “A crença de que efeitos da agricultura orgânica são mais tênues para o ambiente do que produtos químicos sintéticos presume que é melhor utilizar as variedades minerais de pesticidas naturais, a exemplo de cobre, enxofre, potassa cáustica, piretrinas, piretróides, rotenona etc. Mas o que se sabe realmente sobre a segurança de produtos químicos naturais?”, questiona a bióloga.

4. “Na verdade, há inúmeros exemplos de produtos químicos naturais que são tóxicos. Recentemente, um grupo de cientistas canadenses comparou o impacto ambiental de inseticidas sintéticos novos com o de naturais usados na agricultura orgânica para controle de pulgão em soja. Os inseticidas orgânicos testados, além de menor eficácia, tiveram um impacto semelhante ou até maior em várias espécies de inimigos naturais. Em laboratório, foram mais prejudiciais para os organismos de controle biológico em experimentos de campo e tiveram um Quociente de Impacto Ambiental maior. O estudo mostrou ainda que os defensivos agrícolas novos vêm melhorando e que nem sempre os orgânicos são ambientalmente mais ecológicos do que os convencionais. Portanto, o melhor é não  rejeitar tecnologias com menor impacto ambiental com base em suposições ou ideologias”, conclui Lúcia de Souza.

5. De fato, os alimentos orgânicos, simplesmente pelo fato de serem orgânicos, não são menos nem mais saudáveis do que os cultivados convencionalmente. A conclusão é de um estudo recente, realizado pela Agência de Padrões de Alimentos do governo britânico e publicado no American Journal of Clinical Nutrition. A pesquisa representa a maior revisão já feita sobre o tema, com 162 artigos científicos publicados nos últimos 50 anos.

6. Os autores Alan D. Dangour, Sakhi K. Dodhia, Arabella Hayter, Elizabeth Allen, Karen Lock e Ricardo Uauy concluíram que os alimentos chamados orgânicos – aqueles que utilizam fertilizantes e defensivos agrícolas não-derivados de ingredientes químicos – não têm benefícios nutricionais superiores aos dos alimentos cultivados com adubos e defensivos sintéticos. “Constatou-se que existe um número pequeno de diferenças em teor de nutrientes entre os alimentos orgânicos e os que são produzidos convencionalmente, mas que é pouco provável que elas tenham relevância em termos de saúde pública”, afirmou Alan Dangour, um dos autores.

7. Especialistas em toxicologia são unânimes em afirmar que toda substância química, sintetizada em laboratório ou mesmo aquelas encontradas na natureza – como inúmeras plantas, por exemplo, pode ser considerada um agente tóxico. O fato deste não causar problema ou vir a apresentar riscos de efeitos indesejados dependerá das condições de exposição, que incluem: a dose (quantidade de ingestão ou contato), o tempo, a freqüência etc. Assim, por exemplo, nos próprios alimentos, a vitamina D, da qual bastam pequenas quantidades para uma dieta saudável, pode ser fatal em doses muito altas.

8. O uso de agrotóxicos é seguro, atestam os pesquisadores especializados no tema. O professor-doutor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp), Ângelo Zanaga Trapé, sustenta-se em sua pesquisa de 30 anos sobre os efeitos dos agrotóxicos na saúde do agricultor e na segurança alimentar. “Em todos esses anos, não foi detectado nenhum caso de intoxicação alimentar por esses produtos; pois todos os casos foram de contaminação de trabalhadores por falta de orientação no uso dos produtos”, afirma Ângelo Trapé (reportagem na íntegra: http://migre.me/45zPR).

9. O setor de defensivos agrícolas apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo. Até a sua aprovação, os produtos são submetidos a numerosos requerimentos da legislação; sua regulamentação científica inclui comprovações de eficiência e segurança. “Acordos internacionais, tratados e convenções são firmados visando regular e apoiar o manejo responsável de agroquímicos”, destaca Bernhard Johnen, doutor em Agronomia, consultor da CropLife International e da FAO, Organização para Agricultura e Alimentação, vinculada à ONU. A indústria de defensivos agrícolas no Brasil é signatária deste regulamento.

10. No Brasil, antes do registro e de serem produzidos, os defensivos agrícolas passam por rigorosa avaliação agronômica, toxicológica e ambiental de três ministérios: da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; do Meio Ambiente; e da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. Seus técnicos especializados se dedicam, durante anos, na análise de todos os estudos exigidos.

11. Portanto, o Globo Repórter, nesta edição com tema tão importante, ao não ouvir os diversos lados interessados; ao não se preocupar em aprofundar o debate acadêmico; ao não esclarecer a população sobre a importância crucial da agricultura em colocar os alimentos saudáveis, todos os dias, nas mesas de milhões de famílias – não poderia incorrer no equívoco sensacionalista, que não é o perfil desta conceituada emissora – e, com isso, tender apenas a  espalhar, lamentavelmente, confusão e pânico injustificado entre seus telespectadores e a população.

Associação Nacional de Defesa Vegetal, ANDEF
São Paulo, 25 de março de 2011

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