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Financial Times discutiu, em Londres, os desafios de uma agricultura sustentável

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) é uma das entidades do agronegócio brasileiro que participaram, ontem, 29 de março, em Londres, de seminário do jornal britânico Financial Times sobre o Brasil e os desafios de uma agricultura sustentável num contexto de crescente demanda por alimentos. O evento foi uma promoção conjunta com a embaixada do Brasil no Reino Unido. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, autoridades agrícolas da União Europeia, líderes de setores chave do agronegócio brasileiro, representantes de ONGs e a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), participaram dos debates.

O seminário debateu o posicionamento do Brasil frente aos novos desafios da sustentabilidade. O país, que há 30 anos era importador de produtos agrícolas, tornou-se, nas duas últimas décadas, um celeiro de alimentos para o mundo, destacando-se, quando não na liderança, nos primeiros três lugares do ranking exportador mundial de várias commodities. Ao mesmo tempo, é alvo de críticas de entidades da sociedade civil, que consideram que o Brasil, como potência emergente, está exaurindo seus recursos naturais para manter o status de potência agrícola. Setores do agronegócio brasileiro, como o de carnes (bovina e de aves), o de açúcar e álcool, o de laranja e o de soja, mostraram suas iniciativas e políticas adotadas para enfrentar os desafios de uma agricultura sustentável.

Ser potência agrícola é um status compatível com a preservação do meio ambiente, sobretudo do bioma Amazônia. Esse foi o enfoque da apresentação de Fabio Trigueirinho, secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). Após a palestra, ele debateu com dirigentes das ONGs IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e Greenpeace.

Brasil, transparente na comunicação – Trigueirinho afirmou ainda que o Brasil é muito mais transparente na comunicação e divulga, inclusive, listas de desmatadores e empregadores que praticam condições degradantes de trabalho na internet. Entretanto, com frequência as críticas são exageradas, e as exceções são divulgadas como se fossem regra.

O Brasil é identificado como um grande desmatador, apesar de deter um quinto das reservas florestais do mundo. Na América Latina estão 35% das matas remanescentes, na América do Norte, 28%, no norte da Ásia, 19%, na região do Pacífico Sul, 7%, na África, 8%, e na Europa, 3%.

A governança pública melhorou substancialmente nos últimos cinco anos. O país desenvolveu um conjunto de ferramentas eficientes de comando e controle: um sistema de detecção de desmatamento e incêndios em tempo real, legislação ambiental e social ampla com punições rigorosas, listas de áreas embargadas do Ibama, cadastro ambiental rural e coordenação das ações de fiscalização.

Fabio Trigueirinho falou também sobre a queda acentuada do desmatamento no Bioma Amazônia, nos últimos anos, e ações de sustentabilidade da cadeia da soja, entre elas, o Pacto da Moratória da Soja e o Programa de Gestão Econômica, Ambiental e Social (Soja Plus).

“Agora a agenda mudou. O produtor rural brasileiro se transformou em um prestador de serviços ambientais e precisa ser remunerado pelos seus ativos. O esforço extra do produtor rural brasileiro para conservar florestas e a biodiversidade do planeta precisa ser estimulado, por exemplo, por meio do pagamento dos créditos de carbono, para viabilizar economicamente a produção com a conservação ambiental”, enfatizou.

A União Europeia, um dos principais exportadores agrícolas mundiais, fez, no seminário, a sua leitura sobre os programas brasileiros de sustentabilidade. Esses comentários foram apresentados por John Clarke, da Direção Geral de Agricultura & Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abiove

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