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Guimarães: “Em 2 anos, fizemos testes em 50 campos para aprimorar a tecnologia”.

A multinacional Syngenta sequer inaugurou sua nova fábrica de mudas para cana-de-açúcar em Itápolis (SP), mas já estima contratos de venda no valor de US$ 200 milhões, para usinas do Centro-Sul, até dezembro deste ano. O novo sistema de produção de mudas da empresa foi desenvolvido em 2008 e promete redução nos custos com plantio, já que as mudas são bem menores do que as convencionais.

A expectativa da Syngenta é que as novas mudas – ou gemas – cubram uma área entre 120 mil e 150 mil hectares nos próximos cinco anos, dos quase 2 milhões de hectares cultivados com cana-de-açúcar na região Centro-Sul.

O primeiro grupo a ter acesso à tecnologia será a Usina Guaíra, de Guaíra, no interior paulista. A partir de 2011, a empresa iniciará o plantio com as mudas da Syngenta em uma área de 180 hectares. O plano, no entanto, é cultivar todos os 4,5 mil hectares que a usina tem com as novas mudas até 2015.

Na fila para fechar contratos estão outras 70 unidades de 25 grupos, que já estão testando o novo sistema de mudas, no qual são utilizadas gemas de aproximadamente 4 centímetros cada, já com tratamento de defensivos. A nova técnica tende, segundo a Syngenta, a substituir o modelo tradicional, em que o plantio é feito com mudas de aproximadamente um metro. Essas mudas são plantadas pelas próprias usinas em suas áreas de cana.

“Para se plantar um hectare de cana no sistema convencional, eram necessárias entre 15 e 18 toneladas de cana. Pelo novo sistema é preciso apenas uma tonelada”, afirma Antonio Carlos Motta Guimarães, presidente da Syngenta Proteção de Cultivos para América Latina. O executivo lembra que as primeiras avaliações de campo apontam para uma redução de 5% a 10% no custo de plantio.

O presidente da Usina Guaíra, Eduardo Junqueira da Motta Luiz, considera que o setor sucroalcooleiro adotará o sistema rapidamente. “As usinas eram obrigadas a destinar uma área grande para o cultivo das mudas. A partir de agora, deixo de fazer esse plantio e incorporo a área no cultivo comercial”, explica.

Há outras vantagens, segundo Junqueira. O sistema permite o plantio direto e a mecanização do cultivo, o que dará mais velocidade e eficiência ao processo.

A fabricante de máquinas americana John Deere desenvolve uma plantadeira para semear as novas mudas.

As análises feitas pela Syngenta e pelas usinas indicam que, com a mecanização, as linhas de plantio de cana ficam retas, permitindo um aumento na velocidade de colheita entre 25% e 30%, já que os dados fornecidos pelo GPS do plantio são exatamente os mesmos transferidos para as máquinas que fazem a colheita.

Além da fábrica de Itápolis, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2011, outras unidades de produção de mudas de cana estão nos planos da Syngenta para atender a demanda de regiões onde o cultivo tem crescido nos últimos anos.

A expectativa é que a empresa avance para Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná. A unidade paulista vai ocupar uma área de 50 hectares, mas a Syngenta terá outros 1,1 mil hectares para cultivar as variedades de cana mais utilizadas pelas usinas.
 
Alexandre Inácio, Valor Econômico
Foto: Silvia Costanti/Valor Econômico

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