Sustentabilidade

Ameaças fitossanitárias

Nas últimas décadas, a globalização fez com que o agronegócio em todo o mundo entrasse em um permanente estado de alerta. No Brasil não é diferente. Uma das atividades mais pujantes do país vem sofrendo, safra após safra, com perdas relacionadas a novas pragas nas lavouras. São prejuízos bilionários, que impactam o produtor rural e podem até prejudicar o fornecimento de alimentos no País. 

O cenário é preocupante e exige cuidados redobrados com a segurança de nossas fronteiras. Para garantir a defesa agropecuária brasileira é preciso investir em políticas efetivas de combate à entrada de pragas exóticas, um trabalho preventivo de fiscalização em portos, aeroportos e fronteiras secas. Um desafio de proporções continentais, mas que precisa ser encarado de frente.
 
Uma vez em território nacional, as pragas exóticas atacam as plantações sem serem incomodadas, já que muitos organismos não encontram predadores no Brasil. Neste caso, a única alternativa é o tratamento das lavouras com defensivos agrícolas. O problema é quando os produtos necessários não estão registrados no País.
 
Sendo assim, é preciso garantir maior agilidade na aprovação de novas tecnologias, já que as pragas não esperam os burocráticos processos regulatórios vigentes no Brasil. Em um agronegócio moderno e profissionalizado, que gera bilhões de dólares em divisas ao país todos os anos, é preciso unir agilidade e rigor científico.
 
O Brasil colheu quase 200 milhões de toneladas de grãos na safra 2013/14. Um recorde absoluto. E a colheita só não foi maior porque parte da produção foi devorada por pragas exóticas e outras ainda fora do controle dos produtores, como a lagarta Helicoverpa armigera vem devastando lavouras de soja e algodão em todo o país. Somente no Oeste baiano, as perdas chegaram a US$ 1 bilhão em pouco mais de um ano.
 
De acordo com especialistas existem, atualmente, ao menos 150 pragas invasoras com potencial para atacar lavouras em algum ponto do Brasil. Não há, portanto, nenhuma dúvida em relação à importância de uma política de defesa agropecuária forte e eficiente, capaz de proteger o maior patrimônio do País. Não seria exagero dizer que se trata de uma questão de segurança nacional.