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Técnica alia produtividade à preservação da terra.

O detalhe mais importante é que antes o campo era cultivado uma única vez no ano. Agora, depois da lavoura de soja, no mesmo período, a terra é cultivada uma segunda vez com milho ou trigo ou feijão

O Brasil padece de muitos problemas, mas o setor da agropecuária tem feito a lição de casa.

O estado de Mato Grosso está no auge da safra da soja. Em uma das propriedades, os tratores seguem logo atrás das colhedeiras plantando em uma operação quase simultânea. Na poeira da colheita, faz-se o plantio de uma nova safra.

O plantio direto é o divisor de águas da agricultura brasileira na opinião de Decio Gazzoni, pesquisador da Embrapa, ex-assessor da Presidência da República em Planejamento Estratégico de Segurança Alimentar.

No sistema tradicional de cultivo, todo ano o agricultor tem que fazer uma nova aração. Assim, o solo fica exposto por um longo período, até que a cultura a ser plantada se estabeleça.

Depois do arado, o costume é passar a grade e a lâmina niveladora. O terreno fica todo remexido, frágil e nenhuma proteção. Já no plantio direto, o preparo do solo acontece uma única vez, depois, o terreno fica sempre coberto.

O pesquisador Darci Ferrarin é um entusiasta do plantio direto. Gaúcho que migrou para o norte do Mato Grosso, ele explora quatro mil hectares de grãos no município de Sorriso.

A máquina engole os pés inteiros das plantas, separa os grãos e tritura o resto. As folhas e as ramas viram palha, que é pulverizada de volta para o chão. Imediatamente, sobre os restos da soja, as plantadeiras depositam as sementes de milho, iniciando outro ciclo de produção.

Darci conta que foi uma surpresa ver os ganhos extras que o sistema trouxe além do própósito inicial de proteger o solo.
O produtor Herbert Bartz, do município de Rolândia, no norte do Paraná, pioneiro na experiência de plantar em clima tropical, lembra que por volta 1970 a erosão era tanta que ameaçava inviabilizar a agricultura brasileira.

Com as chuvas, as camadas férteis eram arrastadas, assoreando os rios. O agricultor foi estudar o assunto com a Missão Agrícola Alemã e descobriu que na Inglaterra e nos Estados Unidos já havia uma tecnologia de preparo mínimo do solo, que passou a ser chamada no Brasil de "plantio direto".

Os primeiros resultados da técnica foram ruins, mas ele insistiu e importou equipamentos até que viu que o novo sistema gastava muito menos diesel em relação ao convencional. "Em vez de gastar dez mil litros de diesel, nós gastávamos de 3 mil a 3,5 mil litros. Era uma fantástica redução de combustível", explica Bartz.

A iniciativa atraiu a atenção do IAPAR, Instituto Agronômico do Paraná; da Embrapa e da colônia holandesa.
O produtor Herbert Bartz recorda que para evitar a armadilha da monocultura, a pesquisa propôs para o plantio direto o sistema de rotação de safras. Em uma vez é plantada a soja e na outra, o milho. Depois, repete a soja, depois o trigo e assim por diante.

A primeira área de plantio direto feita pelo produtor Herbert Bartz tinha apenas 180 hectares. Hoje, estima-se que o Brasil já tenha passado dos 35 milhões de hectares, o que representa 70% da área plantada no país.

No começo dos anos 70, um campo ocupado por uma lavoura de milho, por exemplo, dava uma média de 1,9 mil quilos. Hoje, nesse mesmo campo de milho, a produção é de seis mil quilos, em média. A soja antes dava mil quilos em média por hectare. Hoje, passa dos 3,3 mil quilos, o que quer dizer que a produção por hectare mais que triplicou.

O detalhe mais importante é que antes o campo era cultivado uma única vez no ano. Agora, depois da lavoura de soja, no mesmo período, a terra é cultivada uma segunda vez com milho ou trigo ou feijão. De onde se tirava mil quilos de grãos, hoje é possível tirar mais de 10 mil quilos por ano.

Além dos ganhos de produção, este modelo de agricultura traz também ganhos para a natureza. O impacto ainda existe, mas os danos ambientais hoje são muitos menores que os de 20, 30 anos atrás.

Fonte: Globo Natureza 27/01/13

 

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