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Em artigo na Folha, economista reforça o conceito econômico, social e ambiental

Sem sustentabilidade econômica não existe sustentabilidade ambiental

Terminou um dos grandes encontros de organizações mundiais, a conferência Rio + 20, com representantes de diversos países, chefes de Estado, organizações não governamentais e empresas, discutindo as questões de sustentabilidade.

No geral ficam os parabéns ao Brasil e particularmente ao Rio de Janeiro, pois o evento funcionou e transcorreu sem grandes sobressaltos, tirando uns poucos problemas até normais considerando o volume de culturas, de grupos exóticos e as diferenças de interesses existentes entres todos.

Notou-se avanços interessantes, principalmente porque foram plantadas iniciativas por organizações privadas, públicas, cidades, Estados e Países, que trarão frutos. Estas iniciativas se materializaram através de muitos convênios, parcerias, memorandos. Também pessoas se conheceram e estabeleceram redes de contatos, que resultarão em muitas ações visando o crescimento da discussão em sustentabilidade.

Apesar do documento final ter decepcionado alguns por não conter metas quantitativas e alocações orçamentárias, vale ressaltar que sua própria existência mostra um consenso e que realmente existe a preocupação na sociedade em caminharmos para um modo mais sustentável de vida e de produção. Elaborar um documento com tantos povos e interesses é um grande desafio, houve sim êxito.

Para dizer qual a mensagem principal tirada da conferência, é preciso resgatar um conceito. A sustentabilidade vem sendo tratada num tripé que envolve os três P’s, na língua inglesa. São as palavras profit (lucro) que é a dimensão econômica, a palavra people (pessoas), representando a dimensão da inclusão, principalmente, e a palavra planet (planeta), representando a preservação ambiental. Recentemente foi adicionada proactiveness (proatividade) como uma quarta dimensão, para se ter mais dinamismo, ações e menos discurso.

A Rio + 20 deixa uma mensagem de racionalidade muito importante. Se os países, ou as organizações privadas e públicas, não acertarem o pilar da economia, que é o gerador de renda, os outros pilares, ambiental e de pessoas, que são mais de perfil distribuidor da renda gerada, não acontecerão na magnitude desejada. Ou seja, sem o pilar econômico, os outros caem por terra.

No caso do Brasil, tem-se um evidente contraste nas mensagens recebidas. Numa direção, importantes organizações internacionais dão claros sinais para que o país produza muito mais alimentos e biocombustíveis visando saciar a demanda crescente vinda da Ásia, África, Oriente Médio, entre outros locais, abrindo uma grande oportunidade de negócios e de desenvolvimento ao Brasil.

Em outra direção, organizações internacionais vindas principalmente de lugares que já usaram seus recursos para promover elevado grau de desenvolvimento, desejam que o Brasil seja o grande pilar ambiental do planeta, uma imensa floresta, deixando de usar seus recursos para expandir a produção e promover o necessário desenvolvimento social. Se esta segunda parte prevalecer, e for a economia lá e o ambiente aqui, é preciso ter uma grande compensação financeira.

A mensagem é que é necessário ser mais racional e menos emotivo e influenciável em questões que coloquem limitações ao crescimento sustentável brasileiro, como as grandes restrições ambientais vindas do código florestal, as solicitações de demarcações de vastas extensões de terras para minorias, as restrições trabalhistas que se avolumam e outros tipos de restrições colocadas diariamente para quem produz.

Sem racionalidade e levado pela emoção das influências vindas de fora e também de arcaicos grupos internos que pregam o não desenvolvimento, a obsolescência, e consequentemente a perpetuação da miséria, o Brasil corre o risco de não gerar a renda adicional necessária e para promover a distribuição de renda, inclusão e desenvolvimento social e ambiental.

Não ser racional é a principal ameaça ao desenvolvimento e expansão do agro e da produção sustentável de alimentos e bioenergia, o grande gerador da renda do Brasil, provavelmente o único negócio onde temos ampla capacidade de crescimento e inserção mundial.

MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.

Fonte: artigo originalmente publicado na Folha de São Paulo, 29/07/12.

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