Sociedade Rural Brasileira

 

 

PLANO AGRÍCOLA
PLANO AGRÍCOLA
2002/2003

 

 

 

SÍNTESE DAS MEDIDAS

 

 

São Paulo, julho de 2002

 

SÍNTESE DO PLANO AGRÍCOLA E PECUÁRIO
2002/2003

1. FINANCIAMENTO RURAL

»      PROGRAMAÇÃO GLOBAL DE RECURSOS PARA 2002/2003

Os recursos a serem colocados à disposição dos produtores no ano agrícola 2002/2003 deverão alcançar um montante de R$ 21,7 bilhões, o que significa um acréscimo de 26% sobre o concedido na safra anterior.   Esse montante corresponde ao fluxo de aplicações – empréstimos, retornos e reempréstimos –, ao longo do ano agrícola, de uma disponibilidade total (estoque de recursos) de R$ 18,95 bilhões, ou seja, 28,9% acima da safra passada. Considerando somente os recursos a juros de 8,75% ao ano, estes serão elevados para R$ 13,55 bilhões, contra R$ 11,45 bilhões no ciclo anterior.  Isto representa um incremento de 18,3% em relação à programação do ano agrícola passado e mais de 67% se a comparação cobrir dois anos.

Nestes valores não estão incluídos os montantes destinados aos programas de financiamento da agricultura familiar.

PROGRAMAÇÃO/APLICAÇÃO DE RECURSOS

2001/2002 E 2002/2003

 

»    LIMITES DE FINANCIAMENTO (CUSTEIO E EGF)

Os limites do crédito de custeio e do EGF, por tomador e cultura, são os da tabela abaixo. À exceção do café, que teve o seu teto aumentado de R$ 60 mil para R$ 100 mil, os demais permanecem inalterados em relação à safra anterior.

PRODUTOS

LIMITES

 

Culturas de Sequeiro

Culturas Irrigadas

Algodão

R$ 400 mil

R$ 400 mil

Amendoim

R$ 150 mil

R$ 150 mil

Arroz

R$ 150 mil

R$ 300 mil

Café

R$ 100 mil

R$ 100 mil

Feijão

R$ 150 mil

R$ 300 mil

Fruticultura

R$ 150 mil

R$ 150 mil

Mandioca

R$ 150 mil

R$ 300 mil

Milho *

R$ 250 mil

R$ 300 mil

Soja - Regiões Centro-Oeste, Norte, sul do MA, PI e BA

R$ 200 mil 

R$ 200 mil

Soja - Demais Regiões

R$ 150 mil

R$ 150 mil

Sorgo

R$ 150 mil

R$ 300 mil

Custeio Pecuário e demais culturas

R$ 60 mil

R$ 60 mil 

                        * Milho: independe dos limites de outras culturas

»     PROGER RURAL - Programa de Geração de Emprego e Renda

Os recursos próprios dos Bancos Cooperativos e os provenientes do  Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT destinados a financiamentos agropecuários, por intermédio do PROGER RURAL, serão direcionados, a partir desta safra, a um contingente maior de produtores.   Para tanto, passam a ser contemplados os produtores que detêm área de até 15 módulos fiscais e renda bruta anual de até R$ 60 mil, em lugar dos limites anteriores, de 6 módulos fiscais e R$ 48 mil de renda bruta. Serão destacados, para estes empréstimos, recursos superiores a R$ 1 bilhão, para financiar operações de custeio e investimento

»    APOIO À COMERCIALIZAÇÃO E ESTOCAGEM DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

Foi autorizada a utilização de recursos das exigibilidades bancárias para desconto de Notas Promissárias Rurais - NPR e Duplicatas Rurais – DR de suínos. Para frutas e camarão, que contavam com esse benefício apenas por um período do ano, as operações ficam autorizadas ao longo de todo o ano. No caso do leite e seus derivados, que contavam com esse benefício em caráter temporário, foi autorizada sua implementação em caráter permanente, incluindo o financiamento para a compra de Cédulas de Produto Rural – CPR.

»     CADERNETA DE POUPANÇA RURAL

A partir da safra 2002/2003, 40% dos recursos da Caderneta de Poupança Rural obrigatoriamente aplicados na agricultura – e que até agora atendiam somente a produtores e cooperativas – passam a beneficiar também as agroindústrias, financiando a comercialização, o beneficiamento ou a industrialização de produtos de origem agropecuária ou de insumos utilizados na atividade.  Estes financiamentos, que poderão atingir o montante de R$ 2,5 bilhões, serão emprestados a taxas de juros livremente pactuadas entre as partes.

