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Brasil e sementes de soja serão focos da Bayer nos próximos anos

O Brasil deve ocupar um papel central nos investimentos globais da Bayer CropScience, a divisão de agricultura da multinacional alemã, nos próximos anos. Um dos principais objetivos da companhia é reforçar de maneira significativa sua presença no mercado sul-americano de sementes, no qual ainda ocupa uma posição marginal.

Embora seja uma das líderes em vendas de defensivos agrícolas, a Bayer detém menos de 1% do mercado de sementes para soja no Brasil, o segundo maior produtor mundial da commodity.

“Precisamos investir em estações de teste, reprodução e processamento de sementes”, disse ao Valor Sandra Peterson, CEO da companhia, durante seu último encontro oficial com a imprensa internacional à frente da Bayer, ontem, em Monheim, na Alemanha.

Após dois anos e meio no cargo, a primeira mulher a presidir a Bayer CropScience deixará a companhia no fim de novembro para assumir uma posição estratégica na Johnson & Johnson.

Em clima de despedida, Peterson anunciou que a múlti alemã deverá investir 7 bilhões de euros nos seis anos encerrados em 2016, sendo 5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento e 2 bilhões em expansão (capex). “No que diz respeito especificamente ao aumento de capacidade, os investimentos que vamos fazer são em grande parte críticos para crescer no Brasil”, afirmou. Sem abrir números, a executiva americana afirmou que o Brasil terá ainda uma participação importante na venda de novos produtos químicos e biológicos para o controle de pragas.

Peterson lembrou que a decisão de entrar no mercado de sementes de soja foi tomada há apenas três anos – o que explica a longa distância da companhia alemã em relação a algumas de suas rivais, como a americana Monsanto, no segmento. “Até 2002, quando adquirimos a Aventis CropScience, a Bayer estava fora do mercado de sementes. Levamos cerca de cinco anos para integrar as duas companhias em um processo muito trabalhoso. Apenas depois disso começamos a investir em sementes”. Ela lembra que a Bayer é líder global em sementes de arroz, algodão e canola. “Obviamente, precisamos estar em soja”.

Segundo Rüdiger Scheitza, responsável pela estratégia global da Bayer CropScience, a empresa espera chegar até 2020 com uma participação de 15% do mercado brasileiro de sementes de soja – uma fatia 15 vezes maior do que atual. O objetivo, segundo ele, é atuar tanto na venda de sementes quanto no licenciamento de genes. Para isso, os alemães estudam a compra de pequenas e médias companhias nacionais de melhoramento genético, com o objetivo de ampliar seu banco de germoplasma. O primeiro passo foi dado há pouco mais de um ano, com a aquisição da Soytech, de Goiás. “Mas é muito claro que precisamos investir em todas as regiões para cobrir o território brasileiro”, afirmou.

Apesar da aposta em um crescimento acelerado, as primeiras variedades de soja com a presença de genes desenvolvidos pela Bayer não deverão chegar ao mercado antes de 2018. Até la, as sementes vendidas pela companhia deverão embarcar o gene Roundup Ready (que torna as plantas resistentes ao herbicida glifosato), tecnologia desenvolvida pela Monsanto e presente em quase 90% da lavouras brasileiras.

Conforme o executivo, as duas companhias têm um acordo para o desenvolvimento de variedades que combinem o gene RR com a tecnologia Liberty Link, da Bayer, que torna as plantas resistentes ao glufosinato de amônio – assim como o glifosato, um herbicida não seletivo, que mata todas as plantas em que é aplicado. A expectativa é que a variedade seja lançada inicialmente nos EUA, onde crescem os problemas com a resistência de plantas ao glifosato.

Embora largue atrás, a Bayer ainda pode brigar por um espaço significativo no mercado de sementes para soja, garante o executivo. “Não estamos focando em milho porque Monsanto e Pioneer detêm 70% do mercado e um número de ótimas tecnologias já desenvolvidas. Mas entendemos que, daqui para frente, o progresso tecnológico da soja será maior e vai gerar diversas oportunidades de crescimento”, afirma.

Aumentar a participação do negócio de sementes (com foco em soja e trigo) na receita da Bayer CropScience foi uma das principais bandeiras da americana Sandra Peterson no tempo em que se manteve à frente da companhia. A meta é que o segmento represente 20% do faturamento total até 2020. Neste ano, essa participação deve ficar em torno de 13%, dois pontos percentuais acima do registrado no ano passado. Há 10 anos, era de apenas 1%.

Peterson nega, contudo, que o futuro da Bayer CropScience seja se tornar uma empresa de sementes. “Não saberia dizer qual seria a proporção ideal, talvez 35% ou 40%, mas certamente não 80%”, disse ao Valor. Segundo ela, a agricultura demanda o uso combinado de diferentes tecnologias.

“A ideia de que essa indústria se transformaria em uma indústria de sementes se mostrou equivocada. Queremos ser uma empresa de soluções em produtos químicos, biológicos e biotecnologia. Os genes para sementes são importantes, mas não resolvem todos os problemas e, hoje, já não são um diferencial tão importante quanto há dez anos”, garante.

Apenas o mercado de produtos biológicos (microorganismos) para o controle de pragas deve triplicar, para quase US$ 4 bilhões, até 2020, estima. De olho nesse segmento, a Bayer anunciou há dois meses a aquisição da companhia americana AgraQuest, em um negócio de US$ 500 milhões. Segundo Peterson, o Brasil deve ser um dos principais mercados para a nova tecnologia, com possíveis aplicações em cana-de-açúcar, algodão, frutas e outros vegetais.

O jornalista viajou a convite da empresa.

Fonte: Jornal Valor Econômico, de 21 de setembro de 2012

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