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*Anton Gora

Conceito: desde que o homem começou a praticar a agricultura, começou a desequilibrar a natureza. O simples fato de se plantar uma alface já desequilibra o meio ambiente, pela interferência da pessoa humana. Plantar não é uma coisa natural. Lembramos que nos tempos primitivos o homem vivia da caça e pesca. O homem começou a plantar depois de deixar de ser nômade e se fixar em lugares por ele escolhidos.

Quando se cultiva uma planta, se desequilibra a  natureza. Ela reage tentando matar essa planta, através do ataque de fungos, bactérias e/ou  pragas. O fungo não consegue se instalar em matéria verde, tecidos vegetais vivos, por ser saprófito. Por isso, o fungo tem que primeiro matar o  tecido  verde da planta para depois se instalar e se alimentar. Quando o esporo do fungo chega na planta, através do vento, chuva, ele emite uma toxina para matar a parte verde da planta e depois se instala no tecido morto. No entanto, essa toxina permanece na planta e quando essa é consumida pelo homem, a pessoa ingere também a toxina, que pode ser muito prejudicial à saúde. Falamos aqui de folhosas, como alface ou frutos, o tomate ou frutas de todas as espécies.

Por isso, devemos ter o maior cuidado no consumo de produtos orgânicos. Precisamos saber a sua origem, sua forma de cultivo, ver se tem lesões provocadas por microrganismos. A ciência até hoje não conhece totalmente o funcionamento de todas as toxinas. Não conseguindo mensurar os danos causados ao homem. Mesmo porque o estudo em pessoas é complexo e muitas vezes os problemas não se manifestam, ou seja, os sintomas não são percebidos. Sabemos que as micotoxinas causam grandes prejuízos quando presentes em rações, onde são encontradas, muitas vezes, em grande quantidade, podendo causar desde intoxicação até problemas sérios de reprodução.

Pelo contrário, quando se usa defensivos agrícolas, as plantas ficam livres desses fungos e bactérias, sendo totalmente saudáveis ao serem consumidos. Sobre os defensivos agrícolas, existe um vasto conhecimento sobre a formula, a forma de atuação, o resíduo na planta, a degradação, a sua decomposição e também, em caso de acidente, o tratamento médico adequado. Novos defensivos são pouco tóxicos e podem até ser naturais. Os defensivos agrícolas até hoje só trouxeram benefícios ao homem, desde que bem usados.

Antes do evento dos defensivos, a idade média dos homens não passava dos 40 anos. Hoje o homem vive praticamente o dobro. No Japão, país que mais consome defensivos no mundo, tanto em termos nominais como per capita, a idade média das pessoas já passa dos 100 anos. O Brasil fica apenas em sétimo lugar no consumo de defensivos, apesar de ser um país tropical e ser um dos maiores produtores de grãos do mundo, sem falar na produção de proteínas, animais e frutas.

Além disso, o Brasil tem a legislação mais rígida do mundo para o registro de defensivos, aplicação e preservação do meio ambiente. Os países que mais consomem defensivos são Japão, Estados Unidos, França, Alemanha, Rússia, Holanda e depois Brasil.

Os defensivos agrícolas são os remédios das plantas. Imaginem se fossem proibidos os remédios no mundo. Estima-se que 90% da população iria perecer. A mesma coisa ocorreria se fossem eliminados os defensivos agrícolas. Estima-se que 90% da população morreria de fome, pela falta de alimentos. É impossível a produção em grande escala de hortaliças e grãos sem defensivos.

Os defensivos podem ser aplicados de diversas formas, mas sempre é necessário que um técnico especializado identifique o problema, faça uma recomendação através de receita e o produtor aplique o defensivo dentro das melhores técnicas de aplicação. As técnicas podem ser facilmente aprendidas através de cursos de especialização.

A aplicação pode ser feita de diversas formas. Assim como se aplicam remédios nas pessoas, via oral, via intravenosa, podem ser aplicados os defensivos, via terrestre ou via aérea. O defensivo agrícola junto com o remédio é hoje o maior aliado do homem.

Nem orgânico, nem químico, o meio termo e o bom senso são o melhor caminho.

*Diretor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), diretor do Sindicato Rural de Guarapuava e presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos Rurais do Centro-Sul do Paraná

Artigo publicado na Revista do Produtor Rural do Paraná – Guarapuava. 

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