Você está aqui: Home / Imprensa / Notícias / O Brasil e a força do campo – Artigo: Eduardo Leduc

Artigo publicado na revista Agroanalysis do mês de junho. 

*Eduardo Leduc

Ao se avizinhar um novo ciclo de dificuldades socioeconômicas, o alento que deve nos mover é o de que, como mostra a história mundial, muitas nações forjaram-se e cresceram sob momentos de graves desafios. Exemplo clássico é o da Inglaterra em 1688: a crise que levou à Revolução Gloriosa foi um evento transformador não apenas para a nação, mas para a Europa e o restante do mundo ao desencadear a Revolução Industrial. No Brasil, na década de 1970, a contingência dos problemas internos, acelerada pela crise mundial do petróleo, suscitou uma grande transformação: a prodigiosa Revolução Verde no campo.

Os sucessivos superávits comerciais comprovam sua eficiência: se os receios quanto à conjuntura recente da China se justificam, a competitividade do Brasil como player no mercado global da soja segue imbatível: as exportações, em volume, do complexo de soja – grãos, farelo e óleo – aumentaram 19% em relação a 2014, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), que reúne as indústrias do setor. Os resultados com milho têm sido ainda mais expressivos, pelos números e pelo fato de que esta cultura, anos atrás, restringia-se ao consumo interno: no passado, foram exportados 29 milhões de toneladas. Segundo a consultoria Brandalizze, na média dos últimos cinco anos, as exportações multiplicaram em dez vezes.

Os problemas estruturais que, sem dúvida, persistem no País – por exemplo, na educação, na segurança e na saúde – afetam, igualmente, as populações urbanas e do meio rural. Mas, é notável a nova face de centenas de municípios do Brasil afora impulsionadas pela agropecuária local. Estudo realizado pela consultoria Kleffmann revela que, entre 1991 e 2010, os municípios onde o agronegócio teve maior presença registraram alta superior à média nacional do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede três fatores: saúde e expectativa de vida; acesso ao conhecimento e educação; e padrão de vida e renda. Uma comparação reforça a importância desse desempenho: entre os 100 países líderes em IDH no ranking da ONU, o Brasil é um dos mais desiguais, devido à má distribuição de renda e ao baixo investimento em educação. Contrariando esse quadro, as cidades fincadas no campo exibiram o melhor desempenho em escolaridade nos últimos trinta anos.

A saudável interiorização do desenvolvimento é confirmada por outro levantamento, do IPC Maps, que mede o consumo em 22 categorias de produtos, em 5.570 municípios. Segundo o instituto, em 2015 o consumo dos brasileiros atingiu R$ 3,5 trilhões, dos quais um terço é absorvido pelas 27 capitais, enquanto 70% – isto é, cerca de R$ 2,4 trilhões – irrigaram as cidades do interior.

Essa contribuição estratégica deve ser considerada por governos – desde a Presidência da República e o Congresso Nacional aos governadores e prefeitos -, setores produtivos e especialistas em políticas públicas nas discussões de uma agenda para recolocar o Brasil no rumo do desenvolvimento sustentado. Um bom ponto de partida seria atentar para os virtuosos exemplos do campo.

*Eduardo Leduc é engenheiro agrônomo, responsável pela Unidade de Proteção de Cultivos da BASF na América Latina e presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

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