Você está aqui: Home / Imprensa / Notícias / Produzir mais com menos recursos

Entrevista com Laércio Giampani, presidente da Syngenta

É essa exigência mundial que norteia a Syngenta do Brasil, segundo seu presidente, Laércio Giampani

Por Béth Mélo

&quote;Produtos para proteção de cultivos, com ação inovadora, e mais opções em sementes e biotecnologia são algumas novidades que a Syngenta do Brasil preparou para o mercado, na safra 2012/2013, segundo o engenheiro agrônomo Laércio Valentin Giampani,
50 anos, presidente da empresa.
Principal executivo da companhia, que chama para si a liderança mundial em proteção de cultivos, Giampani destaca, entre outros assuntos abordados, a sustentabilidade e a
importância estratégica da agricultura brasileira para atender o aumento da demanda mundial
por alimentos.
Confira, a seguir, entrevista exclusiva para o Agro Guia, desse paulista de Itajobi que também acumula as funções de presidente do Sindag (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para
Defesa Agrícola) e de vice-presidente do Conselho de Administração da Andef (Associação
Nacional de Defesa Vegetal).

Agro Guia – Como a Syngenta vê o  papel do Brasil como grande produtor de alimentos no futuro?
Laércio Valentin Giampani – A população mundial, hoje, é de 7 bilhões de pessoas e, em 2050, a previsão é que chegue a 9 bilhões. A demanda por alimentos exigirá um aumento de 70%. Diante desse quadro, que também prevê que 6 bilhões de pessoas viverão em cidades, países como o Brasil, que têm importância agrícola incontestável, principalmente em culturas como soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar, assumem uma responsabilidade natural
e estratégica para contribuir com o desenvolvimento e a implementação de soluções adequadas para a necessidade de produzir mais alimentos em menos espaço, com menor uso dos recursos naturais. No País, além de uma margem disponível para ampliar a área plantada,
também há bastante espaço para aumentar a produtividade.

Agro Guia – Milho, soja e algodão. Como o senhor analisa a situação dessas
culturas no agronegócio brasileiro?
LG – O momento para soja brasileira é excelente e a área de plantio, na próxima safra, deve expandir ainda mais. Com os produtores capitalizados em razão dos altos preços, o uso intensivo e tecnologia de ponta deve continuar e, consequentemente, a produtividade
também cresce. O futuro próximo da cultura dependerá de como os problemas climáticos recentes que estão afetando a safra americana irão evoluir. No entanto, o preço deve continuar em um patamar alto.
O milho brasileiro também foi impactado pela seca americana. Este ano, a segunda safra ampliou a importância e a participação e deve novamente bater recordes de produção. Outra
característica a ressaltar é a rápida taxa de adoção de tecnologia. Hoje, cerca de 70% do milho produzido no País é oriundo de sementes geneticamente modificadas. Mas ainda há bastante espaço para aumentar a produtividade dessa cultura, especialmente se comparada com os Estados Unidos, o maior produtor mundial.
Já o algodão, que é particularmente importante para o segmento de proteção de cultivos, passa por um momento mais desafiador no Brasil. Os cotonicultores enfrentam os baixos preços da commoditie, o que coloca a cultura em uma situação bastante distinta da
soja e do milho. O momento delicado deve perdurar pelo menos até a próxima safra, para a qual já há previsões de redução da área plantada.

Agro Guia – Qual é a tendência mundial no que diz respeito ao manejo e trato das lavouras, visando ao aumento da produtividade?
LG – Uma das tendências é a necessidade de adaptação às mudanças e fenômenos climáticos que estão cada vez mais intensos e frequentes. A agricultura é impactada tanto positivamente
quanto negativamente, mas, no balanço geral, se nada for feito, esse cenário trará mais perdas. Uma das frentes, na Syngenta, é o desenvolvimento de variedades e híbridos com
maior tolerância e resistência à seca e que sejam adaptados às características de cada região produtora.

Agro Guia – Novas moléculas, controle integrado e produtos biológicos e transgênicos. Qual é o foco da empresa?
LG – A estratégia global da Syngenta está focada na integração de tecnologias para oferecer
soluções mais simples e completas. Nesse sentido, unificamos os negócios de proteção
de cultivos, tratamento de sementes, sementes e biotecnologia, levando soluções integradas para os produtores. Todas as áreas de nossa estrutura de Pesquisa e Desenvolvimento trabalham em conjunto para obter tecnologias integradas desde a sua concepção, por meio de nossa expertise em biociência, química, genética e agronomia.

