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*Fábio Kagi

Recentemente, vi uma mensagem circulando na internet que me chamou bastante a atenção. A frase, em tom de desabafo, era a seguinte: “Agricultura: a arte de perder dinheiro enquanto se trabalha quatrocentas horas por mês para alimentar pessoas que acham que você está tentando matá-las”.

O fato de a mensagem ter se espalhado com considerável rapidez, principalmente no segmento agro, revela que o agricultor está cansado de ser desacreditado e de não ter o seu trabalho valorizado, tanto pela mídia, quanto pela sociedade urbana. Muito disso se deve às fake news que são disseminadas e geram alarde sem fundamento sobre alimentos envenenados com resíduos, águas contaminadas com produtos químicos, agronegócio que desmata áreas de preservação etc. As denúncias descabidas são variadas, mas colocam sempre a produção de alimentos como vilã do meio ambiente e da saúde da população.

Felizmente, na contramão do exposto acima, os dados mostram outra visão dos agricultores. Em 2013, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) conduziram uma pesquisa sobre a percepção da população brasileira sobre o agronegócio local. Nela, foi possível notar que 81% dos respondentes nas capitais brasileiras consideravam o agronegócio muito importante para a economia, com ampla capacidade de gerar empregos. Outra pesquisa, de 2017, conduzida pela Plant Project, mostrou que 96% dos entrevistados acreditavam que, caso o Brasil resolvesse assumir internacionalmente a sua vocação de país do agronegócio, seria motivo de orgulho.

Entretanto, essa segunda pesquisa mostrou, também, dados preocupantes: apesar de 65% responderem que a atividade de produção rural é moderna e inovadora, que utiliza tecnologia de ponta para aprimorar os seus processos de produção e que o produtor rural brasileiro é uma pessoa atualizada, apenas 35% afirmaram ser necessário o uso de defensivos para se obter uma produção em larga escala na agricultura.

Além do esperado desconhecimento da população urbana sobre a dificuldade de controle das pragas sem o uso de produtos químicos, provavelmente foi também ignorado o impacto sobre a economia dos danos causados pelas pragas. Dados da consultoria MB Agro indicam prejuízos potenciais da redução em 10% da produtividade nos principais cultivos do Brasil, revelando perdas da ordem de R$ 26 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), com queda de R$ 7 bilhões na arrecadação de impostos federais e outros R$ 3 bilhões em ICMS, além da capacidade de perda de 1,5 milhões de empregos, valor bastante significativo em um país que já tem 13 milhões de desempregados.

Essa visão errônea da sociedade sobre o uso de produtos químicos no combate às pragas tem origem no desconhecimento e em distorções da realidade criadas por figuras públicas que propagam informações negativas sem conhecimento aprofundado do assunto. Nesse sentido, a campanha AgroSaber visa esclarecer a sociedade sobre o tema e oferecer informações sobre a produção de alimentos e como eles chegam à mesa do consumidor no Brasil. Você pode tirar dúvidas e buscar mais informações em www.agrosaber.com.br.

*Gerente adjunto de Inovação e Sustentabilidade da ANDEF.
Artigo publicado em Junho, edição nº07, Revista Agroanalysis.

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