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Revista Feed&Food traça um panorama da iniciativa da Andef, FAO e Abag.

Não é novidade para o setor agropecuário a necessidade do aumento dos níveis de produção visando alimentar a crescente população mundial. Levantamentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, Roma/Itália), por exemplo, sugerem um crescimento de 70% dos atuais índices.

Porém, este não é um desafio exclusivo ao agro, e sim de todos. É preciso trabalho em conjunto para superá-lo, tanto em quantidade como em qualidade. Para isso, pesquisadores, empresas e lideranças das cadeias produtivas de alimentos precisam se unir aos mais diversos setores da sociedade civil.

Este foi o pensamento propagado durante o V Fórum Inovação, realizado em outubro no Museu da Imagem e Som, em São Paulo (SP), pela própria FAO em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), ambas sediadas na capital paulista.

Para garantir o futuro, será preciso aumentar a produtividade, evitar desperdícios e preservar o meio ambiente, assinala a representante da The Nature Conservancy (TNC, Rio de Janeiro/RJ) no Brasil, Suelma Rosa: “O caminho será reunir inovações tecnológicas que permitam intensificar a produção de uma maneira sustentável, que agrida menos o solo mantendo os ciclos hídricos e garanta a conservação da biodiversidade”.

TRABALHO CONJUNTO.

Por se tratar de um assunto pertinente a todos, é fundamental buscar conscientização da sociedade urbana de como o alimento chega à mesa, ou seja, tornar visível os esforços do produtor rural e de toda cadeia produtiva. “Quando se fala em agricultura, o meio urbano consegue entender perfeitamente do que se trata. Mas quando o assunto é agronegócio, a população não tem essa assimilação.

Então acaba criando uma visão de indústria de um lado e produção do outro, quando na verdade não é assim”, explica o presidente da ABAG, Luiz Carlos Correia de Carvalho, que continua: “Ao entender a questão, a sociedade passa a compreender os fundamentos e a importância de políticas públicas e a união entre os segmentos da cadeia”. “A ideia é mostrar para as pessoas da cidade o trabalho e a luta que existe para produzir alimento.

Não é uma coisa que acontece espontaneamente, existe ciência, dedicação e trabalho por trás”, completa o presidente do Conselho Diretor da Andef, João Sereno Lammel. Esta visão foi comprovada pela pesquisa “A percepção da população urbana sobre o agronegócio brasileiro”, realizada pela Escola Superior de Marketing e Propaganda (ESPM, São Paulo/SP), que aponta que 81,3% dos entrevistados das 12 principais capitais brasileiras consideram o agronegócio muito importante para a economia nacional, além de ser um setor com ampla capacidade de gerar empregos.

O coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV, São Paulo/SP), Roberto Rodrigues, afirma ser impossível nos dias de hoje não notar o destaque adquirido pelo agro: “A sociedade sempre ignorou o agronegócio, até teve certo preconceito, mas hoje, os números são evidentes: Sustentamos o País e geramos 1/3 dos empregos.

O meio urbano vem ganhando um nível de consciência quanto à atividade”. Esta nova postura da sociedade causou impactos na política do País, analisa o ex-ministro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF), refletindo em possíveis avanços na garantia da segurança alimentar. “Pela primeira vez, os candidatos à presidência da República estão procurando o setor em busca de compreender o que é preciso para criar estratégias com base na realidade, acredito que esta seja a grande novidade das eleições de 2014”, informa Rodrigues, que explica: “Os políticos precisam de voto, que é em sua maior parte urbano. A partir do momento que os políticos procuram as lideranças rurais e a academia em busca de informação para criação de programas de governo, é por que reconhecem o setor, pois a sociedade alertou sobre isso para eles, então resultará em voto”.

É PRECISO DEIXAR O DISCURSO DE LADO.

O produtor rural é disperso, difuso e em um número relativamente pequeno. Dessa forma, as políticas públicas contemplam, em sua maioria, somente uma das vertentes da segurança alimentar, o abastecimento, deixando de lado a produção, desequilibrando o processo. Além disso, muitos são os eventos que se propõe a debater a segurança alimentar, o que impossibilita o fechamento de um conceito acerca do tema. Dessa forma, esses dois fenômenos inibem o avanço de programas nacionais e globais na área, aponta o ex-ministro.

Os mecanismos de proteção por parte dos países ricos que impedem avanços da Rodada de Doha e a crescente de acordos bilaterais e multilaterais no mundo transformaram-se em ameaças aos países emergentes, aponta Rodrigues, que informa: “Hoje, 40% do comércio de alimentos no mundo se dá no âmbito desse tipo de acordo, que não segue ordens da OMC”.

Pensando nisso, Rodrigues propôs a FAO e a Organização Mundial do Comércio (OMC, Genebra/Suíça), ambas hoje dirigidas por brasileiros, José Graziano e Roberto Azevedo, respectivamente, a criação de um Grupo de Produtores, e explica: “Proponho um grupo de países com três características comuns entre eles: disponibilidade de terra, tecnologia e gente capaz.

Com um programa articulado, o grupo aumentará a produção de alimento. Mas somente isto não basta, pois, ao aumentar a produção, a renda dos produtores despenca. Desse modo, sugiro a criação de estoques globais, que serão pertencentes ao grupo e não ao país em que ele esteja localizado, acabando, dessa forma, com especulações financeiras”.

E como líder do Grupo, o Brasil precisa definir estratégias internas que se acoplem a estratégia global, tratando como prioridade a produção de alimentos. “Logística, aumento da renda do produtor, Seguro Rural e a política do preço mínimo precisam funcionar”, destaca Rodrigues.

O MAPA mantém uma política agrícola pronta, informa o coordenador de Agronegócio da FGF, o problema é a dispersão dos instrumentos políticos em vários ministérios, agências de desenvolvimento e instituições. “Não adianta nada ter uma política agrícola se os instrumentos não estão lá. O que tenho pregado é a necessidade
de uma estratégia articulada com a participação de todos os órgãos do governo sob a gerência do ministro da Agricultura”, ressalta.

Para que a estratégia funcione, o cargo de ministro da Agricultura não poderá ser uma barganha política, como nos dias de hoje, critica Rodrigues: “O MAPA acabou se transformando em uma moeda de troca política. Na realidade, o ministro não é ruim, mas a forma que ele foi escolhido sim. Foi interessante ele ter assumido tal posto pensando nas eleições, que estão chegando. Então, o MAPA virou uma moeda de troca e barata. A quem serve? Ao processo eleitoral. E os cargos da área técnica foram todos preenchidos por pessoas políticas, e isso tira a consistência do processo”.

UM HOMEM COM FOME É UM HOMEM BRAVO.

O homem com um filho com fome é um homem desesperado. Desse modo, a segurança alimentar vai
além da questão nutricional, discorre Rodrigues, é um instrumento de garantia da paz universal. O desafio é grande, mas as expectativas são positivas: “Estou torcendo. Segurança alimentar é um elemento de garantia de paz, e o Brasil tem um papel relevante nesse cenário. Daqui a alguns anos, poderá ser atribuído ao País o condão de ter mantido a paz mundial”, enaltece.

Fonte:  Revista Feed&food | Ano VII | Dezembro/2013

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