 

2. PROGRAMAS DE INVESTIMENTO COM RECURSOS DO BNDES

A estratégia básica do Governo para o Plano Agrícola e Pecuário do ano-safra 2002/2003 continua a ser, cada vez mais, ampliar e tornar mais eficientes as linhas de crédito de investimento para setores específicos, estimular o aumento da produtividade, dar mais competitividade para a agricultura e desenvolver novas ações de apoio à pecuária. 

Para tanto, o montante de recursos destinados ao crédito de investimento a juros de 8,75% ao ano, com recursos do BNDES, foi elevado para R$ 2.830 milhões, que representa um acréscimo de 22,5 % sobre os R$ 2.310 milhões alocados no ano-agrícola anterior.

Somando-se os recursos dos Fundos Constitucionais, PROGER Rural e FINAME Especial, serão destinados R$ 4.630 milhões para investimento na agropecuária brasileira em 2002/2003.

2.1 FINAME ESPECIAL

Os financiamentos de investimento por intermédio desta linha de crédito continuam à disposição dos beneficiários do crédito rural e também das empresas de armazenagem agrícola, frigoríficos e beneficiadoras de pescado, sementes e mel, entre outras.

São financiáveis os seguintes itens: aquisição, manutenção ou recuperação de máquinas, tratores, colheitadeiras, equipamentos e implementos agrícolas, inclusive plantadeiras destinadas ao plantio sob a técnica de “plantio direto”, sistemas de irrigação, ordenhadeiras mecânicas, tanques de resfriamento e homogeneização de leite, máquinas e equipamentos para avicultura, armazéns agrícolas, suinocultura, beneficiamento ou industrialização de frutas e de produtos apícolas e para unidades de beneficiamento de sementes, implantação ou modernização de frigoríficos com atuação em âmbito municipal ou estadual e beneficiamento e conservação de pescados oriundos da aqüicultura.

Para produtores e cooperativas de algodão, a partir deste ano, passa a ser permitido o financiamento de equipamentos de beneficiamento do produto.

 

   2.2 AJUSTES NOS PROGRAMAS EM ANDAMENTO

Serão destinados, nesta temporada, R$ 2.060 milhões para a continuação de programas de investimento específicos para regiões e atividades consideradas prioritárias nas safras anteriores, à taxa de juros de 8,75% a.a.

Para 5 dos programas lançados em safras anteriores, ocorrerão ajustes, sumarizados abaixo, que visam adequá-los às necessidades dos agricultores:

 

»    AQUICULTURA - Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Aqüicultura

Este programa terá seu limite de financiamento aumentado de R$ 80  mil para R$ 150 mil por beneficiário/ano e passará a amparar a todas as espécies cultivadas;

 

»     PROAZEN - Programa de Armazenagem na Propriedade Rural

Para melhor atender aos produtores que desejam equipar suas propriedades para enfrentarem com mais eficiência o período de comercialização, este programa também terá seu limite de financiamento aumentado de R$ 100 mil para R$ 300 mil por beneficiário/ano.

 

»     PROLEITE – Programa de Incentivo à Modernização, ao Resfriamento e ao Transporte Granelizado da Produção de Leite

Tendo em consideração a crescente importância do desenvolvimento da atividade para enfrentar os desafios da concorrência, os financiamentos do PROLEITE conterão, a partir desta safra, entre os itens financiáveis, a construção de instalações para silagem.

 

»     SISVÁRZEA - Programa de Sistematização de Várzeas

Visando a atender às necessidades de produtores localizados fora da metade sul do Rio Grande do Sul, que cultivam ou desejam aperfeiçoar o cultivo em várzeas, este programa passará abranger todo o território nacional a partir deste ano-safra.

 

»     PROPASTO – Programa Nacional de Recuperação de Pastagens Degradadas

O PROPASTO é um dos programas que tem tido um bom desempenho entre os criadores e, objetivando cobrir um maior número de itens financiáveis, passa a contemplar também as operações de destoca, energizadores de cercas e construção de saleiros.

 

2.3 NOVOS PROGRAMAS DE INVESTIMENTO

 

O Governo aplicará R$ 770 milhões, em 2002/2003, em novos programas de apoio a atividades e produtos estratégicos para a modernização e aumento da competitividade da agropecuária brasileira.  Os novos programas, financiados com recursos do BNDES, são os seguintes:

 

»     PROIRRIGA - Programa de Apoio à Agricultura Irrigada

Serão destinados R$ 200 milhões para apoiar o desenvolvimento de projetos de irrigação, econômica e ambientalmente sustentáveis. Os beneficiários terão um limite de crédito de R$ 250 mil por beneficiário/ano, podendo financiar a implantação, renovação ou reconversão de sistemas de irrigação, incluindo as obras de infra-estrutura associadas ao empreendimento. O prazo será de até 8 anos, com até 3 anos de carência.