Agro Guia – Qual é a importância do Brasil para a Syngenta?
LG – Por causa da relevância estratégica do Brasil para a agricultura mundial, e por essa atividade representar a razão de ser e a maior competência da empresa, nossa relação com o País é profunda, consistente e marcada por uma confiança absoluta no futuro. No exercício 2011, por exemplo, os resultados foram excelentes, para o Brasil e para a Syngenta: a safra foi
recorde, o agronegócio conquistou espaço na balança comercial e os trabalhadores não só ganharam mais postos, mas tiveram seus rendimentos aumentados. A estratégia para consolidar nossa liderança e para manter o crescimento acima do mercado é o investimento em soluções caracterizadas pela eficiência e sempre de forma integrada. Queremos pensar como o produtor para entender de fato as suas necessidades e, a partir desse ponto, buscarmos as soluções que têm contribuído para incrementar a produtividade, com qualidade e
sustentabilidade, e os agricultores têm sido beneficiados pelo aumento de rendimento
.
Agro Guia – Para a Syngenta, a Sustentabilidade, como modelo de desenvolvimento, é…
LG – Sustentabilidade, para a Syngenta, é, como já ressaltei, produzir mais com menos e contribuir para que a oferta de alimentos seja suficiente para atender o incremento constante da demanda mundial. Nosso desafio é criar todas as condições para gerar produtividade e valor com o menor impacto ambiental. É por esse motivo que participamos ativamente da elaboração de documentos como Nova Visão para a Agricultura, lançado em 2009, no Fórum Econômico Mundial, Vision 2050, do World Business Council for Susteinable Development, e
Visão Brasil 2050, uma contribuição específica do empresariado brasileiro para as propostas globais do Vision 2050. Outros exemplos práticos de nossa visão sustentável para a agricultura são o Projeto Centro Sul de Feijão e Milho, que já beneficiou cerca de 2,2 mil famílias de agricultores no Estado do Paraná, e o Projeto Minor Crops, por meio do qual a Syngenta atua em parceria com o governo brasileiro no sentido de obter registros de defensivos agrícolas para uma série de culturas desenvolvidas em propriedades pequenas e que contam com
suporte fitossanitário insuficiente. Também estamos atentos às oportunidades de minimizar os impactos ambientais de nossas operações, com metas e programas globais e locais para diminuir a geração de resíduos e a emissão de gases do efeito estufa, maximizar a eficiência
do uso da água e conservar os recursos hídricos e do solo.

Agro Guia – Fale sobre as novidades da Syngenta para o mercado.
LG – Em 2011, o investimento global da empresa em P&D foi de, aproximadamente,
US$ 1,2 bilhão. Para esta safra, teremos novos produtos em proteção de cultivos, com modos de ação também inovadores, mais opções em sementes e biotecnologia e novidades em tratamento de sementes. Nossa estratégia de oferecer soluções integradas será incrementada em todas as frentes. 
Para a cultura do milho, a safra 2012/2013 contará com uma variedade de híbrido hiperprecoce do segmento de alto investimento, adaptado à Região Sul. Com ciclo muito rápido, permitirá que o produtor faça até duas safras, no verão, sem perda de produtividade em comparação aos híbridos de ciclo mais tardio. Para a soja, os destaques são três variedades para o Sul e cinco para o Cerrado. Outra novidade é o Nucoffee Best of Brazil 2012 Cupping, que será realizado em San Francisco, EUA, dia 27 de novembro. Trata-se do nosso programa de valorização de cafés de qualidade do Brasil, no mercado externo e que envolve produtores, cooperativas, torrefadores e, como consequência final, o consumidor. Levaremos pelo menos 15 amostras de cafeicultores brasileiros, clientes do programa, para apresentar a 50 torrefadores americanos. Os Estados Unidos são o principal mercado para o café de qualidade e o impacto dessa apresentação terá, portanto, alcance mundial. Essa iniciativa é fundamental para a inserção do café brasileiro de qualidade no exterior, pois é raro que torrefadores de fora possam vir ao Brasil.

 

ANDEF. Avenida Roque Petroni Júnior, 850 . 19º andar . Torre Jaceru . Jardim das Acácias . CEP: 04707-000 . Tel.: 55 (11) 3087-5033 - (Mapa) Desenvolvido por UAU!LINE.