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Agricultura empresarial e familiar se complementam, diz FAO.

Eliminar a fome do mundo e a extrema pobreza até 2015, bem como alavancar a produção de alimentos em 70% até 2050. Estes são dois dos objetivos da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. O primeiro foi estabelecido quando a ONU trabalhava nas metas do milênio. O segundo é uma estimativa da FAO de quanto a produção agrícola tem que aumentar em decorrência do crescimento populacional.

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E o Brasil tem um papel chave neste contexto: “Não só pela produção de commodities agrícolas e de alimentos, mas também pelo sucesso no combate à fome e à pobreza no mundo”, afirma Hélder Mutéia, moçambicano que representa a FAO no Brasil.

O bom desempenho do Brasil nesse último item está vinculado às políticas de apoio ao pequeno agricultor. “70% da população mais pobre e vulnerável vive da agricultura familiar. Logo, a agricultura é o que melhor sabem fazer e é o caminho para se libertarem da pobreza. Como temos o desafio de produzir mais e melhor, o setor familiar tem um grande potencial de crescimento”, diz Mutéia.

E quanto aos médios e grandes fazendeiros? A visão da FAO é de complementaridade. “Se por um lado a agricultura empresarial garante o volume de alimentos que gera o equilíbrio da balança alimentar, a agricultura familiar está mais voltada para a diversificação”, ressalta.

Para certas intervenções no campo, o setor familiar é privilegiado porque tem mais carências tecnológicas e organizacionais. “Mas a FAO trabalha também para melhorar o quadro legal relativo ao setor agrícola, promove a pesquisa dos mais variados níveis, tratados e acordos regionais e globais, além de disponibilizar informações tecnológicas, estatísticas e econômicas de grande valia para os agricultores”, conta Mutéia.

O foco da FAO é cooperar para o desenvolvimento de políticas públicas para a agricultura. No Brasil, ela apoia os seguintes programas: Segurança Alimentar, Cooperação Sul-Sul, Superação da Pobreza Extrema e Gestão Sustentável dos Recursos Naturais, além do Programa Mudança do Clima e Desertificação. Além disso, tem ação em projetos estratégicos de vários ministérios.

“Somos parceiros do Programa Fome Zero, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDA). Também apoiamos o Programa Nacional de Gestão Ambiental Rural, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA)”, relata Mutéia.

Com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a parceria é no Programa de Áreas Degradadas na Amazônia (Pradam) e em iniciativas regionais e subregionais vinculadas à Sanidade Animal, Proteção Vegetal, Biocombustíveis e Segurança Alimentar. Outro ponto central é o acesso às novas tecnologias.

“A própria adoção de tecnologia exige investimento que, nem sempre, o agricultor está preparado para enfrentar, e mesmo que esteja, existe o componente do risco”, ressalva Mutéia. Por isso a ênfase na criação de políticas públicas que promovam o acesso a tecnologias, ao crédito, aos mercados, ao seguro agrícola e aos recursos naturais como a terra e a água para irrigação e suprimento para o gado. Enfim, os esforços para promover o desenvolvimento e alimentar uma população mundial em crescimento.

Fonte: SouAgro

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