 

»     PROPFLOR - Programa de Plantio Comercial de Florestas

O Brasil corre o risco de tornar-se, ainda nesta década, importador líquido de madeira. Objetivando atender a essa demanda e também os produtores que queiram recompor sua reserva legal, o governo está disponibilizando uma linha de crédito de R$ 60 milhões para o plantio de florestas, principalmente para uso industrial.  Os produtores terão limite de financiamento de R$ 150 mil por beneficiário/ano e prazo de até 12 anos para quitarem o empréstimo, devendo o pagamento da 1ª parcela ser efetuado até 6 meses após o 1º corte, limitado a 8 anos.  Para tornar o empreendimento mais viável sob a ótica bancária, os juros devidos no prazo de carência poderão ser exigidos nas datas aprazadas, em vez de capitalizados. Admitir-se-á o financiamento do custeio associado ao projeto de investimento, para cobrir gastos relativos a manutenção no 2º, 3º e 4º anos, até o limite de 35% do valor total do investimento

 

»     PRODECOOP - Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de valor à produção Agropecuária

Ao contrário dos demais programas, que têm no produtor rural seu foco principal, este programa objetiva incrementar a competitividade do complexo agroindustrial das cooperativas agrícolas, mediante a modernização de seus sistemas produtivos e de comercialização.  O governo destinará R$ 250 milhões para essa finalidade, com um limite de R$ 20 milhões por cooperativa. Os juros serão equivalentes ao do Moderfrota de grandes produtores, isto é, 10,75% ao ano. O prazo de pagamento será de até 12 anos, com até 3 de carência. O BNDES deverá definir os tipos de investimento que serão priorizados nessa linha de crédito, devendo dar preferência a investimentos que propiciem o aumento do valor agregado nas exportações das cooperativas.

 

»     PROCACAU - Programa de Apoio a Cacauicultura

Serão destinados R$ 230 milhões para apoiar a recuperação da lavoura cacaueira por meio de clonagem e adensamento. O financiamento será de R$ 2,3 mil/ha, até o limite de R$ 200 mil por beneficiário/ano.  Este programa substitui o Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira Baiana criado para renovar as plantações atingidas pela doença “Vassoura de Bruxa”.

 

»     Programa de Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal

Este programa, que entrará em funcionamento a partir de 2003, visa a financiar a reposição de animais abatidos por motivos sanitários.  Para tanto serão destinados R$ 30 milhões para a compra de matrizes bovinas.

 

3. RESUMO DOS PROGRAMAS DE INVESTIMENTO

O quadro a seguir resume as principais características dos programas de investimento, novos e em operação, à disposição da agropecuária (financiados com recursos próprios dos Bancos Cooperativos, do BNDES, e do FAT).


 
PROGRAMAS DE INVESTIMENTO - RESUMO

PROGRAMA

ABRANGÊNCIA

RECURSOS

LIMITES POR BENEFICIÁRIO / ANO

PRAZO DO FINANCIAMENTO

 

 

Em R$ Mil

Em R$ Mil

 

MODERFROTA

 
Todo o país
 

1.000.000

De acordo com a renda *

De acordo com o bem financiado **

CACAUICULTURA

230.000

200

 

AGRICULTURA IRRIGADA

200.000

250

 

FRUTICULTURA

100.000

100

 

PROGER RURAL

 

100.000

42 individual

210 Coletivo

até 8 anos,  com até 3 de carência 

ARMAZÉM NA PROPRIEDADE

Todo o país

100.000

300

 

OVINO-CAPRINOCULTURA

40.000

40

 

PROPASTO

360.000

150

 

PROSOLO

200.000

80

 

PROLEITE

100.000

60

 

 

AQUICULTURA

 

70.000

150

até 5 anos, com até

2 de carência

 

ERRADIC. BRUCELOSE E TUBERCULOSE

30.000

A definir

 

 

FLORICULTURA

20.000

50

 

 

SISTEMATIZAÇÃO DE VÁRZEAS

10.000

40

 

 

APICULTURA

10.000

20 Individual

150 Coletivo

 

 

PRODECOOP

250.000

20.000

até 12 anos, com até

3 de carência

 

PLANTIO DE FLORESTAS

60.000

150

até 12 anos

(carência: 1º corte + 6 meses)

