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Alysson Paolinelli*

No momento há uma oportunidade histórica, que somente poderá ser concretizada através das firmes lideranças da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, o cientista Marcos Pontes, e de suas instituições, com a colaboração de todos os outros ministérios que tratam do desenvolvimento científico e tecnológico. Assim como por meio de nossas universidades federais, estaduais, municipais e privadas. Além disso, a indispensável presença dos estados com as suas instituições estaduais de pesquisa que ainda sobraram no infeliz desmonte ocorrido nestes últimos 40 anos.

É lógico que para completar a eficiência no desenvolvimento do projeto, a participação da iniciativa privada no ramo das pesquisas agropecuária é fundamental. O que se está propondo seria a repetição do que já se formou no Brasil em 1974 quando, a falta de competências e conhecimento amplo da ciência em seu mais alto grau forçou o Governo a desenvolver um programa de treinamento em alto nível para formação dos nossos atuais cientistas. Foram enviados 1.530 jovens aos maiores centros existentes no mundo com a tarefa de conhecerem a ciência em seu mais alto estágio, com o firme compromisso de, ao retornar ao País, aplicar este conhecimento na participação de soluções técnicas e científicas capazes não só de conhecer os biomas tropicais brasileiros, como também criar neles os princípios de uma nova agricultura tropical ainda não existente no mundo até aquela data.

Hoje temos claramente como avaliar os resultados obtidos com aquele sistema integrado de pesquisas que possibilitou à Embrapa, a grande beneficiária desta integração, obter em tempo recorde as evoluções que se faziam necessárias para dar ao Brasil o conhecimento necessário. E foi através de seus produtores que realizaram esta verdadeira revolução que retirou o País de uma incômoda dependência de importação de cerca de 1/3 do que consumia em alimentos. E em menos de 40 anos fosse transformado na maior potência alimentar do planeta com recursos naturais, conhecimentos estratégicos e capacidade de manejar estes biomas tropicais sem degradá-los, transformando-os nos mais produtivos e competitivos sistemas de produção que podem garantir ao mundo a segurança alimentar. E até mesmo no chamado ápice de sua população, que deverá ocorrer em 2050, quando seremos mais de 10 bilhões de pessoas habitando o planeta.

Esta é uma das tarefas que o nosso Fórum do Futuro tem dedicado um esforço inteligente no sentido do aproveitamento de todas as nossas competências nas mais variadas instituições em que elas estejam localizadas e, num sistema de uma rede de pesquisas, possa aproveitar integralmente toda a capacidade atual que o Brasil dispõe para provocar as inovações ainda altamente necessárias para manter a nossa capacidade competitiva nos mercados internacionais. Além deste objetivo, que é o de dar transparência e objetividade em nosso esforço científico, sejamos capazes de manter a nossa capacidade competitiva na difícil disputa científica de um mundo globalizado. E que nele o Brasil foi o único país capaz de criar as bases de uma nova agricultura tropical sustentável e não existente em qualquer parte da Terra. A verdade é que não podemos parar aí. Temos de, mais uma vez, confiar em nossa juventude científica e, num processo integrado, manter a sua capacidade geradora das inovações indispensáveis à nossa salutar competição.

Através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) chega a feliz sugestão de que em cada um dos nossos biomas é possível ser amparado por meio de um Projeto Centro de Síntese do Conhecimento da Agricultura, reunindo numa plataforma as informações da ciência do setor visando alimentar sistematicamente a sociedade com o estado da arte deste conhecimento. A ideia já vem sendo desenvolvida na França, na Alemanha e no Estados Unidos, e que em momento tão oportuno vem agora ao Brasil, como um grande produtor de alimentos que o mundo reconhece procurar aproveitar estas experiências já exitosas em países de alto grau de desenvolvimento.

O que é importante é deixar claro que o Brasil não pode perder agora, depois de tanto esforço e investimento que realizou no desenvolvimento de jovens cientistas, ser capaz de dar a eles a oportunidade de participar desta nova evolução. Temos de ter a coragem de através de uma política de Estado racional, eficiente e de oportunidades, oferecer aos nossos jovens cientistas a oportunidade de se reorganizar, integrar, racionalizar e dar um objetivo ou foco no conhecimento que ainda necessitamos.

*Engenheiro agrônomo, produtor, presidente-executivo da Abramilho e ex-ministro da Agricultura.

Artigo de opinião publicado na coluna “Na Hora H” da revista A Granja, nº845, ano 74.

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