 

CAJUCULTURA

Nordeste

30.000

40

 até 8 anos, com até

 

VITIVINICULTURA

RS, SC, PR

20.000

100

  3 de carência

 

TOTAL

 

2.930.000

 

 

 

Limite por beneficiário/ano: Renda até R$ 250 mil = 100% do valor do bem financiado;

 Renda maior que R$ 250 mil = 90% do valor do bem financiado

 

 

**Prazo de Financiamento: Até 6 anos para tratores e implementos; Até 8 anos para colheitadeiras

 

4. PREÇOS MÍNIMOS 2002 - 2003

Os preços mínimos de vários produtos tiveram correções significativas, principalmente aqueles que, como o milho, ficaram defasados durante o período em que estiveram atrelados ao valor das dívidas securitizadas. Isso revela a preocupação do governo em sinalizar adequadamente aos produtores, antes do início do plantio da safra de verão, as perspectivas de mercado para a safra 2002/2003. Cabe destaque para os reajustes concedidos para o milho (entre 18% e 28%), arroz (de 8% a 13%) e algodão (12%). Outra novidade é a divulgação antecipada dos preços mínimos também para as regiões Norte e Nordeste o que, habitualmente, só acontecia a partir do último trimestre do ano. No caso do arroz longo fino das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste (exceto Mato Grosso) houve mudança no tipo básico do preço mínimo, que passa a ser o tipo 1 (antes era o tipo 2), mais representativo da produção dessas regiões.

PREÇOS MÍNIMOS SAFRA 2002/2003 – RESUMO

PRODUTOS

UNIDADE

PREÇO MÍNIMO (R$1,00)

 

Var.

ANTERIOR

APROVADO

%

 

 

 

 

 

 

ALGODÃO EM CAROÇO (Brasil)

15 kg

9,00

10,08

12,00

ALGODÃO EM PLUMA (Brasil)

15 kg

30,32

33,90

11,81

CAROÇO DE ALGODÃO (Brasil)

15 kg

1,78

1,78

0,00

ALHO

 

kg

 

 

 

  Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste

1,30

1,55

19,23

ARROZ LONGO FINO EM CASCA

 

 

 

 

  Sul, Sudeste, NE e CO (exceto MT)

50 kg

12,38

14,00

13,08

  Norte e MT

60 kg

13,39

14,48

8,14

CASTANHA DE CAJU

kg

0,65

0,65

0,00

CERA  DE CARNAÚBA – Tipo 4

Kg

2,40

2,70

12,50

FEIJÃO ANÃO

 

 

 

 

Brasil

60 Kg

28,00

30,00

7,14

GUARANÁ

 

 

 

 

  Norte e Nordeste e CO

Kg

4,00

4,27

6,75

MANDIOCA

 

 

 

 

RAIZ DE MANDIOCA (Centro-Sul)

t

30,78

35,00

13,71

FARINHA DE MANDIOCA (Centro-Sul)

50 Kg

9,18

10,43

13,62

FÉCULA DE MANDIOCA (Centro-Sul)

Kg

0,2732

0,3100

13,47

RAIZ DE MANDIOCA (Norte/Nordeste)

t

39,00

39,00

0,00

FARINHA DE MANDIOCA (Norte/Nordeste)

50 Kg

11,20

11,20

0,00

GOMA/POLVILHO (Norte/Nordeste)

Kg

0,2800

0,2800

0,00

MILHO

 

60 Kg

 

 

 

  Sul, Sudeste, TO, BA-Sul, Sul do MA e PI

7,43

9,50

27,86

  GO, MS, DF

7,21

8,50

17,89

  MT, AC e RO

 

6,27

7,50

19,62

  N/NE (Exceto os acima mencionados)

8,70

10,50

20,69

PREÇOS MÍNIMOS SAFRA 2002/2003 – RESUMO (continuação)

PRODUTOS

UNIDADE

PREÇO MÍNIMO (R$1,00)

 

Var.

 

ANTERIOR

 

APROVADO

%

MILHO PIPOCA

Kg

0,296

0,296

0,00

SISAL

 

 

 

 

  Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte

kg

0,42

0,42

0,00

SOJA EM GRÃOS

 

60 kg

 

 

 

  Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Rondônia

10,18

11,00

8,06

  Norte (exceto Rondônia) e Nordeste

9,66

10,40

7,66

SORGO

 

60 kg

 

 

 

 Sul, Sudeste, Centro-Oeste e BA-Sul

5,62

6,38

13,52

 Norte/Nordeste

6,10

7,35

20,49

 


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